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Conosco ao telefone está o deputado do PSD, Carlos Peixoto, é um dos parlamentares que assina esse pedido de audição. Boa tarde e obrigado por se juntar a nós. Começava por lhe perguntar o que é que Eduardo Cabrita deve esclarecer junto dos deputados.
Boa tarde. Obrigado pela oportunidade. Eu acho que o senhor ministro deve explicar por que é que mentiu aos portugueses com todos os dentes que tem na boca. A expressão é mesmo esta, porque ele faz uma conferência de imprensa para anunciar as conclusões de um relatório da IGAI, da Inspeção-Geral da Administração Interna, na sexta-feira, e aquilo que diz é exatamente o contrário daquilo que lá está. Aquilo que diz é que a responsabilidade dos festejos foram do Sporting, que fez o que quis e como quis. Mas verdadeiramente o que está nesse relatório é que a responsabilidade dos festejos do Sporting foram exclusivamente do ministro da Administração Interna e do MAI, porque havia um parecer da PSP que desaconselhava estes festejos e o MAI passou por cima desse parecer e autorizou o Sporting a fazer aquilo que fez. E, portanto, a questão é esta, é que o país não pode viver neste lodo e coabitar com este comportamento indigno de um ministro, de um ministério, que é incompatível com a função que ocupa e com as responsabilidades do cargo que tem. Não é mais viável que ministros sacudam a água do capote e que vivam uma espécie de delírio político. E o pior é que isto aqui tudo acontece com a obstinada cobertura política do primeiro-ministro. E portanto, é isto que nós queremos esclarecer. Por que o ministro disse uma coisa treslendo, desvirtuando um relatório que diz coisa diferente.
Nesse sentido, ia lhe perguntar que análise, não sei se já teve a oportunidade de analisar esse relatório, mas se lhe pareceu suficientemente exaustivo e esclarecedor face a um evento que deu tanto que falar.
Aquilo que resulta deste relatório é que havia pareceres das autoridades, da Direção-Geral de Saúde e da PSP, que desaconselhavam os festejos conforme o Sporting os tinha proposto. E o Ministério da Administração Interna, o que faz é desvalorizar esses relatórios, passar por cima deles e tomar a decisão de autorizar o Sporting a fazer aqueles festejos. Portanto, a responsabilidade política desta questão, da forma como eles foram feitos, das suas consequências, do seu impacto, é exclusivamente do Ministério da Administração Interna. E portanto, é isto que ele tem que assumir, sem nenhum tipo de pruridos, de desculpas, de pretextos. Não vale a pena. Nós estamos habituados a este estilo do Ministério da Administração Interna, mas sabemos que cada semana, cada cavadela, sua minhoca. Estamos habituados a isto. Quer dizer, há sempre a responsabilidade do MAI e há sempre um sopro para cima dos ombros, dizendo que a responsabilidade é sempre de outros, nunca é dele. E de facto, não podemos continuar a conviver com este estado de coisas, porque isto mina a democracia, a confiança que os cidadãos têm nas instituições, nomeadamente no governo, que tem que ter comportamentos de dignidade e de respeitabilidade que neste momento não está a ter.
Carlos Peixoto, para terminar, perguntava-lhe só se o PSD pondera chamar ou se considera também importante ouvir outras entidades como a PSP, a Autarquia de Lisboa, até mesmo o Sporting neste processo.
Obviamente que a função de um Parlamento e dos grupos parlamentares é averiguarem os factos até à sua exaustão. Vamos primeiro tentar perceber o que o senhor ministro tem a dizer relativamente a isto e se não nos sentirmos devidamente esclarecidos, obviamente que teremos que continuar a ouvir outras entidades até que a verdade venha ao de cima, porque é isso que todos procuramos fazer e saber.
Obrigado, Carlos Peixoto, deputado do PSD, um dos parlamentares que assina este requerimento, que quer ouvir Eduardo Cabrita na Assembleia da República, o ministro que chegou a acusar o Sporting de não ter colaborado com o inquérito, mas o clube de Alvalade emitiu mais tarde um comunicado garantindo que participou nas reuniões e colaborou, classificando estas declarações de Eduardo Cabrita como de extrema gravidade.