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Joacine Katar Moreira, uma deputada não inscrita na Assembleia da República. Estamos a poucos dias da votação na generalidade do Orçamento do Estado. Joacine, a primeira pergunta será também a mais óbvia: já tomou uma posição quanto ao voto que vai dar a esta proposta do governo para o orçamento? Exatamente, e ela tal qual é o meu hábito, eu vou abster na fase da generalidade. E vou me abster exatamente porque todos os orçamentos do PS não são necessariamente uns orçamentos à esquerda. Portanto, são os partidos da esquerda é que têm a hipótese de melhorá-lo e de dar-lhe uma viragem. Portanto, na minha ótica, são orçamentos que têm ainda a hipótese de uma melhoria na especialidade. E é na especialidade onde irei me posicionar e a partir da abertura ou da não abertura ali às minhas próprias propostas, então ali o meu sentido irá se revelar. Mas acho útil, e falo exatamente em útil, porque nós estamos numa época em que a pandemia sanitária revelou as enormes dificuldades, houve muitos despedimentos, as pessoas estão com uma ansiedade alta, e eu acho que não é a hora de nós acelerarmos ou de nós facilitarmos a entrada de um eventual executivo à direita numa geringonça com a extrema-direita. E tal qual eu referi, é óbvio que o executivo precisa de ouvir com muito mais humildade os partidos à esquerda, mas também acho óbvio que estes partidos à esquerda, oiçam os seus militantes, oiçam as pessoas e que tomem decisões com base naquilo que beneficia a maioria. Joacine, posso então presumir que não está totalmente satisfeita com essa proposta do governo. Já falou aqui de uma maneira mais ou menos geral aquilo que está em causa, mas pergunto também com esta passagem, assumindo que chega lá, com uma possível passagem do orçamento para a especialidade, quais é que vão ser as leis ou quais é que vão ser as propostas que vão merecer uma especial atenção por parte da Joacine? Sim. Numa época como esta, é mesmo necessário que haja um investimento efetivo no SNS. Portanto, não é só o investimento em eventuais melhorias clínicas, de equipamento, etc., novos hospitais, e por aí fora, mas é sobretudo valorização dos profissionais da área da saúde. E o Estado necessita de garantir que o SNS seja um espaço confortável, não somente para quem é o utente, digamos assim, mas igualmente para todos aqueles que contribuem para a sua existência. Na minha ótica, também é hora de se aumentar o RSI, é hora de se aumentar os valores baixíssimos das pensões, e é igualmente hora de nós garantirmos que há uma maior redistribuição da riqueza e de nos incentivar com o aumento da tarifa social de energia. Portanto, estas aqui são algumas das áreas onde eu irei me posicionar como a especial atenção. O que diz respeito Respeito à melhoria do rendimento das famílias, porque acho que este orçamento herda uma conjuntura nacional e internacional que nos mostra que é urgente investir nos indivíduos, menos nas instituições financeiras. É necessário investir nos serviços públicos e menos nas empresas. Isto porque em épocas de enorme dificuldade e nós assistimos isto, não é? É o Estado, são os serviços públicos, são os funcionários, os trabalhadores é que erguem. Já que falou da necessidade dos partidos à esquerda conseguirem melhorar este orçamento, falamos aqui numa altura de crise política em que a esquerda, nomeadamente o PCP e o Bloco de Esquerda, já anunciaram que têm uma intenção de votar contra o orçamento. Ainda não é uma decisão final, é pelo menos até à data, a posição anunciada. Pergunto se acredita que a esquerda é capaz de se unir numa eventual votação na especialidade, se a esquerda vai ser capaz de se unir para fazer aprovar algumas medidas, como por exemplo, estas que aqui mencionou. Sim, há uma dificuldade histórica de união. Normalmente, é muito mais fácil a união entre diferentes partidos de direita do que necessariamente a união entre os diferentes partidos à esquerda. E responsabiliza-se a única época em que aconteceu isto, portanto, responsabiliza-se a gerigonça pelas destras e meios legais, tanto do PE como do PCP. E isto vai exigir, naturalmente, que ambos façam um esforço cada vez maior de distanciamento ao PS. Mas no que diz respeito a este OE, é da responsabilidade da esquerda decidir com base naquilo que beneficia a maioria. E eu não tenho necessariamente muitas esperanças no PE, a capacidade de uma reflexão pensando na maioria e não necessariamente na sua sobrevivência, mas ainda tenho muitas esperanças que o PCP nos acude por procurar uma outra oportunidade de nós melhorarmos este orçamento na especialidade, porque é na especialidade onde efetivamente nós temos a hipótese de melhorar isto.