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Junta-se ao jornal das 17h a jornalista de política do Observador, Mariana Lima Cunha, que está a acompanhar a campanha na região. Boa tarde, Mariana. Com os líderes nacionais preocupados com as legislativas antecipadas, já pelo menos uma ausência confirmada na Madeira.
Boa tarde, Luís. É verdade. Uma ausência que não foi o próprio líder, e estamos aqui a falar de Luís Montenegro, que confirmou, foi a mesma estrutura regional que dispensa a presença de Luís Montenegro, aparentemente. Estávamos a tentar perceber que líderes nacionais é que estariam aqui na Madeira para a campanha, sendo que vários deles já cá estiveram, nomeadamente os partidos mais pequenos, ou estiveram ou estão neste momento. Por exemplo, Rui Rocha está cá, Paulo Rêgo esteve cá ontem e ainda voltará. No caso de Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro, ainda não houve nenhuma visita. Quando perguntamos ao governo, não havia ainda informação sobre isto, mas aqui na estrutura do PSD da Madeira, no PSD regional, a resposta foi muito direta e foi: "Não virá." Miguel Albuquerque já tinha, de resto, dito que não precisa de bengalas, que bengalas são para líderes fracos e, portanto, que Luís Montenegro, se quisesse vir, seria bem-vindo, mas que ele dispensava essa presença e que quer valer por si. Ou melhor, quer que o PSD Madeira, na verdade, valha por si, porque com Miguel Albuquerque aqui no centro do caos político que está instalado na Madeira, o PSD Madeira tem optado até por fazer cartazes que nem sequer incluem o próprio líder para se afastar um bocadinho das polémicas e dos casos judiciais. Pedro Nuno Santos também não tem a dever um plano definido. O PS diz que será difícil, mas que ainda vai tentar dar aqui um saltinho à Madeira. Mas a verdade é que esteve presente na Madeira há pouco tempo, quando Paulo Cafôfo foi reeleito líder do PS Madeira aqui em Congresso Regional e, nessa altura, Pedro Nuno Santos deixou palavras de apoio ao líder, que agora servem a Paulo Cafôfo de arma de arremesso. Ainda hoje de manhã estivemos com Cafôfo numa ação de campanha e ele acusava Miguel Albuquerque de nem sequer conseguir trazer o próprio líder à campanha e de não ter o apoio do PSD nacional. E, portanto, a presença ou ausência dos líderes nacionais já está a servir como argumento de campanha aqui na Madeira.
E de resto, Mariana, com estas duas crises a cruzarem-se, a nacional e a regional, isso baralha de alguma forma as contas na campanha aí na Madeira?
Baralha, desde logo, nesta frente, na frente da própria agenda e dos próprios planos dos partidos, porque de repente, boa parte da conversa aqui nas caravanas partidárias é sobre a complicação, primeiro, de organizar duas campanhas tão seguidas e depois de conseguir que os recursos e que os líderes nacionais consigam envolver-se e estar presentes na campanha. E depois, há um cruzamento até de argumentos de campanha, porque há um paralelismo que é muito fácil de fazer entre as duas. Porque temos dois governos que, no fundo, perderam a confiança dos respetivos parlamentos, um que foi chumbado porque chumbou uma moção de confiança, o outro porque foi aprovada uma moção de censura, no caso aqui de Miguel Albuquerque. Temos dois líderes dos governos que estão a ser questionados por suspeitas, obviamente, de naturezas muito diferentes. No caso de Miguel Albuquerque, ele é arguido, isso não acontece no caso de Luís Montenegro. E também, em ambos os cenários, temos muitas dúvidas sobre a governabilidade e sobre o que se segue, e muitas dúvidas que as eleições possam trazer alterações de fundo num cenário em que é muito difícil conseguir maiorias estáveis e, portanto, até o discurso de campanha acaba por ser muito influenciado e acabamos por ouvir tanto os candidatos de cá como os líderes nacionais a fazer o paralelismo e a atacar da mesma maneira, por exemplo, Luís Montenegro e Miguel Albuquerque, como se estivessem quase numa situação com os mesmos moldes.