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A minha expectativa é naturalmente otimista, sempre que temos um novo governo devemos apoiá-lo naquilo que é a implementação do seu programa de governo, que todos pretendemos que seja o melhor para Portugal. Naturalmente, a área da justiça é uma área difícil. A nova Ministra da Justiça é alguém que tem experiência na advocacia, é alguém respeitado neste setor e, portanto, os notários vão apoiá-la naquilo que é a reforma da justiça. Acima de tudo, na sua capacidade, e esperamos que tenha capacidade de dialogar com todos os setores profissionais, mas queremos apoiá-la em medidas concretas para melhores serviços públicos, para diminuirmos as filas nos serviços, para termos melhores serviços digitais. E contamos com a senhora Ministra da Justiça e com o seu espírito de trabalho e de abertura para que esta nova legislatura nos traga boas notícias naquilo que é, desde logo, o alargamento das próprias competências dos serviços prestados nos cartórios em todo o país. No que respeita ao governo, este governo terá que gerir naturalmente a conjuntura política. Esse será o seu maior desafio, visto que, como todos sabemos, a maioria parlamentar é relativamente reduzida e, portanto, terá que dialogar bastante com todos os setores, com todos os partidos. Mas acredito sinceramente que o novo governo com certeza tentará fazer o melhor pelo país, desde logo no setor econômico, onde o país precisa ter um crescimento mais expressivo nos próximos anos para corresponder àquilo que são as expectativas dos cidadãos, que é ter uma vida melhor.

Então há aqui uma expectativa de uma mudança para o país?

Há uma expectativa de uma mudança ou pelo menos uma diferença de leitura daquilo que são as soluções políticas. Eu acredito que este novo governo tenha até aprendido com os problemas do anterior nos vários setores, nomeadamente a justiça, e que consiga, de alguma forma, encontrar novas pontes com alguns setores, desde logo ouvindo-os mais. Acho que a expectativa de todos os setores é essa, é que nos ouçam mais para perceberem quais são os problemas no terreno, para se conseguir encontrar soluções concretas. Eu dou um exemplo, a Ordem dos Notários tem sido, de alguma forma, contestatária naquilo que são algumas das medidas do Simplex urbanístico, do cadastro e até dos atos de assistência, e esperemos que este novo governo possa, de alguma forma, com a ajuda daqueles que estão no terreno todos os dias, encontrar melhores soluções, porque no fim é esse o objetivo de todos os governos, é servir os cidadãos encontrando as melhores soluções, soluções concretas. E portanto, temos sempre uma expectativa de mudança e devemos encarar este novo ciclo com otimismo.

O que espera que este governo faça que o outro não fez?

Acima de tudo, eu espero que este governo tenha uma maior capacidade de dialogar com os vários setores para não cometer alguns erros que surgiram, principalmente nestes últimos meses, para que não se façam leis completamente desenquadradas da realidade, para que os cidadãos possam, de alguma forma, ver melhor respondida aquilo que são as suas queixas, e para isso é preciso que o governo esteja no terreno e que os ouça. Acho que até devido à conjuntura política, o anterior governo, nestes últimos meses, teve alguma dificuldade em conseguir compreender os problemas dos cidadãos. E acabou por ser esse o principal fator desequilibrador nestas últimas eleições. E, portanto, o novo governo tem que fazer exatamente isso, tem que ir para o terreno, ouvir as pessoas e rapidamente implementar políticas. Os portugueses também não podem estar sucessivamente à espera que se desenhem novos planos, novas reformas e novas grandes medidas. O que os portugueses precisam é que se lhes resolvam os problemas do dia a dia. E os problemas do dia a dia são: termos melhores serviços públicos, termos maior rendimento nas famílias para fazerem a gestão das suas vidas e termos uma expectativa melhor para o futuro. Eu nunca acho que nenhum governo vai nos salvar, de alguma forma. Acho é que a cada ciclo político devemos aproveitar o melhor que cada um dos governos propôs aquando da sua candidatura e tentarmos ajudar todos a implementar, para que o país possa crescer e possa cada vez mais atingir aquilo que são as médias europeias de crescimento e desenvolvimento. Essa é a nossa expectativa, não apenas dos notários, mas de todos os portugueses.

Muito obrigada, Jorge Batista da Silva, bastonário da Ordem dos Notários. Obrigada.

Obrigada. Até logo.