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Recebemos agora neste jornal o cantor José Cid. Bom dia, José Cid, obrigada por estar conosco. Acabou de ouvir aqui uma lista de datas e de nomes de músicas. Para um amigo, para alguém próximo, o que é que fica de Luís Represas?

Muito próximo. Eu já acordei neste instante e estou devastado. Devastado, porque o Luís sendo talvez o cantor mais íntimo com quem eu trocava mensagens e várias coisas ao longo da vida. Eu o convidei pro meu Campo Pequeno, eu fiz duetos com ele, eu gravei no meu álbum castelhano, "Feiticeira". O Luís, em provas desportivas, participou comigo num concurso internacional, no Vimeiro, fizemos equipe. O Luís era muito próximo de mim. Se há cantor em Portugal com quem eu estava próximo mesmo, era o Luís. E ele nunca me revelou essa tristeza dessa doença que é tão fatal e que ele não merecia. Não é justo.

Terá querido poupar os amigos, será isso, José Cid?

De certeza. O Luís era uma pessoa muito boa e muito inteligente, era um homem muito interessante, era um homem bom, um homem saudável, mentalmente saudável, um lutador, um homem antifascista. Eu adorava o Luís. E vou me lembrar. É pena é que a rádio, ultimamente, já há uns anos, não passava Luís Represas como ele merecia. As rádios todas. Antena 1, Rádio Renascença, tudo. Não passavam Luís Represas como ele merecia. Tem uma obra absolutamente genial.

Se tivesse que escolher uma música de Luís Represas, era difícil?

A música minha que ele mais gostava era uma música que ninguém conhece, que se chama "O Outro Homem". É uma cena jazzística. É uma área que não se conhece muito, mas ele adorava essa cena. Eu dele, gravei. Efetivamente, gravei "Feiticeira" e ele gostou muito da minha interpretação. E sim, "Feiticeira" tem qualquer coisa de mágico, que é difícil. Só um talento imenso, uma inspiração imensa conseguem escrever uma canção assim e cantá-la com a voz esplendorosa que ele sempre teve. Luís era um dos maiores cantores latinos de sempre. Nasceu num país mais pequenino, de dimensão de Espanha ou do Brasil, mas ele é um dos grandes cantores de sempre da música latina. Eu estou devastado ainda, estou completamente devastado. A Gabriela está lá dentro a chorar, porque era amíssima, como sabes. A Gabriela é timorense e eles tinham uma cumplicidade imensa por isso.

Porque os timorenses não o esquecerão também, não é?

Nunca. A Gabriela está devastada, a chorar. Foi ela que me trouxe a notícia. Eu acordei agora.

E acorda com a pior das notícias. José Cid, obrigada.

E ele não disse nada, aquele malandreco. Nunca me disse que estava assim, que tinha um problema numa perna. Mas afinal de contas, era mais grave. Paz à sua alma. Eu vou ficar com o Luís na minha memória, vou imediatamente fazer um artigo pro meu Facebook, porque eu não posso esquecer o Luís, mais. Adorava esse homem e vou adorá-lo toda a vida.

Muito obrigada, José Cid. Adoramos também poder tê-lo aqui