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Doutor, queria perguntar-lhe desde já: estamos a falar no dia de hoje, segundo os dados divulgados, o RT estar em 0,93, mas pelo que sei, este parâmetro não se refere às últimas 24 horas, ao contrário daquilo que é o boletim diário dos novos casos. Queria que me explicasse um pouquinho este atraso no R, como é que funciona e por que hoje é 0,93.

O R depende de duas coisas essenciais. Uma é o tipo de dados que são utilizados e outra é os algoritmos que são utilizados para calcular o R. Portanto, há algoritmos mais empíricos e outros menos empíricos, os modelos matemáticos e epidemiológicos, que exigem uma parametrização do próprio modelo e outros mais empíricos através dos próprios dados. A série de dados do Instituto Ricardo Jorge é feita com base num processo de tratamento de dados que corrige os casos à data de início de sintomas e os casos assintomáticos são processados com uma técnica de mal

Doutor, estamos a falar no dia de hoje, segundo os dados divulgados, o RT estar em 0,93, mas pelo que sei, este parâmetro não se refere às últimas 24 horas, ao contrário daquilo que é o boletim diário dos novos casos. Queria que me explicasse um pouquinho este atraso no R, como é que funciona e por que hoje é 0,93.

O R depende de duas coisas essenciais. Uma é o tipo de dados que são utilizados e outra é os algoritmos que são utilizados para calcular o R. Portanto, há algoritmos mais empíricos e outros menos empíricos, os modelos matemáticos e epidemiológicos, que exigem uma parametrização do próprio modelo e outros mais empíricos através dos próprios dados. A série de dados do Instituto Ricardo Jorge é feita com base num processo de tratamento de dados que corrige os casos à data de início de sintomas e os casos assintomáticos são processados com uma técnica de mal Que vai levar mais sete dias a confirmar que ultrapassámos os lineares, mais a incerteza da decisão política de decidir se deve ou não atuar e agir no sentido de adiar a saída do desconfinamento ou revertir o desconfinamento, podemos estar a tomar decisões que possam levar duas a três semanas depois do que está a acontecer em termos reais hoje.

Doutor, nós temos aqui a ideia e também depois daquele Conselho de Ministros em que o primeiro-ministro apresentou aquele quadro estilo semáforo, em que nos disseram que estávamos a tentar encontrar um equilíbrio com sempre um R abaixo de um e os 120 casos por cada 100 mil habitantes, não subir dessa média. Mas esta interpretação do R não é assim tão linear, ou seja, pode ser alarmante de alguma perspectiva, mas ao mesmo tempo também quantos menos casos pode fazer com que o R suba. É assim?

O R é o medidor do ritmo de aumento ou diminuição da incidência. A situação que nós temos de baixa incidência é uma vantagem. Ou seja, apesar do R ultrapassar o valor 1.0, não é sinal de quadro de alarme. É um sinal, de facto, em que deveríamos estar a ficar preocupados, mas até que a incidência comece a subir para valores particulares, ultrapasse valores de incidência de 120 por 100 mil habitantes, vai levar algum tempo. Seria diferente, como aconteceu no Natal, se nós tivéssemos o R que passava de 1.0 com uma incidência de 3.500 casos. Não, nós estamos com uma incidência atual na ordem dos 500 casos. E, portanto, a preocupação não é exagerada para o caso do R ultrapassar 1.0, porque não há necessidade de haver uma grande preocupação, mas há necessidade de uma maior vigilância e monitorização da evolução da incidência, porque o R, quando ultrapassa 1.0, vai obrigar a incidência a começar a subir. Aliás, a minha análise, com dados corrigidos e pedidos pela DGS para os institutos Carlos III, que são os tais dados corrigidos à data de sintomas, indica-me que nós já tivemos o pico mínimo da incidência diária, não a incidência acumulada, por volta do dia 16. Portanto, a minha estimativa, que utiliza também uma técnica de nowcasting, que é tentar estimar os casos que já foram infetados, mas que ainda não foram diagnosticados, ainda não foram registados. Portanto, eu tenho aqui uma estimativa da incidência. O ponto mínimo da incidência ocorreu por volta de dia 16, com 450 casos, 17 com 456 casos. E agora, em termos médios, nós já estamos em 490 a 530. Portanto, a própria curva de incidência já está a subir e é isto que está a fazer com que o R esteja já a ultrapassar 1.0 para a minha análise. Por quê? Porque a incidência já atingiu o ponto mínimo e já está a começar a subir. Agora, a vantagem de estarmos com uma incidência muito baixa, coisa que não aconteceu com outros países, que não conseguiram controlar as vagas anteriores e portanto só partiram para a próxima vaga, para esta terceira vaga deles, em patamares muito elevados. Foi exatamente o que nos aconteceu a nós no Natal, partimos para a terceira vaga com valores e com patamar muito elevado. Nós estamos numa posição muito confortável, porque estamos com uma incidência muito baixa. Eu fiz uma simulação, apliquei o Rt da nossa terceira vaga de janeiro, apliquei-a agora, estando com 550 casos, isso levava-nos ao máximo apenas em meados de abril de 3 mil casos. Só para verem a diferença, ou seja, a mesma dinâmica da infeção, em vez de partir de um patamar de 3 mil e 500 casos, partimos apenas de 500 casos, vai nos levar não a 14 mil casos, mas a 3 mil, 3.500 casos. Isto no suposto de que, se isso ocorrer, em meados de abril, até dia 23, nós a fechamos como fechámos em janeiro. Portanto, temos é uma simulação só para darmos uma ideia de que partindo um patamar baixo, mesmo com o R que atinja 1.24, 25, como atingiu em janeiro, nós não atingimos valores de incidência extremamente elevados como aconteceu em janeiro. O que é que vai acontecer agora com o R acima de um? Há um município com uma incidência acima de 480 casos por 100 mil habitantes e depois há uns 12 ou 15 municípios com uma incidência acima de 240, e depois há uns quantos acima de 120. Portanto, a atuação, a estratégia vai ser primeiro nos municípios, em termos locais, nos que têm elevada incidência, atuar em termos de medidas muito localizadas, podendo incluir, obviamente, limitações de mobilidade entre concelhos e restrições de mobilidade, imediatamente o recolher obrigatório, enquanto que o país está, digamos, já meio desconfinado. Para quê? Para evitar que esses surtos que ocorram nesses municípios se expandam para municípios vizinhos. A atuação de alteração de medidas a nível nacional só poderá ocorrer se nós, em termos nacionais, ultrapassarmos 240 casos por 100 mil habitantes, tivermos uma disseminação da infeção de forma generalizada pelo país e se o Rt ultrapassar 1.20. Aí é que temos um retrocesso deste plano de desconfinamento. Até lá, a vigilância apertada nos indicadores e o reforço das medidas no terreno