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Junta-se agora a nós Nuno Morna, que é coordenador da Iniciativa Liberal na Madeira. Bom dia. Como é que olha para este caso que aparentemente está a envolver Paulo Cafôfo?

Muito bom dia, Carla. Vocês agora tramaram-me bem tramado, porque efetivamente eu ao consultar os nossos arquivos, porque isto soava-me a qualquer coisa, dei conta de que isto é uma notícia antiga. Comentários em relação a isto: isto no fundo é a prova provada de que tanto o PSD da Madeira como o Partido Socialista da Madeira são gêmeos separados à nascença. Depois de ontem, o Diário de Notícias de Lisboa ter publicado uma extensa reportagem que se vai prolongar com uma segunda parte no próximo fim de semana. Era normal que este tipo de notícia, porque isto é uma prática corrente nesta terra, quando aparece qualquer coisa que prejudica o PSD, aparece logo outra notícia no dia seguinte ou nos dias subsequentes a dar conta de problemas mais ou menos parecidos com outros partidos. Por isso, para nós madeirenses, isto não traz nada de novo. Não traz nada de novo, porque é uma prática corrente. Não traz nada de novo.

Mas é uma prática corrente estas notícias saírem na imprensa e as suspeitas que existem não devem ser valorizadas, é isso que está a dizer, Nuno Morna?

Não é isso que eu estou a dizer. O que eu estou a dizer é que o normal quando acontece este tipo de situações é que no dia seguinte ou nos dias subsequentes, aparece sempre o contraponto mostrando que uns são tão maus como os outros. Ou seja, para nós, Iniciativa Liberal Madeira, o PSD Madeira e o Partido Socialista da Madeira são exatamente a mesma coisa. São as duas faces da mesma moeda. E não se tira de um lado para pôr do outro. Ontem tivemos a oportunidade, aqueles que são mais atentos, no Diário de Notícias de Lisboa, de termos lido o que queremos. Hoje é normal e não nos espanta, é a este ponto que eu quero chegar, que esta notícia tenha voltado mais uma vez, dois anos e uns poucos meses depois, às primeiras páginas dos jornais. É só isso que eu quero dizer. Tem que ser investigado, Carla, só para terminar. Isto tem que ser investigado, mas investigado como deve ser, porque na Madeira estes casos nunca dão em nada. Eu relembro o caso que teve a ver com, e eu vou dizer isto devagarinho para ver se as pessoas percebem. Estamos a falar de um caso em 2011 de dívida escondida do Governo Regional da Madeira de 6,3 mil milhões de euros. Foi investigado pelo Ministério Público, houve buscas, o processo andou por todo lado e depois foi arquivado. Como este processo também é em relação às câmaras socialistas, vai ser também arquivado, porque na Madeira a culpa morre sempre solteira. Sempre.

Portanto, independentemente da veracidade dos factos ou das suspeitas, o que está a dizer é que os casos de corrupção na Madeira nunca são investigados e nunca sabemos a verdade.

São investigados, mas não se tiram consequências da investigação. Você acha normal um governo esconder uma dívida de 6,3 mil milhões de euros? Isto aconteceu na Madeira, aconteceu em Portugal. E o que aconteceu ao processo foi que foi arquivado, por falta de provas ou por falta de sei lá o que for. Ou seja, tivemos governantes que puseram a Madeira sob um estado de dívida que levou a uma negociação com o governo de Passos Coelho na altura, que nos obrigou, e ainda obriga hoje em dia, a ter o IVA nos valores que temos quando os Açores têm menos de 30%, a ter o IRS como temos e os Açores terem menos de 30% no IRS e o mesmo com o IRP. O que acontece aqui é que nós estamos, todos nós madeirenses, a pagar desde 2011 uma dívida contraída por um governo do PSD.

Diz que não há, Nuno Morna, consequências judiciais, mas há consequências políticas destes casos?

A história ensina-nos que também não. A rede clientelar criada tanto pelas câmaras socialistas como pelo governo regional e as câmaras do PSD, o assistencialismo, o cabaz, o chequezinho que se dá, que nunca se percebe muito bem como é que contabilisticamente esse cheque sai do governo e chega à mão das pessoas. Em cerimónias públicas, atenção, não estou a dizer que isto é às escondidas, isto é tudo público, tudo com uma aparente legalidade que tenho dificuldades às vezes em entendê-la. O que acontece são o assistencialismo, o cabaz, a dependência, a rede de dependentes que se criou tanto pelas câmaras socialistas como pelo governo regional da Madeira, faz com que as pessoas fiquem agradecidas por lhes darem aquilo que é um direito que elas têm. As pessoas têm o direito a ter qualidade de vida. E tiram-lhes com uma mão e dão-lhes metade com a outra. E as pessoas ficam agradecidas com isso. Por isso, toda esta rede clientelar, que depois descamba, porque não há dinheiro. A gente tem que partir de um princípio, a Madeira, a dimensão da Madeira, a nossa escala é pequena. Nós temos um bocado a mania, ou alguns políticos da Madeira têm um bocado a mania, que nós somos o umbigo do mundo. Não somos. Não somos o umbigo do mundo. Somos uma parte do mundo, uma pequena parte do mundo, com uma escala que tem que funcionar para 250 mil pessoas. Há freguesias no continente que são maiores ou que gerem assuntos de mais pessoas do que aquelas que vivem na Madeira. Há concelhos no continente que são maiores em área do que a área da Madeira. E não podemos ter a expectativa de que a nossa dimensão dá para tudo e mais alguma coisa. Não dá.

Posto isto, a Iniciativa Liberal da Madeira vai tomar alguma iniciativa em torno deste caso?

Nós tomámos em 2020. Nós em 2020 associámo-nos à denúncia desta situação, dissemos que queríamos isto investigado, que queríamos que isto fosse até às últimas consequências e relembrámos outra vez uma série de casos à volta do PSD dos quais também não se conseguiu tirar nenhuma consequência ou não se conseguiu chegar a nenhuma conclusão.