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Albufeira, Faro, Loulé, Olhão e São Brás de Alportel vão deixar ter aulas presenciais para o primeiro e segundo ciclos. De acordo com o comunicado da ARS do Algarve, a situação pandémica agravou-se. O objetivo é o de conter as cadeias de transmissão do novo coronavírus, isto numa altura em que existem cerca de 800 casos ativos na região. Junta-se agora a nós neste jornal o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, este que é um dos municípios em que foram suspensas as aulas presenciais de primeiro e segundo ciclos. Muito bom dia, José Carlos Rolo, muito obrigado pela disponibilidade. Começo por lhe perguntar se concorda com esta decisão da ARS do Algarve e tendo em conta também que o município de Albufeira era identificado como um dos municípios com piores números do país no que diz respeito à pandemia.

Muito bom dia. Sobre a concordância relativamente a esta decisão da autoridade sanitária, tenho que compreender, e compreendo, com certeza, com os dados que têm. Admito que seja uma necessidade de precaução sobre os pontos de contágio que possam estar a nível das escolas do primeiro ciclo. É sabido e é dito, por varioussimas vezes, por muitos especialistas que esta variante do vírus ataca muito mais as pessoas com menos idade e daí que penso que é uma medida de cautela, uma medida de prevenção e que admito que tenha sido determinada com todos os conhecimentos que a autoridade tem.

Mas por que apenas as escolas? E pergunto também se tem havido um aumento de casos nestes estabelecimentos de ensino. Pergunto também de números que terá sobre surtos em escolas. Neste momento, por exemplo, no município de Albufeira, estão identificados quantos surtos, se é que há neste momento?

Não sei se se pode chamar surtos. Às vezes é preciso ter cuidado com termos que nós não dominamos.

Mas há casos identificados.

Exatamente, mas há casos identificados que me chega todos os dias o senhor delegado de saúde me envia três, quatro casos em três, quatro turmas diferentes. Um aluno ou uma criança, sendo do pré-escolar até e do primeiro ciclo, principalmente, me aparecem tanto alunos e crianças infetadas.

Mas foi o aumento do número de casos que tornou essa situação mais preocupante aos olhos da ARS do Algarve e que levou a que fosse tomada esta decisão?

Deve ter sido, com certeza, obviamente, que isso foi uma decisão tomada ontem à noite. Ainda não falei com mais ninguém, absolutamente nada. Portanto, admito que foi com todos os dados que têm, embora isso seja lesivo. Portanto, é sempre uma necessidade que os pais têm, os pais que eventualmente começariam agora a trabalhar, têm que ter os filhos novamente em casa.

É mesmo por aí que eu queria ir também. Ou seja, pergunto se estão ou não salvaguardadas essas situações em que os pais precisam de ficar com os filhos em casa, já que esta medida foi conhecida há pouco tempo. E pergunto-lhe também se no caso dos alunos estão assegurados equipamentos como, por exemplo, computadores para as crianças que vão ter de ter aulas à distância.

Isso é uma responsabilidade dos agrupamentos escolares. Eu penso que sim. Na altura e o ano passado-

Mas, ou seja, não há neste momento uma garantia?

Não, acho que sim, acho que há. Uma vez se já houve, se já funcionou assim, também acredito que agora estejam reunidas as mesmas condições que tiveram noutra altura, que também teve aulas não presenciais. Aliás, a Câmara de Albufeira entregou 780 ou 770 tablets aos desenvolvimentos escolares para alunos do primeiro ciclo e ensino básico e 110 portáteis aos alunos do ensino secundário.

E esses números serão suficientes no caso dos equipamentos para as crianças?

Os agrupamentos com certeza receberam mais do Ministério da Educação. Portanto, isso penso eu que está salvaguardado.

E no que diz respeito a essa situação dos pais que têm que ficar com os filhos em casa. Neste momento, quais são as condições e se estão salvaguardadas essas situações? Neste caso, também aqui a autarquia pode dar algum tipo de apoio?

O apoio que pode dar é o apoio que tem dado sempre. Nós temos um apoio que estamos a dar através da Proteção Civil, muito pouco, claro, nunca poderemos é recolher as crianças para um sítio onde sejam muito mais, porque senão também estamos a andar em contraciclo, estamos a desrespeitar uma determinação da autoridade sanitária. Portanto, nós temos aqui que minimizar estes problemas todos que vão existindo, porque realmente senão nunca mais termina.

Já Carlos Rulo, enquanto autarca em Albufeira, pergunto-lhe também, tendo em conta que há esse número elevado de casos em Albufeira, pelo menos é um dos concelhos sinalizados no país, se admite que possa haver um alargamento de medidas além desta suspensão das aulas presenciais.

Como sabe, eu tenho manifestado alguma indignação nos últimos tempos, aí já vem de trás. A relação da contabilização do nível de infecção por 100 mil habitantes, é que determina as regras e as restrições ou não de determinado tipo de situações. Portanto, é determinado tipo de conceito. Portanto, eu achava e acho que continuo a ter a certeza, e em reunião com vários empresários e várias associações empresariais, e não só aqui do concelho, nós chegamos à conclusão que o número base para cálculo do número de infetados por 100 mil habitantes é 41.900, por aí assim, enquanto nós, neste momento, no concelho, deveremos ter por volta de 100 mil pessoas. Ora, isto vai dar uma situação completamente diferenciada, embora evidentemente que há os infetados, ou seja, aqueles que são casos, e não é essa medida, não é essa forma diferente de encontrar este número que vai modificar alguma coisa em termos de infeção, mas modifica alguma coisa em termos de estádio de situação do próprio conceito. Portanto, é uma medida injusta, penso eu. Penso que aquilo que ultimamente sobe, acho que o Governo já está a tratar desse assunto para encontrar uma forma de resolver o assunto, tal qual como foi resolvido com os municípios de baixa densidade, em que a classificação de elevado e muito elevado alterou precisamente para não. E era o contrário, em qualquer dois ou três infetados, fazia logo subir enormemente o nível.