Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

O virologista João Manuel Brás Gonçalves, sobre esta nova mutação da variante Delta da Covid-19, a variante Delta Plus. Perguntava-lhe: daquilo que já se conhece, que acredito que não seja muito, qual é a maior diferença entre esta nova variante e a já conhecida variante Delta?

Esta variante chamada variante Delta+ é uma mutação que existe dentro da própria variante Delta, ou seja, dentro desta variante há várias alterações e começou-se a perceber que havia uma modificação que estava a aparecer nessa variante Delta. Ela apareceu na Europa e depois apareceu novamente na Índia. Nós não sabemos muito acerca dela. Sabemos que essa mutação é importante para fugir aos anticorpos, ou seja, para que estes vírus consigam resistir mais aos anticorpos das vacinas. Ainda sabemos muito pouco, são muito poucos casos ainda, mas apresenta uma característica que nos deixa sempre preocupados, que é estas regiões que fazem com que o vírus seja mais resistente aos anticorpos. E isso é sempre muito perigoso, agora que estamos numa fase de vacinação importante.

Ou seja, das poucas características que já se conhecem, temos essa e também já sabemos que tem um elevado nível de transmissão, certo?

Sim, sabemos que a variante Delta é uma variante que tem uma elevada transmissibilidade e uma capacidade de resistir aos anticorpos. Essas duas características, mais essa mutação, estão a tornar esta nova variante do vírus cada vez mais contagiosa e, ao mesmo tempo, com capacidade de fugir às nossas resistências. Isso é sempre preocupante e claramente nos deve preocupar. Eu acho, no entanto, que nós vamos ouvir falar destas variantes ao longo do tempo. Ou seja, estas vagas que nós estamos agora a observar, e certamente estamos a começar uma quarta vaga que está a começar neste momento, talvez no próximo mês vai atingir um pico, e vão ser várias vagas, se calhar não tão fortes, mas vão acontecendo à medida que estas mutações se vão acumulando. Este vírus tem esta capacidade que nos está a surpreender, que é a capacidade de, ao mesmo tempo que se transmite rapidamente, também é resistente aos anticorpos, e isso é o que nos preocupa mais neste vírus. Se ele fosse transmissível, mas não fosse resistente aos anticorpos, nós não estávamos tão preocupados. Mas como tem estas duas particularidades ao mesmo tempo, deixa-nos preocupados.

Podemos contar nos próximos tempos com diversas mutações das várias variantes, é isso?

Exatamente. O vírus está cada vez mais a ser pressionado pela contenção, pelo distanciamento, pelas vacinas e está a arranjar formas. Ele tem esta capacidade de arranjar múltiplas mutações, chamadas mutações, que vão se acumulando dentro dessas variantes, nomeadamente a Delta, que é mais transmissível, e à medida que nós vamos colocando obstáculos, ele vai utilizando essas armas que está a criar. O que nós temos que fazer, fundamentalmente, é impedir que ele crie muitas mutações e que ele crie essas alterações. Por isso é que estamos todos sempre pressionados para que não haja muita transmissão do vírus e que este vírus não se transmita muito para não criarmos as mutações. A razão pela qual estamos sempre a pressionar sobre este assunto e sobre estas características do vírus é que ele tem esta capacidade de criar mutações. E quanto menos nós lhe dermos capacidade e identificarmos através da testagem onde é que estão essas pessoas, menos capacidade o vírus tem de fugir e de criar novas mutações. É só por causa disso que estamos todos preocupados com este ressurgimento destas mutações e destes variantes.

Aproveitava, já que estou a falar consigo, para falar também acerca de outro tema. Acerca do Rt. Nós há pouco tivemos acesso aos números do Rt. Nós, neste momento, aqui na região de Lisboa e Vale do Tejo, já temos um Rt de 1,36. E, no geral, os valores estão muito mais altos do que no início de janeiro, que foi o pior mês. Eu perguntava-lhe: o que é que pode ser feito para alterar estes números?

Os números fundamentalmente são preocupantes porque dão claramente a ideia e transmitem a ideia que o que está a acontecer aqui neste momento na população é mesmo uma variante muito transmissível. Ou seja, não estamos a lidar com o mesmo tipo de vírus que estávamos a lidar em janeiro. Isso é claro. Neste momento, a realidade alterou-se claramente. O vírus que existe neste momento em circulação é um vírus com maior transmissão. O que é que nós podemos fazer para isso? Há duas coisas que têm que ser feitas. A primeira, não é novamente fechar o país. Eu penso que essas questões têm que ser vistas de outra forma, senão nós também não aguentamos, mas tem que ser vista do ponto de vista do distanciamento e do ponto de vista da testagem. Eu acho que há aqui um problema de testagem que não está a ser bem equacionado, porque não estamos a fazer a testagem massiva para identificar esses pontos de foco de infecção. Eu acho que isso não está a ser dado uma atenção importante. Eu acho que isto devia ser bem equacionado. Identificar os focos de modo a isolar essas zonas de infecção tem que ser exatamente o ponto que é crucial. A segunda questão tem a ver exatamente com a vacinação. Eu acho que a aceleração que está a ser feita tem que ser ainda aumentada. Eu acho que 100 mil vacinações por dia, se calhar nem chega, acho que precisaríamos muito mais para isso. Para diminuir esse Rt, só pode ser o distanciamento, mas isso tem que ser acompanhado também de uma vacinação cada vez mais eficiente.