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Junta-se a esta edição Henrique Borné, especialista em Relações Internacionais. Obrigada por estar conosco, Henrique Borné. Houve aqui uma moeda de troca, claramente, para que a Hungria pudesse finalmente levantar este veto.

Boa tarde. Parece bastante evidente. A Hungria estava a fazer esta rejeição muito pública, anunciou de forma muito pública a sua objeção. Depois, há dois dias, já dizia uma coisa um pouco diferente. E entretanto vieram os 10 mil milhões e terá passado. Parece que a Hungria trocou o seu não e tem usado este não por dinheiro que tinha para receber e a Comissão Europeia e os Estados-membros, porque ninguém tem a ilusão de que foi apenas a Comissão Europeia por sua iniciativa, perceberam que era uma troca que valia a pena fazer e aceitaram fazê-la. Também digamos que o resto também é verdade, isto é, também se mantém a torneira fechada para poder ir trocando, fazendo pressão com a Hungria. As duas coisas também são verdade.

E quais é que são agora os próximos passos, Henrique Borné? Isto em termos de timings, para já, a notícia é só esta, que há acordo para abrir as negociações de adesão. Quanto tempo é que podem demorar?

As negociações podem demorar anos. Leia-se 10 anos, oito anos, 12 anos. As negociações de adesão podem demorar imenso tempo, isso é uma questão normalmente muito complicada. Uma coisa é certa, nunca se quer colocar a hipótese com um país ainda em guerra. Ainda em guerra nem pensar. Depois da guerra é que estão. Colocar-se-á um país ainda em guerra seria muito pouco provável. Seria inédito, além do mais, seria muito pouco provável e muito difícil ter uma solução destas, embora já tenha havido quem tenha sugerido que até a parte da Ucrânia que não está ocupada devia entrar para a NATO e, imagino, para a União Europeia, eventualmente. Não me parece uma questão provável. Racionalmente, a questão que se coloca aqui, ainda antes disso, ou seja, de quanto tempo é que pode demorar, é perceber se há ou não há um gato escondido nesta decisão. Ou seja, aquilo que se tinha antecipado era a possibilidade de a decisão do Conselho hoje ser decidirmos que vamos começar a abrir as negociações com a Ucrânia, mas depois, uma espécie de em letras pequeninas, dizia, em março ou eventualmente em junho, julho, desde que nessa altura estejam reunidas todas as condições. Isto é, a Ucrânia tenha já feito os progressos que são necessários para avançar. Parece que não estará lá isso, porque a informação que é pública vem num tweet do presidente Charles Michel, que faz esse disclaimer em relação à Bósnia-Herzegovina, mas não faz em relação à Ucrânia. Parece que não estará colocado isto, ou seja, parece que a decisão é limpa, é de começar mesmo em março ou eventualmente em junho, julho. Veremos. De qualquer maneira, isto parece um sinal muito importante para os ucranianos. O Zelenskyy veio de Washington sem boas notícias. E é um sinal de que a Alemanha e França, tomaram a decisão de que isto era absolutamente fundamental e forçaram esta decisão.