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Junta-se agora a este jornal das 9h, Paulo Santos, é especialista em assuntos europeus. Paulo Santos, bom dia. Obrigada por estar conosco.
Olá, Carla, bom dia.
Estas alterações tornam, de facto, este plano um pouco mais equilibrado, Paulo?
Um pouco mais equilibrado é um exagero, no sentido em que o outro não era de todo equilibrado. Nós estamos aqui perante uma coisa que na psicologia cognitiva se costuma chamar a tática da âncora alta, isto é, apresenta-se um plano completamente disparatado, ou seja, apresenta-se uma proposta completamente disparatada que imediatamente cria nas pessoas a percepção de que as possibilidades partem dali e não há ali hipótese de um equilíbrio. A resposta europeia de ontem foi muito importante. A resposta antes da conclusão das conversas ontem em Genebra. E, de alguma forma, permitiu este reequilíbrio, que naturalmente é muito mais, diria eu, favorável aos interesses da Ucrânia, não sendo totalmente, porque os interesses da Ucrânia, como sabemos, em primeiro lugar, seria uma saída completa das tropas russas do seu território.
Sim, e a manutenção das fronteiras, o que claramente não vai acontecer.
Exatamente.
Como é que a Europa fica depois deste plano e destas negociações?
Eu gosto sempre de chamar a atenção para as coisas boas e para as coisas positivas, para aquilo que é positivo neste processo, porque há sempre a tendência de desvalorizar completamente a posição europeia. Resta-me dizer, talvez, neste caso, o mais importante tudo é que foi a reação europeia, em particular, numa altura em que Zelensky estava pressionado por todos os lados e viu um ultimato por parte da administração norte-americana, por parte de Donald Trump, foi a reação europeia, sobretudo europeia, que permitiu ao apresentar aquele plano alternativo, que punha praticamente em questão todos os pontos do plano inicial, que permitiu que essas negociações se fizessem nesses termos. Portanto, acho que a primeira coisa a salientar é a importância da intervenção europeia, que normalmente é desvalorizada, também não percebo muito bem por quê. Em todo o caso, nesta situação, ela é absolutamente essencial, sempre, naturalmente, para Zelensky, havia a relação com os Estados Unidos e a manutenção dessa relação é, eu diria, quase que uma condição de sobrevivência da Ucrânia.
E que papel é que ganha a Europa se este plano for aprovado, pelo menos mais ou menos nos moldes em que está agora negociado, que papel é que a Europa pode ter na relação com a Ucrânia, na reconstrução da Ucrânia e também na abertura ao espaço comum, ao espaço da União Europeia? Há uma responsabilidade acrescida por parte da Europa.
Há aqui muitos pontos que têm que ser esclarecidos, nomeadamente a questão da reconstrução da Ucrânia, em que termos é que se vai fazer. Nós estamos sempre a falar das últimas novidades e as últimas novidades são sempre enganadoras. Depois vamos ver aquilo que efetivamente foi negociado, aquilo que está no papel, aquilo que fica definido, e às vezes não é bem assim. Portanto, temos aqui muitos pontos por esclarecer, nomeadamente a questão da NATO, depois as condições de segurança da Ucrânia no futuro. Isso é talvez o ponto principal. Até que ponto é que a Europa vai participar nesse processo e nesse esforço, e que esforço é esse. E depois, como é que se usarão os ativos congelados, já não são dados aos americanos para fazer a reconstrução, serão ou não serão partilhados, e em que forma é que essa reconstrução se faz. Há aqui muitos pontos, portanto, é muito difícil dizer. Repito, a posição europeia tem sido, sem dúvida nenhuma, nos últimos anos, desde o início da guerra, nos últimos três anos e meio, uma condição indiscutível da sobrevivência da Ucrânia.