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As escolas estão preparadas para o que aí vem?
Sim, as escolas já estão a preparar-se há umas semanas para o que aí vem, ou seja, para o ensino à distância. Aliás, nós tivemos 15 dias de excelência, na minha opinião, de ensino à distância, porque nós, escolas públicas, soubemos no dia 12 de março, que no dia 16 do mesmo mês, tínhamos que mudar o paradigma do processo de ensino e aprendizagem. E mudamos com muito sucesso. Bem sei que com alguns constrangimentos, um deles, e nós estávamos preocupados com isso, o fato de alguns alunos não terem em suas casas uma rede de internet e também computadores. Esta situação irá ser melhorada seguramente a partir do dia 14 de abril. Fruto do trabalho das escolas, dos diretores, das parcerias que nós estabelecemos com diversas entidades, com o apoio também de diversas autarquias.
Quais é que são as necessidades nesse setor neste momento?
Com certeza, é dotar os nossos alunos de um terminal, de um computador ou até de um telemóvel com acesso à internet, para que possam usufruir do processo de ensino e aprendizagem na sua plenitude, à distância. Aliás, é o grande constrangimento que se levanta neste momento.
Mas o Filinto Lima está a dizer-me que as escolas têm condições para garantir essas ferramentas aos alunos?
Não são as escolas que têm condições. As escolas estão a fazer todos os esforços, tal como as autarquias, tal como entidades públicas e privadas, para que mais alunos tenham acesso a essas ferramentas, que são muito importantes no processo de ensino e aprendizagem. É evidente que é impossível chegar a todos os alunos desta forma. Há outras formas também de suprir estas carências. Por exemplo, nós nas duas últimas semanas de aulas do segundo período, muitas escolas públicas disponibilizaram os exercícios em suporte de papel aos nossos pais, que os foram levantar às escolas, para que os seus filhos pudessem resolver em casa os respectivos exercícios. Agora, bem sabemos que este processo de ensino e aprendizagem levanta muitos constrangimentos, que todos nós queremos resolvê-los o quanto antes, é evidente.
Volto um pouquinho à questão. Eles estão a ser resolvidos? Disse-me que havia condições para que muito brevemente todos esses problemas estejam resolvidos, é assim?
Todos não, isso seria um sonho. Repare, resolver uma situação que não foi resolvida durante décadas, era um sonho. Aliás, eu até estranho um bocadinho, o Ministério da Economia e Transição Digital não gizar nenhum plano. Bem sei que não teria que ser a curto prazo, era difícil. Mas pelo menos a médio prazo, que os lares dos portugueses e os lares dos nossos alunos, com certeza, fossem dotados de um computador e de rede de internet. Parece-me que hoje em dia, isso não é nenhum luxo, é uma necessidade. Mas aí terá que ser o governo, com certeza, a dar o passo de gigante. As escolas farão o seu trabalho, estão a fazer o seu trabalho no terreno da melhor forma possível e portanto, vamos tentar que a partir do dia 14 de abril, esse constrangimento seja esbatido o máximo possível.
E do lado dos professores, essa adaptação como é que está a funcionar?
Olhe, eu queria dar nota máxima aos últimos 15 dias de aulas do segundo período. Nota máxima aos alunos, é verdade, mas muito aos nossos professores e aos nossos diretores. Nós reorganizamo-nos. Neste momento, quer dizer que hoje, quinta-feira, Tolerância de Pontos, muitos professores estão em formação em suas casas, em formação online, para se adaptarem aos novos programas, muitos deles desconhecidos. Portanto, para que o processo de ensino e aprendizagem decorra da melhor forma possível a partir do dia 14 de abril. É evidente que o futuro, penso eu, não é este. Este momento, pensamos todos nós, é um momento de transição. É um momento mau, mas é um momento de transição. O futuro serão as escolas, como nós bem as conhecemos, com as salas de aula, com os espaços físicos, com os recreios, dos quais os nossos alunos têm já muitas saudades.
E vamos exatamente para aí, porque as escolas brevemente podem passar a ter de novo alunos. Pelo menos os do 11º e do 12º ano. É o cenário mais otimista do governo, que prevê que esses alunos voltem à escola para terem as aulas dos exames nacionais, das disciplinas que têm exames nacionais. As escolas estão preparadas para os receber nas condições necessárias?
