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Nós temos dito reiteradamente que não vamos abarcar as novas missões da AIMA, vamos abarcar as missões que eram do SEF, que é diferente. A AIMA é outra agência criada também para a parte administrativa. Na parte policial, fica a PSP também com esse encargo. Nós temos dito várias vezes que efetivamente a PSP, de há uns anos a esta parte, está com muita deficiência ao nível dos seus efetivos, dos seus recursos humanos. E a verdade é que a criação desta unidade, que em bom rigor já está a funcionar e a partir de amanhã vai ter esse nome de Unidade Nacional, mas a verdade é que a PSP está a dar respostas muito baseadas na falta e na escassez de efetivo. E isto preocupa-nos do ponto de vista sindical ao nível daquilo que será a sobrecarga de trabalho. E estamos a falar de uma missão que tem muita visibilidade. Estamos a falar de turismo, estamos a falar em estrangeiros e fronteiras e estamos a falar também de escrutínio e de pressão por parte da ANA Aeroportos. E aquilo que nós não queríamos que acontecesse era, uma vez mais, ficarem os profissionais com sobrecarga de trabalho, com ausência de valorização remuneratória, com mais uma missão, ausência de suplemento específico para uma área que implica formação. E aquilo que nós apelávamos, uma vez mais, ao governo, e não temos nada contra a criação desta unidade, é que houvesse respostas políticas que permitissem ter um quadro de efetivos e de recursos humanos que pudesse estar nesta nova unidade, mas também não descapitalizar as esquadras, porque estamos numa realidade muito difícil, onde as esquadras não têm efetivos e estamos a canalizar efetivos para a Unidade de Estrangeiros e Fronteiras numa base muito complexa.

Por acaso era isso que eu ia indicar. Há um mês referiu exatamente isso, que as esquadras estão cada vez a ficar com menos polícias. No caso desta nova unidade, vem agravar a situação, ou seja, vai haver menos operacionais dentro das esquadras?

Já agravou, isso já acontece e a verdade é que com aquilo que se projeta e com a complexidade desta nova missão, e tendo em conta a falta de atratividade que a PSP tem tido, menos jovens a concorrer à instituição, pré-aposentação bloqueada há 10 anos, isso possa-se traduzir numa sobrecarga de trabalho, isso parece-me evidente. Veja-se que o próprio funcionamento das esquadras está muito aquém daquilo que era o necessário, porque há muitos profissionais envolvidos também nesta nova Unidade de Estrangeiros e Fronteiras. Agora, aquilo que nós perceberíamos como normal era que a PSP não perdesse a sua capacidade nas esquadras, na segurança interna, para poder estar nesta valência. Queríamos, sim, que houvesse elementos suficientes para estar nas esquadras, nas divisões policiais, nos comandos, na resposta às populações e também elementos suficientes e sem sobrecarga de trabalho, sem troca de turnos e sem trabalhos nas folgas para poder desempenhar mais esta nova missão. Isso parece-me evidente.

E a própria Polícia de Segurança Pública diz que conta ter até o próximo ano, dentro desta nova unidade, dois mil colaboradores. Acha que é possível conseguir atingir este prazo?

Eu admito que quando a Direção Nacional da Polícia diz isso, não esteja só a falar em profissionais da PSP. Ainda assim, aquilo que nós temos como experiência e como realidade é que há ausência de polícias para estarmos nas esquadras, para estarmos nas divisões de segurança aeroportuária e também nesta unidade. Aquilo que nós queremos é que o governo, não obstaculizando a criação desta unidade, possa aumentar o número de efetivos da PSP para responder a todas estas necessidades. Mas para isso é preciso valorizar a carreira, aumentar a atratividade, aumentar os salários, atribuir uma compensação específica a estes profissionais que estão na Unidade Nacional e nas divisões de segurança aeroportuária, porque se assim não for, estamos a trabalhar num paradigma de corte de direitos, de bloqueios e de trabalho muitas vezes exaustivo, que pode permitir aqui um quadro de burnout. E é isso que nós não queremos.