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Está connosco em direto agora neste jornal o vice-presidente da ANAREC, a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis. Muito bom dia, José Rodrigues. Depois de uma subida record esta semana do preço dos combustíveis, qual é que é a perspectiva neste momento e a esta hora para a próxima semana?

Bom dia. Iremos assistir a mais uma subida significativa a partir da próxima semana. Espera-se uma subida por volta dos €0,075 no gasóleo, enquanto na gasolina de €0,08 de subida.

Ou seja, aquela margem que o governo prevê para aliviar o ISP não se aplica esta semana.

Efetivamente, ainda não foi anunciado o desconto para a próxima semana. Por isso ainda não sabemos qual é a decisão do governo. A ANAREC defende fundamentalmente que o governo utilize todas as ferramentas ao seu dispor e possivelmente julgamos ser fundamental utilizar um mecanismo automático de neutralidade sobre o efeito fiscal, neste caso, positivo a favor da receita fiscal e negativo para os preços de combustíveis, por via do ISP, do IVA.

Para suportar este aumento para os consumidores. José Rodrigues, nós estamos a saber agora, esta manhã, na última noite, que os Estados Unidos suspenderam temporariamente as sanções ao petróleo da Rússia. Isso pode ter impacto no mercado imediato?

Sim, obviamente que estamos perante uma disrupção do mercado petrolífero, talvez o maior desde a crise do petróleo dos anos 70. Vinte por cento do mercado passa pelo Estreito de Hormuz e, por isso, com o desbloquear das sanções do petróleo russo, possivelmente terá um efeito na alteração das cotações internacionais do petróleo. Efetivamente, é um pouco contraproducente no nível ao que assistimos nos últimos anos perante a guerra da Ucrânia e Rússia, mas é um mecanismo que os Estados Unidos estão a utilizar para tentar controlar. Efetivamente, é um sinal que a guerra poderá durar mais do que qualquer esperávamos.

Ou seja, e podemos ter aqui um impacto mesmo estrutural em relação ao preço do petróleo e de tudo aquilo que depois arrastará. Também neste sentido, só para percebermos, há a libertação de barris de petróleo de reservas nacionais, incluindo Portugal, com dois milhões de barris. Isso também pode ter influência no preço final pago pelo consumidor?

Sim, todo o tipo de medidas, e que têm sido várias durante a semana, e é o reflexo da gravidade e da complexidade do conflito, que neste momento é mundial, não só regional. Mas eu julgo que é importante focarmo-nos exatamente no que conseguimos, nas ferramentas que temos e conseguimos utilizar para mitigar todo este aumento de custos. Efetivamente, não conseguimos alterar com a dimensão que os Estados Unidos ou outra grande potência mundial consegue alterar. Temos que olhar para a nossa economia isoladamente e tentar mitigar preventivamente, na nossa opinião, e não posteriormente aos efeitos, para que pelo menos através das ferramentas que temos por via fiscal, não sejamos tão prejudicados como é previsto e como efetivamente não temos maneira de mudar as cotações internacionais.