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Está conosco ao telefone o presidente da Confederação de Desporto de Portugal, Carlos Paulo Cardoso, que tem defendido a reabertura dos espetáculos e eventos desportivos. Para já, vão manter-se fechados. É um revés na intenção do movimento desportivo?

Claro que é um revés, mas temos que ter em consideração a situação atual, em que tem havido um incremento grande do número de casos e de infeções. Não podemos analisar as coisas de olhos vendados, mas sim, temos que ter uma visão correta em relação ao ambiente que estamos a viver hoje em dia. O senhor primeiro-ministro foi muito pedagógico e fez a comparação com outros tipos de espetáculos, como os espetáculos culturais, e depois pegou no tema que acontece, que é os espetáculos desportivos. Normalmente, a imagem, muitas vezes, do espetáculo desportivo é que o público vibra intensamente com o espetáculo e, portanto, há uma aproximação que, nestes casos, será nociva para aquilo que nós temos em objetivo comum vista, que é o fim da pandemia que nos tem condicionado a vida durante quase um ano. Claro que nós temos também essa visão. Nós achamos que o desporto sem espetadores não faz muito sentido. Os próprios jogadores e atletas sentem a falta dos espetadores na sua performance. Agora, outra questão que temos que analisar é que estamos a falar do desporto com muitas federações desportivas. São mais de seis dezenas. E há uma variedade tão grande. Vemos um caso: uma prova de canoagem em Montemor-o-Velho, onde há aquele excelente centro náutico de canoagem. As pessoas estão ao longo da margem para ver o espetáculo desportivo, e sentem aquela vivência e momento de competição, mas é completamente diferente do que se pode pensar em outros exercícios desportivos mais fechados e condicionados. Quando falávamos de espetadores nos espetáculos desportivos há um mês atrás, queríamos que fosse para todos e esse tem que ser o objetivo, nesse sentido temos que trabalhar todos. Agora, no momento em que há ainda algumas condicionantes, temos que ter cuidados mais extremos em relação a algumas situações. O desporto não é uniforme na sua prática e também não é uniforme a maneira como os espetadores podem apreciar o espetáculo desportivo. Portanto, isso deve ser tudo analisado. E é isso que nós temos tentado, em relação às condições de saúde, também tentar mostrar que temos que ter diferentes pesos e medidas constante.

Pode-se ir preparando essa reabertura por modalidade, como estava a explicar.

Assim como o desconfinamento foi por modalidade, hoje em dia temos as modalidades de alto risco e baixo risco. Também o risco para os espetadores tem diferentes níveis de interferência e interação com o espetáculo em si.

Obrigado a Carlos Paulo Cardoso, o presidente da Confederação de Desporto de Portugal, em reação também a esta confirmação do Executivo de que os espetáculos desportivos vão continuar sem público. Foi uma das medidas que saiu desta conferência de imprensa do governo.