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Para analisar os efeitos no setor do turismo nas zonas mais afetadas pelo fogo, junta-se a nós, em direto, o presidente do Turismo Porto e Norte, Luís Pedro Martins, a quem agradeço ter aceitado este nosso convite. Luís Pedro Martins, bom dia. A minha primeira pergunta é: que efeitos se já sentem devido aos incêndios nas atividades turísticas?

Muito bom dia. Os efeitos dos incêndios começam a ser grandes, uma vez que temos a atividade completamente parada naqueles que são os municípios mais afetados no Parque Nacional Peneda-Gerês, desde logo Ponte da Barca, mas também Arcos de Valdevez, Terras de Bouro e o grande incêndio que ocorreu em Arouca, que parou completamente a operação turística. Recordar que essa operação feita pelas empresas de animação turística tem como principal ativo a natureza, a paisagem, e estando ela a sofrer esta catástrofe, obviamente que eles não conseguem operar naquele que é o melhor período para estas empresas. No caso de Arouca, todos os anos são arrecadadas receitas na ordem dos € 15 milhões. Não sabemos quanto é que será comprometido desse valor, mas acreditamos que já será um valor muito significativo. São cerca de 30 empresas que operam na zona de Arouca, nos passadiços do rio Paiva, no rafting, mas também a operação da própria ponte. Tudo isto está, neste momento, em causa. E no Parque Nacional Peneda-Gerês é uma catástrofe. Estamos a falar no único parque nacional do país, uma pérola aqui da região e que neste momento também sofrem as empresas de animação turística, mas sofrem todos estes concelhos também a restauração, o alojamento, pois obviamente ninguém quer correr riscos e as pessoas começam a cancelar as suas reservas, o que também causa a operação destas empresas.

Já há algum tipo de números oficiais ou expectativas em termos de prejuízos para este período?

Não, ainda é cedo, estamos a fazer ainda essa avaliação. Nós temos estado em contacto com esses municípios. Ainda é cedo, até porque os incêndios ainda não pararam. Ponte da Barca iniciou a 26 de julho e continua. Portanto, ainda não conseguimos fazer essa avaliação. Estamos a trabalhar com a Secretaria de Estado do Turismo, estamos em contacto diário com o Secretário de Estado do Turismo e, por essa via, também com o ministro da Economia e da Coesão Territorial. E sabemos que estão preparadas linhas de apoio, instrumentos financeiros, para que essas empresas do setor do turismo afetadas pelos incêndios possam ter acesso a esses apoios e, de certa forma, diminuir aquele que é o prejuízo efetivo que já estão a ter.

E o que é que está a ser discutido com o governo e essas medidas são suficientes no seu entender?

Exemplo do que aconteceu já noutros anos e noutros incêndios, são medidas que possam apoiar com um valor muito significativo a fundo perdido, falamos aproximadamente cerca de 90%, e que consigam diminuir esse prejuízo. Ainda não estão os valores fechados, mas esse anúncio estará mesmo para breve por parte do senhor ministro da Economia. Ainda ontem falava ao fim do dia com o Secretário de Estado do Turismo, Dr. Pedro Machado, e era esse o ponto de situação. Acho que estão por horas de poder fazer esses anúncios. Se há algo que nós não vamos conseguir reabilitar, que é o ativo paisagem, esse vai demorar os seus anos, até voltarmos a ter aquela paisagem de novo reconstruída e esse é o mal maior de todo este processo.

No âmbito do setor do turismo, quais é que têm sido os setores mais afetados dentro do turismo? A hotelaria, talvez?

A animação turística, as empresas de animação turística, todos aqueles que aproveitam a paisagem do parque e dos rios e fazem dela a sua operação com as descidas dos rios, o canyoning, a escalada, o rapel, os passeios de bicicleta, os passeios nos trilhos. Tudo isso está comprometido. O alojamento, não tendo tido nenhum impacto direto, ou seja, até ao momento, o que sabemos é que não houve nenhuma infraestrutura de alojamento ou restauração que tivesse sido afetada, mas por estar em zonas de grande perigo, claro que as pessoas cancelam e procuram outros destinos. Portanto, por essa via também acabam por sair prejudicadas.