Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Conosco na Rádio Observador está o Cláudio Gomes Vaz, mais conhecido no mundo do futsal como Bebé. Venceu um Europeu em 2018 e um Mundial em 2020 pela Seleção Nacional. Conta com passagens por clubes como o Benfica, o Sporting e o Leões de Porto Salvo. É um nome histórico do futsal português. Ao longo de toda a carreira, somou, por exemplo, 137 internacionalizações por Portugal. É, aliás, o décimo jogador com mais jogos pela Seleção Portuguesa de Futsal. Portugal é bicampeão europeu, Bebé, e por isso parte naturalmente com muita ambição para esta prova, com foco no tri. Tendo em conta o atual panorama do futsal mundial, Portugal, mais do que o candidato, é o principal favorito a levar o troféu para casa?
Sim, eu acho que sim. Eu acho que neste momento é impossível dizer algo em contrário. Nós somos bicampeões europeus, então sendo bicampeões europeus, acho que não há seleção mais favorita do que a nossa. Se vamos ganhar, isso já é outra coisa que ninguém pode prever, mas que somos favoritos, isso não tenho dúvida nenhuma.
E para o Bebé, quais são os outros fortes candidatos a vencer este Campeonato da Europa?
Na minha opinião, e como a seleção jogou há pouco tempo, uma das grandes candidatas também a ganhar é a Ucrânia. A Ucrânia tem vindo a crescer muito nesses últimos anos. Sempre foi uma seleção muito forte, mas eu acredito que neste momento está num patamar acima e será uma das seleções candidatas a ganhar o Europeu. E depois temos a nossa eterna rival, que é a Espanha, que é a seleção com mais Campeonatos da Europa vencidos e que será sempre também uma seleção muito forte. Eu depois num patamar mais abaixo colocaria a França também, que tem vindo a crescer, mas se eu puder escolher os candidatos mais fortes a ganhar esta competição seria Portugal, Espanha e Ucrânia.
Portugal está no grupo D com Polónia, Itália e Hungria. Deve haver aqui alguma preocupação extra com os adversários de Portugal ou isto não diria que será um passeio, mas à partida Portugal não terá grandes dificuldades a passar em primeiro no grupo?
Não, preocupação tem que haver sempre. A partir do momento em que nós achamos que não tem que haver preocupação com as outras seleções, eu acho que isto é o princípio para haver surpresas, porque de facto neste momento as seleções estão todas num patamar acima. Eu diria claramente que a Itália, apesar de não ter participado nas últimas competições, agora qualificou-se através do playoff, tem jogadores fantásticos, um deles sobejamente conhecido por nós todos, que é o capitão Merlim, que lidera uma equipa com jogadores com muita experiência, eu diria jogadores que estão habituados a jogar num campeonato muito competitivo, que é o italiano, e então é uma seleção forte, que será o nosso primeiro jogo e será, eu diria, o jogo mais difícil do grupo. Mas, por outro lado, as outras duas seleções são seleções, como eu disse anteriormente, que têm crescido, são seleções que são muito poderosas fisicamente, não são tão técnicas como nós, mas esse tipo de jogo, já sabemos, essas seleções acabam por equilibrar os jogos através da vertente física. E então eu não prevejo facilidade nenhuma para a nossa seleção, embora acredite que seja favorita a ficar em primeiro lugar, mas Portugal não pode facilitar, porque se facilitar, nós vamos ter dissabores.
Para esta competição há alterações na convocatória relativamente à última grande prova em que Portugal participou. Zicky não estará presente devido a problemas físicos. A minha primeira pergunta é se vai fazer muita falta à Seleção Nacional e em que medida a surpresa Rúben Góis está preparado para substituir um jogador da categoria de Zicky. A outra pergunta é quando um dos melhores jogadores falha uma competição destas, é também motivo para os restantes atletas se unirem ainda mais?
Eu posso falar por experiência própria.
Claro.
