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Conosco em direto temos Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Muito boa noite.

Boa noite.

Boa noite. Perguntava-lhe primeiro, tendo em conta que há então este anúncio de que não vão haver escolas encerradas, pelo menos por enquanto, que ambiente espera encontrar nas escolas, na sua escola, depois de sabermos que o governo vai manter os portões abertos até ordem em contrária?

A decisão política só amanhã é que será tomada. Temos um parecer técnico ao qual devemos obedecer, porque é uma opinião, é um parecer dado por pessoas que percebem de saúde pública, mas isso tem que ser validado pelo nosso governo. O ambiente que está nas escolas, e vou muito para além do efeito direto do Coronavírus, é um ambiente de angústia, de ansiedade, de desconfiança. É um ambiente que neste momento não é propício ao processo ensino-aprendizagem. As aulas não rendem como deviam de render, porque está tudo concentrado, de facto, nos efeitos do Coronavírus. E penso que não é só nas escolas, penso que esse ambiente é um ambiente generalizado. Agora, temos que aguardar pacientemente até o dia de amanhã para perceber se o nosso governo valida definitivamente o parecer que agora parece que tivemos conhecimento ao final do dia. Mas isto passará, na minha opinião, por uma decisão política e amanhã vamos tê-la seguramente em cima da mesa.

Filinto Lima, pergunto-lhe também se espera ainda que a decisão política seja mesmo a de encerrar. Não seria essa a melhor solução agora?

Independentemente da minha opinião pessoal, quer dizer que isso é a expectativa de professores, de pais, de alunos e de funcionários. Essa é a expectativa. Embora o Conselho Nacional de Saúde Pública diga o contrário, mas a comunidade educativa, as comunidades escolares, têm como expectativa esse desfecho. O que parece até agora não vai acontecer. Temos que aguardar, de facto, pela decisão do governo, se é de facto de respeitar na íntegra aquilo que diz o Conselho Nacional de Saúde Pública ou tomar, como em muitas situações já aconteceu, uma posição política e, portanto, encerrar as escolas.

Temos assistido ao encerramento de várias escolas privadas. Temos a indicação de que, por enquanto, até a decisão em contrário por parte do governo, as escolas públicas continuam de portões abertos. Que sinal dá ao país esta dicotomia?

Temos escolas privadas fechadas também. Também conheço escolas privadas que estão fechadas. Agora, de facto, aquilo que me parece é: nós temos que confiar. A palavra confiança é muito importante. E nós confiamos no Conselho Nacional de Saúde Pública, mas também confiamos e temos que confiar no nosso governo. E portanto, o que eu quero dizer é que estamos todos na expectativa de que amanhã o governo reverta o parecer que hoje foi conhecido de um órgão consultivo e que temos que respeitar. É um parecer dado por pessoas que estão dentro deste assunto, dentro da saúde pública. Não sou eu, que sou diretor, que tenho conhecimentos para dar um parecer destes. Não sou! Mas lá está, sou eu enquanto, ou é o António Costa enquanto primeiro-ministro, que poderá validar este parecer ou poderá não o fazer, como noutras situações já aconteceu. Agora, quero frisar que a expectativa das comunidades educativas, de facto, não vai no sentido da decisão do parecer.

E relativamente a eventuais efeitos que isto pode ter nas avaliações dos alunos, enquanto não conhecemos se num futuro breve as escolas podem vir mesmo a encerrar. Não teme que existam efeitos nas avaliações dos alunos?

Não. Tudo o que seja da responsabilidade da educação, e até agora estamos só a falar da saúde, as escolas darão conta do recado. Ou seja, os alunos, independentemente da decisão de amanhã, que será uma decisão política, os professores, temos em Portugal excelentes profissionais, os professores darão resposta para que os alunos não sejam prejudicados nas suas avaliações, quer as escolas encerrem, quer não encerrem. Portanto, os pais podem ficar descansados que os professores e os diretores, que são excelentes, não colocarão isso em causa. Esse assunto está salvaguardado. Aqui, na minha opinião, é uma questão de saúde pública e, portanto, há que ter aqui uma decisão e amanhã o país espera. Eu juraria que fosse durante o dia de hoje, mas não foi. Amanhã o país espera que o nosso primeiro-ministro diga se valida ou não valida, no caso concreto do que estamos aqui a falar, o parecer do Conselho Nacional de Saúde Pública.

Filinto Lima, muito obrigado. Presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.