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Este número 40 mil é avançado pelas forças de segurança espanholas, é um número que supera em muito a anterior crise migratória registrada em 2021, quando se estima que entraram em Ceuta cerca de 10 mil pessoas em situação irregular. O caso levou ao colapso dos serviços de acolhimento da cidade. Este movimento em massa dura há já 10 dias, é o que diz a imprensa espanhola. Em Ceuta estão os enviados especiais do Observador, Inês André Figueiredo e João Porfírio. A Inês está agora em direto. Bom dia, Inês, acabaste de chegar. Que cenário é que nos podes descrever?

Bom dia, Carla. Acabamos de chegar a Ceuta. Fizemos a passagem de ferry de Algeciras diretamente aqui para Ceuta. Vimos várias carrinhas da Polícia Nacional nos barcos que vinham para aqui e vários elementos da Guarda Civil. E a chegada aqui a Ceuta é avassaladora. Logo que saímos do porto, vimos um número incontável de pessoas na rua a caminhar, aparentemente sem rumo, pessoas a dormir sentadas no chão, em muros. A imagem que descreve melhor o que estamos a ver é quando termina um grande evento, como um concerto, e há pessoas por todo o lado, nem sequer é possível ver algumas das estradas. São maioritariamente homens e vêm sem nada, só com as roupas que têm no corpo. Muitos estão descalços, outros de chinelos e de sapatilhas, mas há mesmo muita gente descalça, claramente sem nada, sem bens, sem malas e aparentemente sem destino. E neste momento, a viagem desde o ferry até ao ponto de fronteira entre Marrocos e Espanha, por onde está a entrar mais gente, fizemos de carro, durou cerca de 15 minutos e acabamos de estacionar nesse ponto. Há dezenas de tanques parados na estrada, centenas de pessoas e muita gente a chegar a todo momento. As autoridades estão em cima da areia, só chegar-me aqui um pouco para trás, porque estas autoridades estão a tentar controlar aqui um bocadinho a zona de chegada e como eu dizia, os polícias que aqui estão, estão a tentar encaminhar as pessoas para que saiam desta praia por onde chegam. O cenário é de pessoas que estão a chegar a todo o segundo, muitas com boias, com braçadeiras. Há muita gente a chorar, pessoas que acabam de chegar e que agradecem. Os poucos minutos em que estivemos aqui, já ouvi gente a dizer: "Viva Espanha, I love you, muchas gracias". É o cenário que temos neste momento. São pessoas a chegar, a ajoelhar-se, a rezar no chão e é este cenário que temos para vos descrever neste momento.

Avassalador, como dizias, Inês André Figueiredo, que juntamente com o João Porfírio, acabam de chegar a Ceuta e acabam de registrar estas imagens de pessoas que não param de chegar à praia, vindos a nado, com a roupa no corpo, muitos descalços, a chegar desta forma a Ceuta.