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José Fernando Rio, muito obrigado pela disponibilidade, por falar com a Rádio Observador. Foi candidato às eleições do Porto em 2020, tinha conseguido um resultado assinalável contra Pinto da Costa, mas acabou por apoiá-lo nestas eleições. Tendo isto em conta, o que eu lhe pergunto é se considera que esta mudança, ou seja, a passagem da presidência para Villas-Boas, vai ser positiva para o Porto e por que é que mudou de ideias de 2020 para 2024?

Repare, quando uma esmagadora maioria de sócios se desloca às urnas e dá um resultado destes ao vencedor, ao André Villas-Boas, não há nada mais a dizer. Há que aceitar esta vitória, essa decisão dos sócios e começar uma nova era com um novo presidente. Eu apoiei Pinto da Costa porque eu achei que as duas listas integraram muitas daquelas que eram as minhas propostas em 2020, a candidatura do André Villas-Boas, como de Jorge Nuno Pinto da Costa. Ambas também apareceram com rostos renovados, com equipas renovadas, e eu achei que o presidente Pinto da Costa merecia, por este esforço e coragem e visão de mudar, de tentar entregar um clube melhor preparado às novas gerações, achei que merecia a oportunidade de um último mandato.

E acha que os adeptos tinham uma dívida de gratidão, por assim dizer, a Pinto da Costa?

Não, obviamente que têm essa dívida de gratidão, mas manifestaram-na de outra maneira. Eu julgo que as palavras de ontem de André Villas-Boas acerca de Pinto da Costa revelaram alguma grandeza por parte do novo futuro presidente. Os aplausos também que os seus apoiantes dedicaram a essas palavras a Pinto da Costa, acho que significam que o clube todo reconhece o trabalho de Pinto da Costa, tem essa gratidão, mas acham que essa gratidão já não pode pespecar mais o futuro. E tanto ditaram esta mudança que temos que aceitar, obviamente.

E esta derrota tão avassaladora não deixa uma mancha, ou seja, não danifica, de certa maneira, o legado de Pinto da Costa, por não teria sido benéfico sair de outra maneira?

Sim, teria sido benéfico ter saído há mais tempo, de outra maneira, mas esta derrota agora é momentânea. É este momento. Nos próximos tempos, essa derrota vai estar no peso do presidente, mas o seu legado é tão grande que essa derrota vai acabar por ficar esquecida. Da maneira como ele acabou por sair, vai ficar esquecida e o que vai prevalecer na memória dos adeptos e na história do clube é a grandeza dos seus mandatos. Toda a gente reconhece que há um Foco do Porto antes de Pinto da Costa e outro totalmente diferente, para maior, depois da presidência de Jorge Nuno Pinto da Costa. E portanto, eu acho que é essa memória que prevalecerá e dentro em breve, estou convencido.

Mas mesmo que momentâneo, acha que se pode falar num cartão vermelho que os adeptos do Porto deram a Pinto da Costa?

Claramente, não há outra forma de interpretar os resultados, porque repare, a afluência às urnas foi uma afluência recorde. Os votos em André Villas-Boas quase que triplicaram a maior votação ou duplicaram a maior votação que alguma vez Pinto da Costa obteve. E mais uma coisa, o Pinto da Costa, em relação às eleições de 2020, ainda consegue perder votos. Isso é que é realmente incrível. Portanto, acho que é um cartão vermelho, claro.

E devia haver algum tipo de homenagem a Pinto da Costa? Acha que Villas-Boas está aberto a essa possibilidade?

Eu acho que Villas-Boas está aberto, já o disse que queria fazer e acho que faz muito bem em fazer, porque de facto o Pinto da Costa é o presidente dos presidentes, é o maior presidente da história do Foco do Porto e seguramente um dos maiores presidentes do futebol mundial. Portanto, acho que merece essa homenagem. Acho que André Villas-Boas quer lhe fazer essa homenagem e acho que o presidente Pinto da Costa deve aceitar essa homenagem.

Como é que deveria ser essa homenagem? Tem alguma ideia, algo que gostaria que o clube fizesse?

Não, não sei. Isso aí tem que deixar ao critério dos novos dirigentes do Foco do Porto. Acho que não é por dar o nome do estádio, outra coisa do gênero, nem estátua. Acho que não é isso que o presidente quer. Prefere uma homenagem singela, mas sincera, onde os sócios que queiram estar presentes, possam marcar presença e fazer assim uma transição pacífica do poder e assim possamos todos prestar essa homenagem a Jorge Nuno Pinto da Costa.