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Ana Rita Bessa, começava por perguntar-lhe como é que vê estas exonerações, nomeadamente a da Secretária de Estado Adjunta da Saúde.
Fomos, acho eu, apanhados todos de surpresa com esta exoneração, particularmente no caso da senhora ex-Secretária de Estado, agora Jamila Madeira, exactamente por estarmos a meio de uma pandemia e eu ainda me lembro da frase do senhor primeiro-ministro que "em tempos de guerra não se mudam os generais". Não conhecemos as razões, ao contrário de outros casos, como por exemplo a senhora Secretária de Estado Susana Amador, que sabemos que é por motivos pessoais e que respeitamos em absoluto. Neste caso, não sabemos as razões pelas quais aconteceram. Eu talvez a única coisa que dissesse é que estranho muito face aos comentários do primeiro-ministro noutros momentos da pandemia e talvez só peque por escassa esta substituição. Haveria, não directamente na equipa do Ministério da Saúde, mas noutros pontos de decisão, eventualmente outras pessoas que também precisariam de rever a revista a sua posição e, portanto, por alguma razão peca por pouco. Mas como digo, não conhecemos ainda esta por exemplo, a DGS ou noutros pontos da decisão. Ainda hoje mesmo no Parlamento tivemos audições a propósito dos lares e concretamente do lar de Reguengos e houve sérias limitações apontadas a outros dirigentes locais na área da saúde e, portanto, parece-me que se passa a ser possível haver alterações em tempo de guerra, salvo seja, então haveria que ter um olhar mais profundo sobre os vários decisores nos vários pontos e se estão, de facto, a cumprir o seu papel. Dito isto, sublinho que não conhecemos as razões que levaram a esta exoneração por parte da senhora Secretária de Estado.
E o que acha de ser António Lacerda Sales a substituir Jamila Madeira?
O senhor Secretário de Estado António Lacerda Sales goza, e bem, junto da comunidade da saúde, de uma enorme boa vontade e avaliação positiva quanto ao esforço e à seriedade com que desempenha as suas funções. E portanto, desse ponto de vista, pese embora nem sempre concordemos, quer o CDS, quer com o senhor Secretário de Estado, em abono da verdade, devo dizer que tem sido recolhida por parte do CDS, das ordens profissionais, por exemplo, e junto de vários outros intervenientes, uma percepção muito positiva do seu trabalho. E portanto, também diria que no momento de tensão sobre o sistema de saúde como este, de facto é importante ter pessoas capazes de construir pontes e de estabelecer diálogos construtivos e diria que o senhor Secretário de Estado é um bom exemplo disso e portanto, com certeza assumirá bem as suas funções.
Em relação às restantes exonerações, também soube de surpresa ou já estava à espera?
Algumas já tinham sido veiculadas pela comunicação social e portanto estávamos à espera. Outras são de facto uma surpresa, mas na verdade são substituições expectáveis. Estou a pensar, por exemplo, no caso do senhor ministro Pedro Nuno Santos, que na verdade vem trazer para Secretária de Estado uma antiga chefe de gabinete da sua confiança, uma deputada que tem até assumido algum protagonismo na bancada do PS e com quem já tinha trabalhado, claramente na mesma linha do senhor ministro e portanto, desse ponto de vista, parece-nos uma opção expectável, embora seja numa linha e claramente em total desalinho com o CDS. Mas enfim, vamos ver se haverá outras remodelações, porque embora a expectativa fosse ser a propósito de Secretário de Estado, e tudo indicasse que era aí que se entraria a remodelação, em todo o caso, como lhe digo, haveria outros pontos em que era precisa uma avaliação mais concreta se o desempenho tem sido o necessário numa altura como esta.