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Perguntava-lhe então, Afonso Reis Cabral, que reação é que tem agora desta decisão do Supremo Tribunal Administrativo, que aprova agora a trasladação dos restos mortais de Eça de Queiroz?
Claro que estou muito satisfeito, eu e toda a Fundação Eça de Queiroz, porque agora se provou cabalmente que tudo o que nós sempre dissemos e sempre indicámos era absolutamente verdade. E portanto, sobretudo estamos satisfeitos, e isso é o que interessa, por agora ser possível marcar uma nova data, sem qualquer sombra de polêmica artificial e que se pode agora fazer a cerimônia com toda a dignidade que ela merece. E isso para nós sempre foi o essencial. E sempre achamos e sempre dissemos que Eça de Queiroz pertence a todos os portugueses e que esta cerimônia do Panteão é uma expressão simbólica dessa pertença, que agora poderá ser levada a cabo. E é uma cerimônia simbólica dessa pertença, longe de qualquer polêmica, e que prova cabalmente que tudo o que dissemos estava certo. E claro que isso nos deixa satisfeitos.
Essa é a reação enquanto presidente da Fundação Eça de Queiroz, mas estou também interessada em outras duas reações, que é enquanto escritor e também enquanto trineto de Eça de Queiroz. Como é que se sente nessa qualidade?
Eu talvez prefira responder mais como escritor, porque de certa maneira eu acho que todos os escritores portugueses são, de uma maneira ou de outra, descendentes de Eça de Queiroz, literariamente descendentes de Eça de Queiroz. E talvez prefira responder dessa maneira, porque acho genuinamente que a cerimônia do Panteão Nacional é justamente uma forma de nós, enquanto comunidade, onde se incluem, claro, também os escritores portugueses, de homenagearmos uma das figuras e um dos escritores mais importantes para a língua portuguesa, não só para Portugal, mas para a língua portuguesa transversalmente. E essa cerimônia é uma homenagem que todos, como comunidade, prestamos. É apenas isso e eu acho que já é muito. E portanto, daqui para a frente, com esta decisão, não há qualquer dúvida que poderemos marcar a nova data com tranquilidade, sem sombras de polêmicas, sem desinformação, sem compulsões e sobretudo com a dignidade que a cerimônia merece.
Dos bisnetos que não concordaram e com aqueles que também se abstiveram, planeiam sentar-se a conversar para ficarem também, não é que estivessem já mal, mas também para conversarem, porem tudo em paz e também ficarem em paz com esta decisão?
Não vou em público falar sobre questões familiares. A questão da oposição à trasladação era pública e por isso publicamente falei dela e publicamente reagi, eu e todas as dezenas de pessoas envolvidas nesta cerimônia, não só da Fundação Eça de Queiroz, mas da Assembleia da República, dos parceiros, enfim, todas as pessoas que em muito boa vontade e com muita alegria e entusiasmo queriam prestar esta homenagem e por isso vi-me obrigado a responder e a falar sempre sobre este assunto. A partir daqui, inclusive como eu sempre disse, a questão familiar é completa e totalmente irrelevante. Eça de Queiroz não pertence a uma família, não pertence a uma instituição, pertence à comunidade portuguesa e a todos os portugueses. E esta cerimônia é justamente um reflexo disso, o que me deixa muito contente.
Essa cerimônia, julgo que agora vão também conferir sobre uma data, mas agora imaginando que estará aberta essa visita também ao Panteão para ver, para visitar, neste caso, Eça de Queiroz, como é que acha que será a reação das centenas de alunos que o vão visitar, dos estudiosos, dos escritores, dos leitores? Que momento é que temos agora perante nós?
Eu gostaria muito que a cerimônia fosse o mais transversal possível e, portanto, pudesse envolver as escolas, pudesse envolver leitores, pudesse envolver queirozianos, enfim, que fosse muito transversal. Não está nas minhas mãos, está nas mãos da Assembleia da República, do grupo de trabalho, mas do que eu tenho acompanhado e do que tenho ajudado, parece-me que assim será e será um momento de festa à volta da literatura, mas sobretudo à volta de Eça de Queiroz, que é justamente isso que se pretende e que sempre pretendeu, nada mais.