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Alexandra Leitão, percebemos que na reunião camarária de hoje houve um ponto de situação sobre o apoio psicológico e também as bolsas escolares que iam ser pagas aos filhos do guarda-freios que morreu no acidente do elevador da Glória. O que foi dito por parte do Executivo?

Como sabemos, ontem passaram seis meses sobre o trágico acidente do elevador da Glória, uma coisa que marcará durante muitos e muitos tempos a cidade de Lisboa. E o Partido Socialista, eu fui os vereadores, apresentámos um voto de homenagem e também de relembrar, nunca é de mais relembrar, parece que tanta coisa acontece no mundo que as coisas são esquecidas. E sobretudo perguntámos ao Executivo camarário, por um lado, pelas indenizações às vítimas, por outro lado, muito em concreto, pelo apoio em forma de bolsa de estudo e de apoio também psicológico aos filhos do André Marques, do guarda-freios que perdeu a sua vida naquele trágico acidente, e ainda depois também o ponto da situação de quando é que é esperado o relatório sobre, de facto, o que aconteceu, até por uma razão, até porque esse relatório depois é necessário para se sair daquilo que parece ser algum imbróglio jurídico junto às seguradoras para que as indenizações sejam pagas. E depois de muitas perguntas, porque não foi fácil que finalmente nos dessem a resposta, foi-nos dada a resposta de que não está reconhecido, que não está ainda a ser paga a bolsa de estudo e não está a haver esse apoio que tinha ficado determinado que haveria.

E qual é que é a justificação por parte da câmara?

O que ao fim de muito tempo foi dito é que isso era um assunto com a Carris, aliás, a câmara continua a não assumir nesta matéria nenhum tipo de responsabilidade, nem política, nem outra. Remete ora para a Carris, ora para a seguradora. E o que foi dito foi que a Carris já tinha aprovado e que teria em, cito, curso a atribuição da bolsa. E eu perguntei o que é estar em curso. Já recebeu ou não recebeu? Até porque vamos ser francos. O acidente foi em setembro. O ano letivo daqui a pouco está no fim. As pessoas não param a sua vida. Aquela criança, aquele jovem, não parou a sua vida. E nós estamos daqui a pouco na Páscoa e, portanto, daqui a pouco o ano letivo no fim. Isso é o que interessa para a vida das pessoas.

Mas vou perceber o que é que significa estar em curso?

Foi o que eu perguntei, o que significa estar em curso é que ainda não está pago, porque depois eu consegui finalmente, como é verificável pelas gravações da câmara, e eu perguntei: "O que é que é estar em curso?" E a resposta foi que estará aprovado no Conselho de Administração, mas que ainda não foi pago porque falta um regulamento que o Carris tem que ter para poder pagar. Portanto, o que interessa é que, reconhecido com todas as letras, que não foi pago, se ainda têm que fazer o regulamento, aqui digo eu que deve demorar. Eu queria dizer quanto a isto o seguinte: eu sei que há procedimentos, há regras jurídicas, ninguém melhor do que eu sabe isso. Porém, o que aconteceu há seis meses foi de uma gravidade tal para tantas pessoas que tinha que haver um sentido de urgência na solução a dar a estas pessoas. E seis meses é muito tempo na vida de uma pessoa, na vida de uma pessoa que tem custos médicos, porque muitos deles ainda estão a fazer tratamentos médicos, já para não falar naqueles que perderam os seus entes queridos. E portanto, é incompreensível que só depois de muitas perguntas suscitadas na reunião de câmara, no caso pelo Partido Socialista, é que se saiba publicamente que de facto as coisas ainda não estão pagas às vítimas, às famílias das vítimas e aqui muito em especial à família do André Marques.

E relativamente às indenizações, houve resposta?

O senhor vice-presidente leu um textinho que segundo ele próprio era a informação que tinha da seguradora ou que a Carris lhe deu que era da seguradora, em jargão de seguradora, se me permitem, com termos jurídicos. E, portanto, também percebi que não estará nem de longe nem de perto pago, porque a certa altura é dito: "Estão em fases diferentes de pagamento, há circunstâncias diversas, estamos a apurar de acordo com as regras legais aplicáveis." E portanto, eu já vi também algumas informações públicas, até da comunicação social, que havia pessoas que não tinham recebido e a resposta que eu tive, que foi sensivelmente esta, também aponta para que assim seja, ou seja, não estão ainda pagas as indenizações.

E aquele relatório de que estava a falar, Alexandra Leitão, porque a AMT já disse que está esclarecido e afinal o relatório que tinha sido pedido não vai ser feito.

Uma coisa é o relatório da AMT. Outra coisa é o relatório independente de quem faz a averiguação dos sinistros e o próprio relatório que ainda hoje foi reiterado, foi dito, que a própria Carris está a desenvolver. E que logo na altura foi provado em Câmara, ainda não era eu vereadora, que haveria um relatório independente também. Portanto, neste momento, há pelo menos um relatório da Carris e um relatório independente, que convinha, tem que tomar o seu tempo, naturalmente, estas coisas não se podem apressar, o que é importante é que seja transparente e esclarecedor, mas pelo menos que nos deem um horizonte de quando é que se prevê que haja respostas. Até porque eu volto a dizer, mesmo para as seguradoras envolvidas, a questão do apuramento de responsabilidades é muitas vezes prévio ao pagamento da própria indenização por parte da seguradora. E, portanto, eu repito, não houve aqui, sobretudo na atenção às vítimas e nos apoios às vítimas e os filhos, obviamente, a família do André Marques são vítimas, não houve aqui um sentido de urgência para resolver o problema destas pessoas. O que me choca, a palavra é mesmo esta, o que me choca, é ter visto logo na altura tanta comoção, inclusivamente da parte do presidente da câmara, e depois saber que seis meses depois, e sabemos porque pedimos essa informação e insistimos para a obter, afinal esse sentimento de urgência ficou naqueles dias a seguir e as pessoas que foram vítimas seguiram as suas vidas sem apoios. E é importante que as pessoas saibam que é isto que está a acontecer seis meses depois.