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Contamos agora em direto, nesta edição das 17h da "Tarde Política", com Francisco Calheiros. Representa outra confederação, a do Turismo, presente neste encontro. Boa tarde, obrigada por estar conosco. O que a UGT disse em concreto para estas negociações falharem?

Muito boa tarde. Não houve nada de concreto, como sabe. O concreto foi não se aceitar fazer o acordo. Como sabe, há sete meses que estamos a tentar fechar este acordo. Nós, pessoalmente, a Confederação do Turismo, tínhamos muita vontade de fazer este acordo. É um acordo que já vem do tempo do último acordo que assinamos de rendimentos salariais e competitividade, que iríamos revisitar a legislação laboral. O atual governo tinha isso no seu programa de governo e, portanto, estamos há sete meses e diria que nas últimas três semanas muito intensamente, praticamente com reuniões diárias. Não queria deixar aqui de dar uma nota, quer para as cedências ao longo deste tempo das entidades empregadoras e da vontade muito empenhada por parte do governo, nomeadamente a sua ministra, muito empenhada.

Os patrões abdicaram de quê, em concreto, neste último encontro?

Não vale a pena falar do que é que abdicamos. Abdicamos de quase tudo que seria para celebrar um acordo, mas do lado da UGT, não encontrámos essa solução. Eu diria o seguinte: tecnicamente, escalpelizámos todos os artigos, um a um. E, portanto, tecnicamente, eu diria que praticamente tudo ficou esclarecido. O que eu acho é que não houve, e é uma opinião meramente pessoal, não havia vontade política. E, portanto, acho que as palavras que já disse da peça anterior dizem tudo. Não houve vontade política para celebrar este acordo e isso hoje ficou completamente transparente na reunião que tivemos. A conclusão é que não chegamos a nenhum acordo.

E não era possível prolongar as negociações?

Elas duram há sete meses. Há três semanas que nós temos reuniões diárias. E chega uma altura em que temos que saber se há condições para assinar ou não. Da parte da UGT, não houve. Eu acho que não é por razões técnicas, insisto, acho que é por razões políticas, sejam elas quais forem.

E os patrões e a Ministra do Trabalho responsabilizam diretamente a UGT pelo falhanço destas negociações?

A questão é esta: houve, por parte do governo e da Ministra do Trabalho, muita cedência. Por parte das entidades empregadoras, igual. Onde é que estavam as linhas vermelhas? Da parte da UGT, não houve praticamente nenhuma cedência, porque aqueles pontos em que nós durante este tempo todo fomos chegando a acordo, ou eram pontos menores ou eram pontos que decorriam da própria atividade das empresas. Chegamos a acordo todos em publicar os horários de trabalho na intranet. Não sei se isso é muito importante ou não. Eram muitos artigos que estavam em cima da mesa. Tudo aquilo que o governo tinha avaliado, tudo aquilo que nós queríamos revisitar, não chegamos a acordo