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E contamos agora em direto com o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Gustavo Tato Borges. Obrigada por estar conosco nesta edição das 16h. Parece, pelo que percebemos, e até também já questionamos o Hospital de São João, no Porto, que não tem doentes internados com Covid-19, parece ser um problema mais circunscrito a Lisboa. Poderá, de fato, haver aqui efeitos da Jornada Mundial da Juventude?

Boa tarde, obrigado pelo convite. Pois, nós tivemos durante o mês de agosto vários eventos de massa, desde a Jornada Mundial da Juventude até vários concertos e eventos musicais que juntaram vários milhares de pessoas durante vários dias e pessoas de vários pontos do país, podendo ter levado a uma maior transmissibilidade da doença em vários pontos, nomeadamente Lisboa. Infelizmente, não há dados muito concretos, a não ser esses que anunciou agora, que São João de Santo António não terão doentes internados com Covid, mas não sabemos se há um aumento generalizado de casos no país ou se se concentra só em Lisboa, porque os dados têm sido muito reduzidos. Agora, acho normal que os hospitais de Lisboa, nomeadamente o Santa Maria e o Pedro Hispano Valente, tendo um aumento de pessoas internadas e conhecendo um aumento de fluxo de pessoas para as urgências com sintomas respiratórios, que tenha promovido uma medida preventiva para minimizar o risco de transmissão do vírus no seu espaço interior. E, portanto, é uma medida bastante inteligente.

E seria também preventivo, avisado, enfim, adotar esta medida em lares de idosos?

Isso depende muito da realidade dos profissionais e dos idosos. Se nós temos um lar de idosos que está a ter muitos casos da doença, seja nos profissionais, seja nos utentes, aí poderia ser extremamente interessante. Agora, se os profissionais do lar têm tido cuidado, não apresentam sintomas, os familiares que lá vão também vão com cuidado e os utentes também, poderá não ser tão necessário que se implemente uma forma transversal o uso de máscaras nos lares de idosos, como também pode não ser necessário implementar isso transversalmente em todos os hospitais. É uma avaliação de risco que deve ser feita por cada instituição, de acordo com o seu plano de contingência, e assumirem medidas para minimizar o risco internamente.

Temos uma nova variante a circular já há algumas semanas, que vem ganhando força em vários pontos do mundo. Portugal também, como vemos agora, parece não ser exceção. Mas nesta altura, Gustavo Tato Borges, fazem-se poucos testes à Covid-19. Quem tem sintomas deveria voltar a fazer? O que aconselharia?

Em termos de epidemiologia, eu diria que era ótimo que toda a gente se testasse outra vez, em qualquer altura do dia, mesmo tendo sintomas ou não, para termos um melhor conhecimento da doença e apresentasse os resultados a quem de direito, nomeadamente à Direção-Geral da Saúde, para fazermos essa monitorização. No entanto, nós sabemos que o esforço que vai ser gasto, quer em dinheiro, quer em tempo, quer em recursos humanos, não vai compensar para além de termos conhecimento da epidemiologia atual, porque não vai haver introdução de nenhuma medida em específico. E, portanto, eu diria que o mais importante é que qualquer cidadão que tenha sintomas respiratórios atualmente, use os equipamentos de proteção individual, nomeadamente uma máscara, voluntariamente, mantenha o distanciamento das pessoas que o rodeiam, lave as mãos ou desinfete-as regularmente, use etiqueta respiratória, abra as janelas para ventilar os locais onde está e que se mantenha o mais resguardado e evite contatos próximos. Se nós usarmos essas medidas e aqueles que são abrangidos pela próxima campanha de vacinação se vacinarem, nós vamos conseguir conter o melhor possível o avanço desta doença e, acima de tudo, minimizar casos graves, que é isso que nós pretendemos nesta fase, é minimizar casos graves e mortes.