Terá que haver aí também uma reorganização das escolas. Desde logo, eventualmente das turmas, que são grandes. Nós sabemos que em Portugal temos turmas com 28, 30 alunos. Uma reorganização dos espaços também, com certeza. Os espaços me parece que não poderão ser os mesmos. Podão ser os mesmos, mas as salas de aula terão que ter menos alunos. Ou seja, há uma série de trabalho que nós, escola e escola pública, temos a obrigação de fazer, se esse for o caminho. Agora, o António Costa deixou tudo em aberto. Embora tivesse apontado a primeira fase dos exames para julho, este cenário pode não acontecer. Aliás, ele deixa tudo em aberto até a eventuais correções daquilo que hoje disse. Portanto, temos que aguardar. Claro que estamos todos ansiosos para que ele diga algo daqui por três semanas, mas temos que aguardar, sendo certo que o anúncio inicial que ele fez foi muito importante e descansou muitos pais, muitos alunos e muitos professores. Provas de aferição, exames do nono e avaliação do terceiro período.
Filinto Lima, e podem vir a ser necessários mais professores para conseguir desdobrar as turmas, por exemplo, para que não estejam tantos alunos?
Exatamente. Eventualmente, se as escolas não tiverem os professores suficientes, no caso das turmas serem desdobradas, que me parece Que terão que ser, se o cenário for esse. Sim, isso é verdade. As escolas poderão ter que ter mais professores para algumas disciplinas e aí ou têm recursos próprios ou necessariamente o Ministério da Educação tem que prestar o apoio que lhe é devido.
E neste regresso às aulas, para estes alunos destes dois anos letivos, vai haver necessidade de utilização de máscara por parte destes alunos, por parte dos funcionários, dos professores. É uma medida que lhe parece acertada, protege a segurança de quem estará na escola?
Pois, aliás, o António Costa anunciou uma série de medidas para o cenário de nós regressarmos à escola em maio, que nós tínhamos reclamado. Ou seja, nós tínhamos dito que tínhamos turmas grandes. Já se percebeu que as turmas que regressarem à escola vão ter que ser desdobradas. Nós tínhamos dito que a taxa de concentração nas escolas públicas era enorme. Já percebemos que vai diminuir substancialmente, porque vamos ter alunos do 11º e do 12º ano. Nós tínhamos dito que há professores que tinham certa idade e que tinham certas doenças e que era perigoso estarem nas escolas. António Costa veio dizer que esses professores são dispensados de estarem nas escolas. Nós tínhamos dito que muitos pais não iriam levar os filhos para as escolas. António Costa veio dizer também que essas faltas são justificadas. Há aqui uma série de premissas que nós colocámos em cima da mesa, que hoje também foram respondidas, penso eu, de uma forma satisfatória pelo nosso governo, no cenário, no pressuposto, de facto, de nós abrirmos as escolas durante o mês de maio.
E esta medida das aulas à distância vai precisar também muito do apoio das famílias. Estarão as famílias preparadas para dar este suporte?
Tem toda a razão. Aqui pede-se um sacrifício também às famílias, sobretudo às famílias dos mais novos, dos mais jovens, cujos alunos têm pouca autonomia. Os alunos do primeiro ciclo, primeiro ano, segundo ano, têm pouquíssima autonomia. E esse é o esforço acrescido que nós temos que pedir às famílias. Sendo certo que outro constrangimento que nós notamos nas duas semanas de aula que tivemos à distância foi o fato de alguns professores enviarem para casa muitas tarefas pedagógicas que foram pedidas aos nossos alunos. Pois essas tarefas pedagógicas terão que diminuir necessariamente. Vamos ter que nos centrar no essencial também para facilitar a vida lá em casa aos nossos pais, a quem eu peço seguramente uma supervisão, uma atenção especial aos seus filhos, que é outro constrangimento, é evidente, deste processo de ensino à distância. Mas supomos nós que isto é transitório, será para o terceiro período. Eu espero bem que a partir de setembro ou de outubro não seja este processo, seja o processo presencial.