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Este modelo de aeronave escolhido pelo governo não é adequado para fazer emergência médica. Quero aqui lembrar que, tratando-se de um modelo de construção americana, não é utilizado nos Estados Unidos da América para fazer emergência médica, pelo contrário. A maior parte dos modelos escolhidos é precisamente o modelo que está atualmente a operar para o INEM, que foi um modelo construído para emergência médica, portanto, bastante adequado para o sistema. O modelo que o governo assinou, o Black Hawk, é demasiado grande, pesado, efectivamente não consegue aterrar em locais de acesso restrito, sobretudo na maior parte dos heliportos do país. Ainda ontem, no Algarve, um dos helicópteros que serve agora o INEM aterrou numa rotunda. Era impossível isso acontecer com o Black Hawk. Esperemos que o governo reverta a sua decisão ou então que diga que outras missões se façam para além de emergência médica, porque para emergência médica, de facto, não é o modelo adequado. Também quero aqui lembrar que o senhor ministro da Defesa apresentou um relatório do INEM que compara apenas os meios que a Força Aérea Portuguesa dispõe, inclusive compara aviões pesados. Portanto, é um relatório absolutamente desajustado para os objectivos do governo se essa vir emergência médica.

Mas por que acha que o governo decidiu optar por este modelo? Acha que é falta de conhecimento? O que acha que pode estar aqui por trás?

Ou é falta de conhecimento, ou terá prevista outras missões que não emergência médica. Uma coisa é certa, não é um modelo adequado para emergência médica, disso não temos dúvidas. Em todo o mundo, não são utilizados nos serviços médicos de emergência, apenas em evacuações em contexto militar. Desconhecemos se haja mais alguma tipologia destes dois, mas imaginemos que seria, sobretudo, falta de conhecimento. Queremos acreditar nisso, pelo menos.

Ou seja, esta notícia de que o governo decidiu comprar quatro helicópteros não conforta o sindicato, porque sabe que não vai resolver essa questão da emergência, não vai ser um apoio.

Será um reforço para situações muito excepcionais. Aliás, nestes meses em que a Força Aérea esteve a apoiar o INEM no serviço de helitransporte, verificou-se precisamente bastantes restrições, sobretudo no aterrar e no tempo que demora a levantar esta aeronave, o que deixa cair por terra o que o senhor ministro disse de ser um modelo adequado para emergência médica.

Ou seja, na sua opinião, acha que o governo devia, enquanto é tempo, escolher outro modelo ou então, se essa compra já tiver sido feita, tentar revertê-la?

Sem dúvida. Se o objetivo é servir emergência médica, esperemos que o governo reverta a situação e opte por um modelo mais adequado, como por exemplo, o que está a servir actualmente o INEM. O governo baseia-se no relatório do INEM, que é sobretudo uma análise sobre os meios aéreos que a Força Aérea Portuguesa tem. Ora, existem bastantes outros modelos no mercado e a servir na Europa, mas também um pouco por todo o mundo, que não têm origem militar e que são bastante mais adequados para emergência médica do que os modelos que o governo português escolheu. Das duas, uma: ou pretende colocá-los a fazer outras missões que não emergência médica, ou então o melhor mesmo é reverter a decisão e optar por um modelo mais adequado.