Porque estive na seleção vários anos e a questão de união nem se coloca, porque o ambiente que se vive na seleção é um ambiente de família e os próprios jogadores costumam dizer isso. Eu acho que não será preciso qualquer tipo de situação para que possa aumentar ainda mais a união entre os atletas, porque essa união já existe. Eu nem diria só entre atletas, mas diria entre a equipa técnica, o staff e os atletas, que isso tem se vindo a ver ao longo dos anos. É claro que o Zicky é um dos melhores jogadores do mundo, é um dos melhores pivôs do mundo e seria injusto ou hipócrita, se quisermos a minha parte, dizer que o Zicky não fará falta. Claramente que fará falta. Mas também, por outro lado, eu acredito que o Góis, que tem feito uma época muito boa e tem sido convocado, salvo erro, os últimos três, quatro jogos da nossa seleção, e a verdade é que ele tem correspondido muito bem E então eu acredito que o Góis não vai fazer de Zico, porque o Góis não é Zico, o Góis é o Rúben Góis. Terá que fazer o papel dele, terá que usar as características e as coisas que ele tem de melhor ao serviço da nossa seleção. E eu, neste momento, diria que todos os jogadores da nossa seleção sabem quais são as melhores características do Góis e quais são os seus pontos fortes para nós explorarmos quando ele estiver em campo. Portanto, eu não tenho dúvida nenhuma que o Góis irá ser uma mais-valia para a nossa seleção e irá ser o primeiro Europeu dele. Eu acredito que ele está mesmo muito motivado e eu acho que ele irá fazer um excelente Europeu. Agora, claro, um jogador como o Zico faz sempre falta.
Também o João Matos não está nesta convocatória. Já sabemos que a braçadeira vai ficar com o Bruno Coelho. Eu pergunto-lhe se fica bem entregue e se vai fazer muita falta o João Matos, não só dentro da quadra, como também no balneário, ou se há já uma relação suficientemente fortalecida na seleção para não fazer assim tanta falta.
Eu diria que, é claro, o Matos é o jogador mais internacional pela nossa seleção. Claro que, infelizmente, ele este ano tem jogado menos e eu até acredito que, devido a esse facto, não tenha estado nas opções do mister Brás. Mas a verdade é que, neste momento e ao nível que nós estamos e que os jogadores portugueses estão, custa-me dizer que o jogador A ou o jogador B é imprescindível, porque neste momento nenhum dos jogadores é imprescindível. Se você me perguntar se o Matos tinha condições para estar neste grupo, claro que tinha. O Matos, como eu disse anteriormente, é o jogador mais internacional, é um líder dentro e fora de campo. É claro que eu acredito que ele estando lá, iria ser uma mais-valia. Mas infelizmente para o João, não estando. Mas a seleção tem que se reinventar. A verdade é que o desporto é feito de ciclos. Não sei se ele irá ser chamado mais ou não, mas a verdade é que nós não podemos ficar presos ao passado. As coisas têm que andar. Neste momento, os jogadores que o mister Brás convocou, eu acredito que estejam claramente capacitados para exercer esse papel e de certeza absoluta que o Matos é um jogador emblemático para a nossa seleção e de certeza absoluta que todos aqueles jogadores irão jogar também pelo João Matos. Eu acho que isso é o mais importante.
E se fosse o Jorge Brás também daria a braçadeira de capitão a Bruno Coelho?
Sim, claro. O Bruno é dos mais internacionais, é uma presença assídua na nossa seleção, jogadores com muita experiência e então em termos de capitão, estamos muito bem representados. Se bem que no contexto de seleção, eu diria que todos os jogadores exercem um bocadinho esse papel de capitão, porque com a união que existe, com a humildade que todos têm entre todos de ouvir uns aos outros, eu acho que todos, de uma certa maneira, fazem esse papel de capitão e o Bruno não terá que se desgastar, se assim podemos dizer, ou de se chatear, porque todos são responsáveis e todos estão habituados, principalmente, todos, mas a maioria estão habituados a estar neste tipo de competições.
Jorge Brás está à frente desta seleção desde 2010. Já são muitos anos, muitos jogadores que passaram, marcaram a diferença entretanto e já saíram, como o caso do Bebé, mas há muitos outros. Houve muitos anos nesse longo caminho em que Portugal não ganhou nada e isso até motivou críticas, mas vive agora um grande momento. Acha que essa estabilidade em torno do selecionador também foi e é importante?
Não acho, eu tenho a certeza que é importante. Nós costumamos sempre dizer nas nossas conversas corriqueiras que a casa não se começa a construir pelo telhado. E a verdade é que aquilo que a federação fez ao longo destes anos todos foi criar bases sólidas para que ao dia de hoje nós possamos dizer que somos bicampeões europeus e fomos campeões do mundo. E então não tenho dúvida nenhuma que o Brás é a pessoa certa para estar no cargo que está e, acima de tudo, é a pessoa que, eu posso falar por experiência própria, eu não acredito que haja alguém no futsal português que conheça tão bem, tão profundamente o futsal português e o jogador português como o mister Brás. Portanto, eu não tenho dúvidas que ele é a pessoa certa e a estabilidade dá claramente tranquilidade e confiança para fazer o trabalho e, acima de tudo, os resultados estão aí à vista, não só na seleção A, mas também nas seleções mais jovens, que eu relembro que Portugal é bicampeão europeu de sub-19.