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Pela primeira vez, a APAV divulgou estas estatísticas sobre a violência no namoro. Há algum dado que a tenha surpreendido particularmente?
Relativamente a esta questão dos dados, aquilo que damos maior destaque tem a ver com esta questão do número de pedidos de ajuda é o pós-ruptura. As pessoas pedem-nos ajuda quando já estão a sair da situação de violência, neste caso, quando já terminaram a relação, mas a violência ainda permanece e ainda continua. O maior dado surpreende-nos neste sentido, em que as pessoas acabam por nos procurar por a violência não cessar necessariamente com este término da relação. Esgotando efetivamente muitas vezes aquilo que são as estratégias para pôr fim àquela situação de violência, acabam por procurar esta ajuda especializada no sentido de se poderem apoiar e obter aqui a ajuda que necessitam.
Os casos mais frequentes é mesmo quando já estão mesmo na ruptura da relação ou no final da relação ou mesmo a meio, porque no início não há assim grandes casos, é isso?
No fundo, tem a ver com aquilo que são o número de vítimas que nos procura. Relativamente àquilo que foi apurado pela APAV, as vítimas procuram-nos já nesta fase, na fase em que saíram da relação, mas que a violência efetivamente continua mesmo depois da relação ter terminado. Não quer dizer que seja menos grave ou mais grave. A verdade é que as pessoas não conseguem pôr fim àquela situação de violência e por isso acabam por pedir ajuda à APAV no sentido de se poderem munir de ferramentas e estratégias que as permitam cessar aquela situação de comportamentos abusivos.
Considera que houve aqui algum aumento ou uma diminuição nos casos em relação aos anos anteriores? Neste caso, vocês só lançaram deste ano, correto?
Exatamente. Aquilo que sabemos, efetivamente, tem a ver com os dados deste ano. Em relação a esse aumento, não temos dados que nos comprovem nesse sentido. Se nos basearmos aqui depois em relação àquilo que são as estatísticas da violência doméstica, ano após ano, temos recebido o maior número de pedidos de ajuda. Não sabemos, de facto, e não podemos dizer que a violência está a aumentar. Aquilo que sabemos é que as pessoas procuram mais o nosso apoio e isso também é bom. Quer dizer que estão mais informadas, mais sensibilizadas para instituições, no caso como a APAV, que as podem apoiar para sair destas situações abusivas que vivenciam.
E quais considera ser os casos mais frequentes, ou seja, de violência?
Mais frequentes em relação à forma de violência?
Sim, exatamente.
Os pedidos vão nos vários sentidos. Sendo que quando existe violência física, está subjacente sempre uma violência psicológica, muitas vezes. Há aqui uma escalada de comportamento e intensidade destas agressões, que muitas vezes depois fazem com que a vítima se identifique. Mas nós temos vítimas que nos procuram, que nunca foram alvo de um comportamento de violência física, mas de um controlo, de uma manipulação extrema, que de facto, tem tantas consequências, como esta violência física que é praticada.
Última pergunta: vocês têm sempre a cooperação com a GNR, com as forças de segurança. Os casos, quando vos procuram, tentam sempre registá-los nas forças de segurança, tentam incentivar a vítima a apresentar queixa?
Certíssimo. A violência no namoro é um crime público, integra o crime de violência doméstica e nós incentivamos sempre a pessoa a denunciar as situações. Daquilo que nós temos enquanto dados, grande parte das vítimas, muitas vezes que nos contacta, no caso da violência na relação atual, em que temos uma percentagem inferior aos 50% a já ter apresentado denúncia aquando o contacto com a APAV, no caso da situação de pós-ruptura, temos uma percentagem superior. Cerca de 60% das vítimas já apresentou denúncia quando nos contacta. Isto também tem a ver com aquilo que são, muitas vezes, os protocolos de referenciação que existem entre as forças de segurança e a instituição. E quando a pessoa se desloca para apresentar esta denúncia, é muitas vezes encaminhada para os nossos serviços no sentido de poder obter a ajuda necessária.