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Em primeiro lugar, também em referência à entrevista de Rui Rio ontem na TVI, perguntava-se se o surpreende esta abertura que Rui Rio manifestou, ele que ontem disse estar disponível para encurtar o calendário entre as diretas e o Congresso.

É com agrado que vejo que o Dr. Rui Rio se aproximou das posições da maioria dos conselheiros nacionais que convocaram um Conselho Nacional extraordinário no sentido de fazer isso mesmo, comprimir as datas do processo eleitoral interno de forma a compaginar com uma hipotética data das eleições legislativas. Portanto, o Dr. Rui Rio ontem, do meu ponto de vista, bem, aproximou-se desta posição, que já é uma posição de uma larga maioria dos conselheiros nacionais há muito tempo. Pode-se dizer que foi um golpe de asa de alteração da sua estratégia no sentido de se aproximar de algo que saberia que iria ser inevitável que acontecesse no Conselho Nacional. Essa pode ser uma leitura que se pode ser tirada, mas eu ainda assim sou um otimista e portanto acredito que tenha sido, de facto, o Dr. Rui Rio a mudar de posição para uma posição que é muito mais equilibrada e que consegue compaginar todas as posições dentro do partido.

E nesse caso, na sua opinião e também como apoiante de Paulo Rangel, qual é que poderia ser a melhor data para estas internas?

Estamos a falar de coisas diferentes. O Dr. Rui Rio ontem falou da antecipação do Congresso, por um lado, e isso estamos absolutamente de acordo, e depois falou pela primeira vez, também noutro golpe de asa, de uma antecipação das eleições internas. Parece-me que a compressão da democracia tem limites, sob pena de não haver tempo para um debate interno que seja saudável e, portanto, temos que ter cuidado também nessa compressão. As diretas já estavam marcadas há muito tempo, há prazo, e o Dr. Rui Rio até ontem disse que ainda estava a estudar se era possível legal e regulamentarmente fazê-lo. Parece-me que temos que ter muito cuidado com movimentos de compressão demasiada da democracia, para não falar da suspensão que o Dr. Rui Rio queria. Da democracia agora já quer para uma compressão da democracia. E parece-me que isso tem que ser analisado de outra forma, porque nós temos que ter um debate interno, temos que perceber quais são as diferenças entre o Dr. Rui Rio e o Dr. Paulo Rangel, o que é que o Dr. Rui Rio quer, o que é que vai apresentar ao país. O Dr. Paulo Rangel já está indo a fazer, o Dr. Rui Rio ainda não. E, portanto, esse tempo é saudável que exista dentro do PSD.

Disse-me, no entanto, que olhava com agrado para esta decisão e que queria acreditar também na boa vontade de Rui Rio. Acredita que haja aqui um fechar de capítulo da luta interna dentro do PSD e também para conseguir chegar a alguma estabilidade numa altura em que há essas duas frações do partido divididas?

Eu penso que o próximo Conselho Nacional, de uma forma ou de outra, iria clarificar isso. E portanto, não é porque o Dr. Rui Rio ontem mudou de posição que esses timings não mudam. O Conselho Nacional de amanhã é absolutamente decisivo no sentido de clarificar qual é o calendário com que o PSD se vai deparar para clarificação interna. E portanto, este calendário já estava definido e não se alterou nada em relação a ontem. O que se alterou foi que o presidente do partido mudou a sua posição pessoal, de alguma forma. Aguardemos para ver até amanhã.