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Desde terça-feira à noite, as chamas já destruíram mais de mil estruturas. O incêndio avançou de forma tão rápida que muitas pessoas escaparam ao entrar para o oceano, foram resgatadas pela Guarda Costeira. Milhares de pessoas foram deslocadas. O presidente norte-americano Joe Biden já declarou o estado de catástrofe no Havaí. Junta-se agora, neste jornal, Jorge Silva, da Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Proteção Civil, a Asprocivil. Jorge Silva, bom dia. Obrigada por estar conosco. Estamos aqui a falar de condições que são particularmente difíceis. Como é que se organiza o socorro a estas populações?
Olá, muito bom dia. O socorro às populações, em situações normais de um incêndio mais calmo e mais controlado, é mais fácil de organizar. Agora, este incêndio é de uma forma muito particular e que temos que olhar para ele, primeiro, pela sua característica técnica, que se formos fazer uma comparação em coisas mais correntes, é imaginar uma fogueira a ser alimentada por um soprador, que foi aquele furacão Dora, que fez com que a velocidade do fogo fosse elevadíssima e que não houvesse tempo de resposta naquele curto espaço de tempo com que ele avança muito drasticamente, para se conseguir organizar, nem fisicamente, nem tecnicamente, qualquer socorro. E isto é o que aconteceu ali. Ter um incêndio que tem muito para queimar devido às condições de desidratação do terreno, com muita matéria orgânica seca, muita vegetação seca, e que de um momento para o outro está a ser empurrado por ventos muito fortes. Apesar do furacão Dora ter passado a cerca de 1400 km de distância, os efeitos do vento continuaram a sentir-se e chegaram a atingir 97 a 105 km/h na ilha de Maui. Temos que ter a noção que é muito difícil organizar meios de socorro face a uma situação drástica desta.
E, portanto, há aqui também, calculo, uma luta contra o tempo. A ajuda internacional pode ser decisiva ou nunca vai chegar em tempo útil no socorro a estas situações?
Neste momento, a ajuda internacional não vai ser muito útil no combate ao incêndio, vai ser mais na reposição da normalidade. O combate a incêndio teria que ter sido logo instantâneo, mas estar a tentar apagar um incêndio daquela dimensão e face ao planalto com borrifadores de água, ter pequenas quantidades de água aqui ou ali, face a uma velocidade de chamas tão elevada, é muito complicado, porque tecnicamente, um incêndio para decorrer tem sempre que ter três fatores. Os três 30, como toda a gente chama, que é ter mais de 30 °C, ter menos de 30% de humidade e mais de 30 km/h de velocidade do vento. Os fatores estavam lá todos. Havia muito vento, a humidade estava muito baixa e a temperatura estava alta. Se não fosse combatido logo no momento do seu início, que é os primeiros cinco, 10, 15 minutos, para se conseguir controlar, a partir daí, um incêndio com estas condições todas é muito difícil de controlar. E claro, atingiu mais de 300 edifícios, infraestruturas chave como elétricas e de combate e de água, rede de água. E estamos a falar de mais de mil estruturas que foram dizimadas. E é muito difícil conseguir ter uma ajuda internacional que chega dois, três dias depois para fazer um combate a incêndios. Teria que ter dado algo ali naquele momento e face a estas condições, é muito difícil de trabalhar.
Explicou-nos aqui, de facto, a tempestade perfeita. Jorge Silva, muito obrigada por ter estado conosco em direto. Jorge Silva, da Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Proteção Civil, a Asprocivil, numa altura em que o balanço mais recente de mortes no Havaí, em consequência dos incêndios, já subiu para 53.