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Estamos agora a gravar esta Resposta Pronta com o Dr. José Roquette, do Grupo Pestana, a propósito do acesso à Praia da Camarinha, em Tróia. Obrigada, José Roquette, pela disponibilidade para falar conosco.

Obrigado.

Em primeiro lugar, queria lhe perguntar se o acesso à praia pode ser feito por pessoas que não estão hospedadas no hotel.

Claro que sim. Há cerca de 12 anos que nós propusemos e realizamos um acesso público à praia. O Pestana Tróia arrancou em 2011 e desde logo nós cedemos uma faixa de terreno para o acesso pedonal público e de emergência. Foi uma iniciativa nossa e passado três anos, nós propusemos a criação de um parque de estacionamento público, porque entendíamos, naturalmente, que só o acesso pedonal não era suficiente e era essencial para o interesse público ter este parque de estacionamento público, mas também por uma questão ambiental, porque sem isso, o que teríamos, e é o que temos hoje, o estacionamento é desordenado e selvagem e obviamente é uma ameaça para as dunas.

Exato.

Nós tomamos a iniciativa há cerca de 12 anos de fazer essa proposta. Na altura, a proposta do estacionamento público foi recusada em função de constrangimentos associados ao plano de ordenamento que estava em vigor. Desde então, nos últimos 10 anos, o ordenamento do território evoluiu bastante e o plano de ordenamento da orla costeira evoluiu bastante também. E hoje acreditamos que já poderá haver condições para voltar ao tema. Do nosso lado, o que é importante clarificar é que nós é que tomamos a iniciativa de propor esse estacionamento público e que do nosso lado sempre tem existido, nos últimos 15 anos, uma vontade e uma disponibilidade totais para colaborar no tema.

E essa proposta foi feita à Câmara Municipal ou ao governo?

Sim, à Câmara Municipal, e depois, naturalmente, a Câmara consulta as várias entidades, sobretudo as entidades ambientais, e dessa consulta, dessa proposta que foi apresentada, em função dos constrangimentos que existiam do plano de ordenamento da orla costeira, a proposta não foi aprovada.

Queria lhe perguntar, José Roquette, essas pessoas que não estão hospedadas no hotel, mas que querem aceder à praia, a maior parte certeza que se desloca de carro, onde é que então podem deixar o carro?

A pergunta é excelente. Neste momento, as pessoas só têm o acesso pedonal e não têm o estacionamento, porque a proposta que nós apresentamos não foi aprovada.

Portanto, a praia acaba por só ficar com hóspedes do hotel, porque a maior parte das pessoas para ir aí só consegue ir de carro, ou não?

Não, porque a praia tem hoje já acesso pedonal, eu estive lá na semana passada com o presidente da Câmara para lhe mostrar como é que a praia tem hoje um acesso pedonal perfeitamente facilitado e, aliás, tivemos o cuidado de fazer o acesso pedonal no lugar onde antes do desenvolvimento do Pestana Tróia, já era tradicional a passagem do público. Meios terrenos estavam vedados e já as pessoas passavam por ali. Não havia estacionamento, claro, não havia acesso, as pessoas atravessavam a duna. O que nós fizemos foi um acesso digno, seguro, vedado e também para veículos de emergência. Portanto, nós temos estado aqui a colaborar no sentido de facilitar este acesso. E nós é que tomamos a iniciativa de propor um parque de estacionamento público, que se não existe à data de hoje, não é por falta de vontade do Grupo Pestana.

Mas portanto, as pessoas que vão a essa praia e que não estão hospedadas no hotel, onde é que deixam o carro neste momento?

Neste momento, não têm onde deixar. O que está a acontecer é que, à semelhança do que acontece em toda a estrada que vai de Tróia até à Comporta, uma vez que não há estacionamentos públicos ali criados, as pessoas deixam o seu carro ao longo da estrada.

Mas não é permitido.

