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Começamos com a festa que juntou mais de 500 pessoas ontem à noite em Lisboa. A PSP está a investigar.
A polícia quer saber se as pessoas se juntaram de forma espontânea ou se foram convocadas através de publicações nas redes sociais. À Agência Lusa, a polícia confirma que mais de 500 pessoas se reuniram no Miradouro de Alcântara, em Lisboa. Junta-se agora ao "Jornal do Meio-Dia da Rádio Observador" o comissário Artur Serafim, chefe do Núcleo de Imprensa e Relações Públicas da PSP. Olá, boa tarde, senhor comissário Artur Serafim. Eu começava por lhe perguntar se já sabem como é que esta festa aconteceu. São mais de 500 pessoas. Foi de forma espontânea que aquelas pessoas apareceram no miradouro?
Boa tarde. Antes de mais, esclarecer que existiram denúncias a relatarem cerca de 500 pessoas, mas os policiais no local confirmaram cerca de uma centena de pessoas e não 500 pessoas, como referido inicialmente.
E portanto, que fique essa nota também, não são 500, mas 100.
Sim, tenho estado desde a manhã em contacto com todos os órgãos de comunicação social, vindo a prestar esclarecimentos sobre o número avançado inicialmente, uma vez que o número avançado era relatado sobre o número informado pelas denúncias, mas não confirmámos 500 pessoas, mas sim cerca de uma centena, as quais à chegada da polícia simplesmente se mobilizaram do local. Estamos em crer que foi um movimento espontâneo após o fecho dos estabelecimentos de restauração. As pessoas foram-se concentrando naquele miradouro, como se concentram noutros miradouros ou jardins, o que provocou depois um ajuntamento com cerca de uma centena de pessoas, que segundo relatos e alguns vídeos que circulam nas redes sociais, encontravam-se em claro desrespeito às normas da Direção-Geral da Saúde, mas que à chegada da Polícia de Segurança Pública, com uma atitude meramente preventiva, serviu para as pessoas se mobilizarem e em cerca de 20, 30 minutos o miradouro encontrava-se totalmente limpo.
A PSP não deteve ninguém.
Não, não houve qualquer interação da parte da Polícia de Segurança Pública com as pessoas que se encontravam no local. Portanto, foi uma intervenção da nossa parte meramente preventiva, porque à nossa chegada as pessoas abandonaram o local.
Este tipo de incidentes tem sido registado ou podemos estar a falar aqui de um evento inédito ou muito raro?
Temos registado desde as últimas medidas de desconfinamento que as pessoas têm estado a provocar um pouco mais ajuntamentos na via pública e nós continuamos a aconselhar as pessoas a respeitarem todas as normas emanadas pela Direção-Geral da Saúde, nomeadamente não provocarem ajuntamentos, uso da máscara quando não seja permitido o distanciamento social de dois metros e que está em vigor também a proibição de bebidas alcoólicas na via pública. Estamos atentos a esses movimentos. Acompanhamos, como temos vindo a fazer ao longo das diversas operações direcionadas para os estados de emergência que foram-se sucedendo e agora não havendo estado de emergência, as regras continuam a existir e nós estaremos cá para as fazer cumprir.
Comissário Artur Serafim, disse-me que não houve detenções e que as pessoas dispersaram rapidamente, mas a que é que estas pessoas podem estar sujeitas se continuarem a incumprir estas regras? Há multas que se podem aplicar, apesar de já não estarmos em estado de emergência?
Sim, apesar de não haver estado de emergência, continuam a existir contraordenações para o incumprimento das ordens emanadas e essas pessoas podem incorrer nesse tipo de contraordenações e quiçá em alguma tipologia criminal, se continuarem a proceder após os sucessivos avisos e intervenções da polícia com essas mesmas pessoas, no mesmo dia e na mesma hora.
E entretanto, para os próximos dias, a polícia prevê um reforço do patrulhamento para evitar que situações destas se voltem a repetir?
Nós continuamos, desde o início do ano passado da pandemia, bastante atentos e recetivos às notícias que possam advir deste tipo de incumprimentos. Portanto, nós iremos continuar com os nossos policiamentos direcionados para possíveis locais em que possa haver ajuntamentos, nomeadamente os miradouros, os jardins, algumas zonas em que concentrem vários estabelecimentos de restauração. Estamos bastante atentos e a direcionar o nosso policiamento para esse tipo de incidentes.
A PSP sente que as pessoas estão mais relaxadas?
Eu penso que nós sentimos todos que com a saída do estado de emergência que possamos ter voltado à normalidade, o que não é verdade. Portanto, temos que continuar bastante atentos e vigilantes de todas as nossas atuações enquanto cidadãos e fazendo cumprir todas as normas emanadas pela Direção-Geral da Saúde.