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O INEM vai ser reforçado com 100 ambulâncias dos bombeiros para agilizar a resposta ao próximo pico da gripe, que acontece no inverno. Estas ambulâncias, onde acha que poderiam estar estas viaturas alocadas?
Nós ainda não sabemos quais são os locais onde essas viaturas vão ser mobilizadas. Pela circunstância de estarmos a fazer um reforço para os períodos de maior intensidade de gripe, pressupomos que serão nos maiores aglomerados urbanos, onde haja uma necessidade de reforço de ambulâncias face ao número de solicitações que diariamente são feitas para os serviços de emergência. Mas é uma avaliação que vamos fazer amanhã com o INEM. E só depois disso é que estabeleceremos os critérios para desenvolver um conjunto de procedimentos com as associações humanitárias, de bombeiros voluntários, a fim de encontrar os meios necessários para responder a este dispositivo.
A propósito dessa reunião de amanhã, há alguma outra proposta que vai colocar, neste caso, ao presidente do INEM, que espera depois ver posta em prática?
Nós estamos a negociar com o INEM a revisão do protocolo com os bombeiros sobre os postos de emergência médica permanentes, isto é, aqueles que funcionam 24 horas, 365 dias no ano, durante um período de seis, sete, oito anos e sob a tutela de um protocolo. Também amanhã pensamos que teremos tempo para abordar e avançar nalgumas propostas que temos vindo a fazer ao INEM na revisão desse acordo, na tentativa de chegar a um processo melhorado face à experiência que já temos nos anos anteriores.
A propósito das audições que estão a decorrer hoje, neste caso, a Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Hospitalar, o presidente defende a criação de uma carreira abrangente dos técnicos de emergência pré-hospitalar, onde também sejam integrados bombeiros e elementos da Cruz Vermelha. Concorda, é pertinente e necessário este tipo de criação?
Os bombeiros têm a sua especificidade própria. Os bombeiros desde há 600 anos que existem e há mais de 150 de uma forma organizada em associações humanitárias. E ao bombeiro em si compete ações no âmbito do socorro e salvamento, que naturalmente inclui medidas no âmbito da emergência pré-hospitalar e do transporte de doentes urgentes e emergentes. Nós temos a nossa especificidade. Uma situação é que os bombeiros possam ter um determinado tipo de formação, outra é que se confunda os bombeiros com uma carreira nova, uma nova especialidade, se quisermos, no âmbito da saúde. Isso é uma questão que nós nunca discutimos, os bombeiros em si, e por isso a Liga dos Bombeiros Portugueses não tem, neste momento, nenhuma proposta a fazer nesse âmbito, que não seja a que os bombeiros devem ter as qualificações necessárias para o exercício de todas as atividades de socorro e salvamento de pessoas, bens e ambiente, com os quais temos vindo a desenvolver. E naturalmente que nós seremos sempre a primeira linha e a última linha de um sistema para que os nossos cidadãos tenham a certeza que têm condições de segurança em qualquer circunstância. Portanto, eu diria que esse é um tema que nunca foi discutido e nós não sei se estaremos interessados em discuti-lo, porque uma questão é alguém que obtém um grau acadêmico para o exercício de uma determinada atividade, outra coisa completamente diferente é ter a função de bombeiro. Nós, nos bombeiros, temos enfermeiros, temos médicos, temos técnicos de emergência, temos instrutores de socorrismo, instrutores de desencarceramento, ou seja, nós temos uma variedade muito grande e uma especificidade muito grande. Portanto, não estamos ao nível de estar a discutir esse assunto para uma interpretação de cerca de 1500 ou 1600 pessoas, que é o quadro, ao que parece, do INEM. Nós somos 28 mil e temos que ser polivalentes, com alguma especialização, conhecimento e qualidade naquilo que fazemos diariamente, sendo certo que os bombeiros garantem cerca de 90% dos serviços de emergência pré-hospitalar. E dos quais, em 2023, nós transportámos 1,2 milhões de pessoas para os serviços de urgência. Portanto, temos uma abrangência muito maior do que as 67 ambulâncias que o INEM tem.
Ok, certo. E neste caso, esta reunião que vai decorrer amanhã, pode-me adiantar se já tem hora e local, por exemplo?
10h. Na sede do INEM e prevê-se que dure cerca de duas horas. Não deve ser muito mais do que isso. Começará às 10h e acabará por volta de meio-dia.
Há poucas semanas teve aqui na Rádio Observador, falou à Rádio Observador e classificou os tempos de espera como inaceitáveis no transporte de doentes. E também criticou a ação dos centros de orientação dos doentes urgentes, disse que o tempo prestado no socorro não está de acordo com os padrões internacionais. O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar reuniu hoje novamente com o Ministério da Saúde. O parecer foi positivo, o Rui Lázaro deu parecer positivo sobre a reunião, sobre a questão da valorização de carreiras. E também há um anúncio, há pouco feito, de que vão integrar mais 200 técnicos no INEM. Acha que os constrangimentos podem continuar a acontecer ou acha que com este tipo de medidas podem decrescer?
Nós somos mais apologistas de uma melhor gestão dos meios. É evidente que quando nós temos um conjunto de recursos humanos, que se tem que dividir por várias funções, nós temos que saber quais são as funções que se tornam naquele momento prioritárias e razoáveis para que o sistema possa funcionar. Portanto, as críticas que a Liga dos Bombeiros Portugueses e eu próprio fiz, mantêm-se, não se alterou nada. É evidente que nós continuamos a ter situações de uma hora de espera para chegar ao pé do junto do doente ou sinistrado. Continuamos a ter situações em que demoram 40 minutos ou meia hora para nos dar o hospital de destino. E portanto, essa situação tem que ser alterada. Se isso se altera com a entrada de 200 novos técnicos, não lhe sei dizer. Porque pode não ser esse o problema. Pode ser um problema de organigrama, isto é, de processo, de quem atende, quem tem competência para decidir e como é que todo o sistema está a funcionar. O sistema atualmente de, em determinadas circunstâncias, se ligar para um corpo de bombeiros a perguntar se tem ou não tem ambulância disponível para satisfazer um determinado pedido de emergência, não me parece ser razoável. E portanto, há muito a fazer do ponto de vista da gestão dos meios, da organização, do acompanhamento. E isto não sei se é com a entrada desses técnicos que vai resolver o problema.