Claro que não é permitido, mas se for lá, vai ver que é o que acontece, infelizmente. E portanto, é uma situação que nos desagrada profundamente. Nós tentamos, como eu disse, criar uma solução, propusemos uma solução. Não é agora que o tema está a ter algum reflexo mais mediático. Há mais de 10 anos, há 12 anos, nós propusemos a criação de um parque de estacionamento público que garantisse um acesso mais fácil e mais conveniente à praia. Na altura, só nos autorizaram a fazer um acesso pedonal.

E para quem depois nos pode ouvir, onde é que está exatamente esse acesso pedonal?

O acesso pedonal está no extremo norte do terreno onde está implantado o Pestana Tróia. E esse extremo norte é justamente a zona mais estreita da península, ou seja, é a zona em que da estrada até à praia, a distância é mais curta. Nós fizemos esse acesso justamente aí, porque era aquele que, ainda que sendo apenas um acesso pedonal, era aquele que facilitava mais a passagem do público.

Portanto, não sei se concorda comigo ou não, mas se calhar se existisse esse estacionamento, a afluência à praia seria maior e se não seria uma desvantagem para os hóspedes do hotel, tendo em conta que estão no hotel junto à praia, se calhar esperavam que a praia estivesse relativamente mais vazia ou a ser só utilizada pelos hóspedes.

Nunca esperámos isso, de maneira nenhuma. Nós temos a perfeita noção do que é o interesse público. O Grupo Pestana tem mais de 50 anos de história, tem localizações extraordinárias e nunca tentou, em nenhuma situação, apropriar-se do interesse público. Nós temos a perfeita noção de que este acesso e este estacionamento eram essenciais no interesse público, mas também no interesse ambiental, porque repare, aqui o interesse do público é o interesse ambiental. Como sabe, estamos a falar de uma zona de reserva ecológica nacional, onde não se pode fazer tudo aquilo que se quer. E naturalmente, o estacionamento selvagem é um problema para todos. Portanto, de maneira nenhuma o Grupo Pestana vê isto como uma desvantagem, aliás, se visse como desvantagem, não teria feito a proposta, 12 anos atrás, de criação do estacionamento público. Pura e simplesmente tinha-se abstido de o fazer e vivia com o acesso pedonal. Mas não, nós tomámos a iniciativa há 12 anos de propor a criação do estacionamento público.

E queria lhe perguntar outra coisa. O Pestana tem parque de estacionamento para os hóspedes e para os trabalhadores?

Claro.

Ok. E portanto, não seria uma hipótese deixar que as outras pessoas, não sei, mediante pagamento, também pudessem aceder esse parque?

Não, por uma simples razão. Nós temos um parque de estacionamento para os hóspedes, que foi autorizado na altura e dimensionado para o empreendimento turístico que lá está instalado. Portanto, desde o início que estava previsto um acesso público neste local onde lá está feito agora. E nós criámos, naturalmente, o estacionamento dentro do empreendimento para os utilizadores do empreendimento.

Ok. Portanto, sempre descartaram a hipótese de deixar que outras pessoas possam aceder então a esse parque de estacionamento.

Claro, porque descartámos pela razão simples que já estava previsto o local de acesso do público à praia naquele lugar.

Mas tendo em conta que entretanto ainda não há um parque de estacionamento para as outras pessoas e é uma questão que ainda não tem um fim à vista, não colocam em cima da mesa essa possibilidade.

Não, por uma questão de capacidade, porque como imagina, nós não podemos ter um empreendimento turístico a funcionar onde não temos lugar para o estacionamento dos hóspedes desse empreendimento turístico. E o que é essencial, de facto, é desbloquear esta situação, para a qual nós alertámos, não agora em função da midiatização deste assunto das praias. Há 12 anos que nós alertámos para esse problema e fizemos uma proposta, fomos pró-ativos nisso. E portanto, não podemos ser agora penalizados por uma proposta que nós fizemos há 12 anos e que não foi aprovada. Como sabe, vai haver a visita da senhora ministra amanhã, que vai visitar todos os empreendimentos, vai começar pelo nosso. E isto que lhe expliquei a si é naturalmente aquilo que iremos explicar à senhora ministra, para que ela tenha uma compreensão real da situação e sobretudo do histórico, do esforço que o Grupo Pestana fez desde o início do empreendimento para ter um acesso público à praia e um estacionamento público.