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Quem está a acompanhar a Academia Socialista é a jornalista de política do Observador, Mariana Lima Cunha, que se junta agora a nós em direto desde Tomar. Boa noite, Mariana. Este discurso de Carlos César fica bastante marcado por ataques ao governo.
Boa noite. Sim, o governo Luís Montenegro foi um alvo constante no longo discurso de Carlos César esta noite, que teve muito a ver com as medidas já tomadas nestes meses de governação, sobretudo com as medidas que têm a ver com distribuição de rendimentos. Carlos César focou muito a questão de Luís Montenegro estar a tentar fazer a maior distribuição de rendimentos possível para agradar à população, para, como ele dizia, que o povo fique com boa impressão caso haja eleições num curto prazo. Portanto, todas as críticas foram sempre muito à volta de um governo que, na visão do PS, pode cair a qualquer momento e que pode ter de enfrentar umas eleições antecipadas e, portanto, não está interessado nem em tomar medidas mais estruturais, nem em preocupar-se com o futuro mais longínquo. Está mesmo preocupado em conquistar ou assegurar o maior número de votos possível. Carlos César chegou a fazer uma espécie de imitação de Luís Montenegro, que diz que estará nos corredores de São Bento a convencer os ministros a gastar o mais possível para quando chegar a altura do Orçamento Estado, poder dizer à oposição que não tem mais dinheiro disponível para gastar.
Mariana, essa questão do orçamento, podemos tirar ainda mais alguma coisa das palavras do presidente do PS?
Sim, a questão do orçamento tem sido muito tensa mesmo dentro do Partido Socialista, porque não há uma opção completamente fechada nesta altura e Carlos César, que costuma funcionar como uma espécie de voz da consciência do partido, chegou aqui com alguns recados. Primeiro, aconselhou o PS que não viva obcecado com a votação do orçamento, que é neste momento um assunto onde quer que Pedro Nuno Santos ou outros dirigentes do PS vão, é sempre uma questão que lhe é colocada e é colocado esse ónus da viabilização ou não do orçamento de Estado. O presidente do PS tentou afastar um pouco essa questão do centro das preocupações do PS, mas ainda assim avisou: o PS deve tentar melhorar o documento, tentar procurar consensos, tentar fazer esse alvo, mas também não pode ficar aprisionado, ou seja, não pode ser a qualquer custo que vai viabilizar o orçamento, porque nesse caso, mais vale o PS ir bater outras portas mais próximas da sua vizinhança, dizia Carlos César, numa referência evidente ao Chega. E, portanto, o presidente do PS tentou pôr as prioridades do PS em ordem. Primeiro, tentar que o orçamento contenha, de facto, medidas que sejam dos socialistas, mas tentar não se deixar aprisionar pelo PSD e por ameaças de instabilidade que possam vir do governo.