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Rui Lázaro, a quem agradeço ter aceitado este nosso convite. Rui Lázaro, bom dia. A minha primeira pergunta está relacionada com as ambulâncias que estão paradas. O sindicato tem um número de quantos veículos estão parados e também se há alguma previsão para voltarem ao activo.
Obrigado pelo convite. Bom dia a todos os ouvintes. De facto, durante esta semana, a situação com a frota de viaturas do INEM agravou-se. Tanto quanto tivemos conhecimento durante a semana, chegaram a estar na terça-feira 75 ambulâncias só no Norte, em oficina. Isto ajuda a justificar o facto de algumas delas terem de parar por avaria e não haver substituição. Contudo, o que não se compreende é como é que, tendo o INEM uma frota de reserva superior a 100 ambulâncias, só de reserva, se aceita que algumas delas estejam durante vários meses em oficina a aguardar reparação. Tem havido uma falta de planeamento gritante e à medida que as ambulâncias de reserva vão diminuindo, não se compreende como é que não se acelera, o que está a entravar que estas ambulâncias sejam disponibilizadas para o serviço. Se será falta de pagamento, falta de ordem de reparação. Desconhecemos, já questionámos o presidente do INEM, ainda aguardamos resposta.
Não tem havido comunicação entre o sindicato e a tutela?
Tem, mas pouca. Tardamos a receber respostas face aos múltiplos esclarecimentos que fazemos. E este da frota, a última resposta que tivemos foi que estava a correr o concurso para aquisição de cerca de 300 viaturas faseado até 2027. Mas isto não explica por que as atuais permanecem largos meses em oficinas a aguardar reparação. E depois chegamos ao extremo de uma ambulância ter de parar e uma equipa ficar na base sem poder trabalhar, porque a viatura se encontra avariada.
O jornal "Expresso" diz que há apenas um helicóptero disponível. O governo e a Força Aérea tinham falado em quatro. É uma situação que o Rui Lázaro pode confirmar e como é que se explica a diferença nos números face ao que disse o governo, de quatro para apenas um?
De facto, o que conhecemos é o que foi divulgado publicamente. Foi-nos apresentada inicialmente a disponibilização de quatro aeronaves da Força Aérea para substituir ou para compensar a ausência dos dois helicópteros do centro do país e também a ausência noturna das aeronaves do Museu dos Cavaleiros e Loulé. Contudo, percebendo agora que apenas um destes quatro meios aéreos de Força Aérea pode voar durante a noite, de facto, o serviço fica bastante condicionado, sobretudo no interior do país, onde os acessos são mais difíceis, os hospitais estão mais longe e que pode culminar em desfechos trágicos de alguns doentes.
Para terminar, Rui Lázaro, foi aberto um concurso para 200 novos técnicos do INEM. O objetivo é tentar atrair operacionais para zonas com mais necessidades, como Lisboa, Vale do Tejo e também o Alentejo. O sindicato já mostrou reticências. O que é que, no seu entender, poderia ser feito de forma diferente para que este concurso possa ter sucesso?
À semelhança do que acontece com outras profissões, em que se acrescentam incentivos para que os profissionais possam acorrer ou candidatar-se para zonas de maior carência, tem que acontecer nos técnicos de emergência hospitalar. A valorização que fizemos recentemente, que negociamos com sucesso com o governo, permitiu que o atual concurso, que está a terminar agora, cujos técnicos estão agora em formação, faça o incremento de 170 trabalhadores, sobretudo para o Norte e Centro do país. Pois se não é suficiente para atrair candidatos para o resto do país, para Lisboa, Vale do Tejo e Algarve, terá que haver um incremento diferente que permita a estes profissionais suportar, desde logo, as despesas elevadas com habitação nestas zonas do país.
Que incremento é esse, Rui Lázaro?
Por exemplo, um subsídio de deslocação, um aumento suplementar da tabela remuneratória que negociamos. O facto é que não conseguimos atrair candidatos para estas zonas do país. Então o Estado tem a obrigação de contrariar de alguma forma, à semelhança do que faz para os médicos no interior do país ou para a região de Lisboa, de garantir, por exemplo, um alojamento acessível sob forma a atrair estes técnicos. Senão vamos continuar a definhar e vamos continuar com ambulâncias encerradas por falta destes profissionais.