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Uma coligação pré-eleitoral é essencial?

Nós temos sido muito claros em relação a isso. Quer dizer, só lhe posso repetir o que tenho dito. Parece-me que uma coligação pré-eleitoral era uma questão de aritmética básica, porque somar mesmo o pior resultado do CDS, que foi em janeiro de 2022, os votos do CDS aos do PSD, só com isso conseguiria eleger mais seis deputados. Se fossem os do CDS e os da Iniciativa Liberal, elegeria 10. O doutor António Costa não teria a facilidade que teve desde as últimas eleições. E depois há a questão estratégica que manda ao CDS, faria aproveitar o que já está junto e já está junto há muito tempo. O CDS neste momento lidera com o PSD perto de 40 autarquias. O CDS está com o PSD junto do Governo Regional dos Açores e da Madeira. O CDS com o PSD venceu eleições em 2015, depois de um governo notável, liderado pelo Pedro Passos Coelho e pelo Paulo Portas, a quem prestamos homenagem necessariamente pelos resultados, mas que venceu eleições e portanto, por razão estratégica, isso também fazia sentido. Não obstante, e essa é a nossa prioridade, o CDS é um partido corpo inteiro que fala por si. E um partido corpo inteiro que fala por si tem que estar capaz, preparado, de ir a votos por si.

Está preparado para ir sozinho a votos?

Totalmente preparado. Está preparado porque tem uma grande militância, muitíssimo motivada, como poucas vezes antes. Está preparado porque tem levado um ano e meio a identificar problemas e apresentar as melhores soluções e está preparado porque tem pessoas que mais ninguém tem, com credibilidade, qualidade e experiência no espaço político à direita, que somam nessa solução de centro-direita. Dito isto, já agora, permita-me, há só um tema que eu gostava também de trazer aqui, que é importante. E porque tem que ver com a nação enquanto tal. O governo decidiu transformar a bandeira portuguesa numa caricatura, como se a simbologia da nação fosse permeável a uma lógica gráfica que não significa coisa nenhuma. E nós deploramos o que está a acontecer. Nós termos o governo a decidir que as armas de Portugal e a esfera armilar, as armas que são o elemento representativo mais permanente em todas as bandeiras e a esfera armilar que representa a presença de Portugal no mundo, transformadas como se lê na proposta e na justificação do governo, num elemento gráfico redondo amarelo, representativo do governo, é de um apoucamento quase criminoso que não lembra a ninguém. E nós gostávamos de recordar ao Partido Socialista que a bandeira nacional não é representativa do governo, é representativa da nação. A bandeira nacional não representa uma maioria, representa todo um povo. E por isso o que está a acontecer não é aceitável. E o CDS rejeita e repudia. A esfera armilar e as armas de Portugal não são uma simbologia representativa redonda amarela, como se isso traduzisse alguma coisa. A bandeira é o símbolo da nação. E nós gostávamos de deixar isto muito claro, porque o que está a acontecer não é uma questão menor. É um aspeto grave de quem trata a nação como uma coisa menor, que pode ceder à estética, para além de mais, muito duvidosa, mas isso para quem é o que menos importa.

E em relação à oposição, no que diz respeito à possível coligação pré-eleitoral, é uma vontade dos militantes do CDS ou apenas do órgão diretivo?

O CDS tem uma direção que é em si mesma uma manifestação de uma democracia que é representativa. O CDS não funciona em jeito de democracia popular. Portanto, a direção que o CDS tem é eleita em congresso. E eleita em congresso, significando isso que tem a legitimidade para apresentar as suas propostas, que depois hão de ser validadas no órgão maior entre congressos, que é o Conselho Nacional. Mas isso é questão que agora não nos preocupa, porque o que nos preocupa é preparar o partido através dos seus quadros e da sua militância, com uma doutrina e ideias que são boas para Portugal, para enfrentar o que seja em futuras eleições. Tudo o que diferente tiver que suceder, será certamente ponderado, mas o nosso foco é em eleições, é no CDS, porque é para isso que nós cá estamos.

E diferente do que acontecer se não conseguirem eleger nenhum deputado, a sobrevivência do partido fica em risco?

Nós vamos eleger deputados. Pode ter a certeza disso.