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Jorge Amílcar Dias, começava então por perguntar-lhe: surpreendido com as conclusões deste estudo?

Não. Muito bom dia. De facto, não sei exatamente quais são as conclusões do estudo, porque não se trata ainda de uma publicação e o reportório das publicações científicas mundiais não contém ainda o estudo. Quer dizer que provavelmente não está publicado, estará submetido para publicação, estará em revisão editorial por outros autores e, portanto, por agora não temos sequer uma conclusão clara. Temos informações. E as informações que temos é que estes autores referem ter avaliado cerca de 192 crianças com grupos etários muito vastos, isto é, entre os zero e os 22 anos. E nesta faixa etária tão larga dos zero aos 22, há realidades epidemiológicas e clínicas completamente diferentes. Aos 22 anos são adultos e comportam-se com o risco e com as consequências que qualquer outro adulto tem, seguramente diferente dos idosos de 70, 80, mas aos zero ou um, ou dois, ou cinco, também esta realidade é completamente diferente. Portanto, meter no mesmo saco um grupo tão vasto e que dará de cada grupo etário seguramente uma representação muito mais pequena, é um pouco ousado e não se podem tirar conclusões uniformes sobre isso. Outra conclusão importante é distinguir: uma coisa é a presença de vírus nas secreções ou nas vias aéreas, e isso não é nada de novo. Já é reconhecido que as crianças têm cargas virais idênticas ou até potencialmente mais altas do que os adultos, mas isto não significa que sejam necessariamente mais contagiosas. Pelo contrário, o que vários outros estudos ao longo de todo este tempo que temos acumulado de informação sobre o Covid. E vale a pena sempre recordar que estamos ainda numa curva de aprendizagem. Temos muito mais informação acumulada hoje do que tínhamos há seis meses. Todavia, convém sermos cientificamente humildes e ir aprendendo com os novos dados. E cada estudo não é definitivo. É apenas uma pedra de um puzzle global que se vai construindo e, portanto, convém não saltar para conclusões definitivas a partir de um estudo isolado.

Partindo desta conclusão preliminar e tendo já havido tantos estudos relativamente a esta questão das crianças, o que este traz de novo? É porque envolve também crianças assintomáticas, é isso?

De facto, eu diria, talvez esteja a ser um pouco ousado, mas como lhe digo, o estudo no seu texto completo não está disponível e, portanto, não o posso comentar como tal. Mas pela informação que tem sido veiculada hoje em vários órgãos de comunicação social, o que este estudo traz de novo é muito pouco. Já se sabia que as crianças que são contagiadas. Já se sabia que as crianças que têm cargas virais eventualmente elevadas, mas também se sabe que as crianças não têm sido demonstradas como um importante veículo de contágio. Um exemplo interessante é a Suécia, onde não houve regras de confinamento estrito, como sabe. Todavia, os professores das escolas suecas não tiveram maiores taxas de infeção do que a população em geral. Portanto, professores expostos às crianças que poderiam ser contagiantes dessa forma, não foram mais contagiados. Estavam em ambientes com várias crianças na mesma sala, como sabe. Portanto, não há muito de novo neste estudo