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Acho, sem qualquer dúvida, que o professor Mário Centeno devia ser novamente reconduzido como governador e vou explicar porquê. Antigamente, e tenho pena que isso tenha terminado, e vou tentar ser o mais sucinto possível, o PSD e o PS nomeavam o governador por acordo entre aquele que estava a governar e o que estava na oposição. Eu até, por acaso, tive a oportunidade de ter sido intermediário numa dessas nomeações, porque o ministro, que eu não vou agora dizer o nome, no governo do engenheiro Sócrates, veio-me perguntar se o doutor Pedro Passos Coelho, eu nunca escondi que tenho uma relação bastante próxima, que estava na época a presidente do PSD, estava de acordo que se nomeasse o doutor Carlos Costa para governador, e eu falei para o doutor Passos Coelho, e ele depois disse-me que ia ver lá com as pessoas dele, no partido, e passava um dia ou dois telefonava-me a dizer que eles estavam de acordo. Eu acho que isso se perdeu completamente no governo do doutor António Costa. Se não foi assim, peço desculpa, mas penso que os dois partidos deixaram de estar de acordo sobre a escolha do governador. Eu acho que seria sempre importante, os dois maiores partidos da nossa democracia, por uma questão exatamente de independência. O professor Mário Centeno é uma pessoa altamente qualificada. É uma pessoa que foi o único ministro das Finanças que foi presidente do Eurogrupo, ou seja, do grupo onde se reúnem na União Europeia os ministros das Finanças. Mais nenhum ministro das Finanças foi presidente do Eurogrupo. É uma pessoa altamente respeitada na União Europeia e também, obviamente, no Banco Central Europeu, onde acaba de lhe atribuírem um cargo importante como presidente de uma área que ele vai liderar. E, portanto, é uma pessoa altamente respeitada no Banco Central Europeu. E eu não vejo qualquer razão para a eventual substituição do professor Mário Centeno, que não seja política. E eu acho isso errado, porque o governador tem que ter um estatuto de independência. É isso que sempre se passou entre os bancos centrais e os governos, nomeadamente quando foi constituído o Banco Central Europeu, dentro da política da União Europeia. E portanto, não sei o que vai no pensamento do governo, mas queria dizer que se forem substituir o professor Mário Centeno por alguém do partido, farão um grande erro. Era isto que eu queria transmitir.

Acha que há mais alguma coisa que pretenda salientar? Diga, desculpe.

Não, era fundamentalmente isto. Também quero dizer que até tenho um processo entre mim e o Banco de Portugal, portanto não tenho nenhuma razão pessoal para defender o professor Mário Centeno. Que conheço muito mal. Tenho uma posição institucional. Fui banqueiro quase 40 anos, nunca me retiraram a idoneidade. O banco a que presidi nunca custou um cêntimo aos contribuintes, muito pelo contrário, fez entrar mais de mil milhões no Novo Banco. Exerci essa função quase 40 anos e portanto tenho alguma experiência e acho que é muito mau a substituição, se ela acontecer, do professor Mário Centeno.