Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Preocupa-me muito, porque eu tenho ouvido o Dr. Silva Graça, o Dr. Filipe Froes, o Dr. S aclarides, outras pessoas, médicos de quem sou amigo, e verificamos que, neste momento, o número de mortes mais elevadas são das pessoas com mais idade. Dizia o Dr. Silva Graça, no outro dia, que nos lares morreram cerca de 30%, mas há 67% de pessoas que morreram cá fora e que representam dois terços. E nós temos mais de dois milhões de portugueses, 2.370.000, se não me engano, que vivem fora dos lares e têm mais de 65 anos, e um milhão e tal com mais de 80 anos. Em todos os países europeus, no Reino Unido, na França, na Itália, na Alemanha, na Irlanda, a prioridade tem sido essa, o fator idade tem sido fator prioritário e a Direção-Geral de Saúde também definiu 80, 80, 80: 80% dos profissionais de saúde e 80% das pessoas com mais de 80 anos vacinadas até março. Aqui não se vê nada nesse sentido e interpreta-se de maneira diferente aquilo que aparece nas indicações do Centro de Controlo de Doenças. Todos os outros países europeus interpretaram de maneira diferente. E tem havido argumentos de autoridade. Cada vez que aparecem médicos a sugerir estes critérios e a introdução do fator idade como fator prioritário, o coordenador responde que é assim porque é assim, ou quando os jornalistas perguntam, diz que não responde a essa pergunta. Portanto, como diz o Dr. S aclarides, em ciência não há vencedores nem vencidos e também não pode haver argumentos de autoridade. O que nós arriscamos? A ministra ontem indicou que iam ser revistos os critérios de vacinação, mas a verdade é que não disse como. E tudo o que tem sido dito pelo coordenador é no sentido de se manter aquilo que já estava previsto. E a manter-se isto assim, isto significa que nós podemos perder uma geração de idosos, ou uma geração de avós, como eu já tive ocasião de dizer, porque essa é que está em risco. Isto trata-se da vida das pessoas e não se pode escolher uma vida em função de outra ou em função daquela que tem mais perspetivas. E por alguma razão, os países civilizados, os países europeus da União Europeia, seguiram esse critério. Aliás, o primeiro-ministro, o Dr. António Costa, na conferência de imprensa que deu em Bruxelas, ao lado da senhora Von der Leyen, comprometeu-se publicamente a alterar o plano de vacinação, a rever os critérios de vacinação. O que é que está a ser feito nesse sentido? O que é que vai ser feito? Isto é, neste momento, a questão prioritária. Nós estamos a perder o equivalente a um avião que cai com muitas pessoas por dia e estamos a encher os hospitais com pessoas idosas que estão a morrer a uma velocidade muito grande. Isto é horrível, mas isto é a verdade, isto tem que ser alterado.

O primeiro-ministro enviou já um despacho que defende a integração de governantes e órgãos de soberania no plano de vacinação e estes grupos deverão começar já a ser vacinados na próxima semana. Perguntava, Manuel Alegre, se concorda com este despacho de António Costa.

Eu ainda não o conheço, mas eu não concordo. Concordo que seja vacinado o presidente da República, o primeiro-ministro, eventualmente o ministro dos Negócios Estrangeiros, já deviam ter sido, aliás. Agora, o resto, não. A prioridade deve ser a vacinação dos profissionais de saúde, do público e do privado, e também dos idosos com mais de 80 anos. O Estado não tem que se proteger a si mesmo. O Estado tem é que proteger os cidadãos. Acho, portanto, isso passou-se do zero para 80 e acho um grande erro político, que a população não vai aceitar, nem vai perceber. Os deputados, magistrados, seja o que for, que estejam no despacho, têm que esperar a sua vez de ser vacinados, como os outros cidadãos. Agora, presidente da República, sim. Primeiro-ministro, sim. O ministro da Defesa, infelizmente, está infetado e acho que o ministro dos Negócios Estrangeiros. E penso que pouco mais.

E a ministra da Saúde?

E a ministra da Saúde, evidentemente. Peço desculpa até de me ter esquecido. Evidentemente, aqueles que estão na linha da frente e que são necessários para manter este combate contra a pandemia. Agora, o Estado, na pessoa do presidente da República, ao autovacinarse, a proteger-se a si mesmo, quando nós temos milhares de pessoas a morrer e quando temos ainda profissionais de saúde que não foram vacinados, quer no Serviço Nacional de Saúde, quer nos privados, e quando é preciso, segundo as indicações da União Europeia, dar prioridade aos idosos com mais de 80 anos, isto não faz sentido, a extensão desse despacho. É a minha opinião.

E relativamente, na carta aberta também defendem que todos os profissionais de saúde ou quem está em maior risco de vir a ser infetado, também deveria ter o critério de prioridade. Hoje o Diário de Notícias dá conta de que, por exemplo, depois do primeiro-ministro anunciar que os governantes vão ser vacinados, os profissionais de saúde dos hospitais privados ainda não têm qualquer indicação sobre o plano de vacinação. Considera que estes profissionais de saúde dos privados deveriam estar na mesma situação?

Com certeza, estão na mesma igualdade que todos os médicos. E muitos deles já estão a trabalhar, não é? Aliás, ouvi ontem o Dr. Filipe Froes dizendo o que o Costa dizer: vão ser vacinados ou têm que ser vacinados. Mas sei que alguns já estão a ser contratados para ser vacinados e devem ser prioritariamente vacinados. A prioridade deve ser essa. Claro que há aqui uma gestão da escassez, mas então houve muita propaganda e uma propaganda que criou falsas expectativas. Pode haver aqui uma escassez de vacinas que esteja a tentar gerir, mas isso é horrível. Então algo está mal. Eu sei que na União Europeia se têm batido, diferentes países estão a bater-se para que sejam cumpridos os contratos estabelecidos e é preciso garantir que as vacinas que foram compradas, as vacinas que estavam prometidas, cheguem a tempo a Portugal. Mas essa prioridade de vacinar os que estão nos lares, muito bem. Os profissionais de saúde da linha da frente, muito bem. Os políticos, muito bem. Os médicos dos privados, muito bem. Mas o fator idade é o fator número um, é o fundamento científico que dizem médicos cuja probidade é indiscutível em Portugal e são os critérios que estão a ser adotados em todos os países europeus e agora com o Joe Biden também nos Estados Unidos. Nós estamos a fazer ao contrário de todos.

Mas considera que as pessoas mais velhas deveriam ser vacinadas antes dos profissionais de saúde ou ao mesmo tempo?

Não. Acho que a prioridade devia ser os lares e os profissionais de saúde. E acho que devia haver vacinação em massa, como disse ontem o Dr. Filipe Froes e como têm dito alguns. E duvido que os centros de saúde, que têm evidentemente grande importância na prevenção, no tratamento de médicos, que os centros de saúde começarem a chegar vacinas e tiver que haver muitas. Se houve dificuldades na vacina da gripe, o que será agora para uma vacina desta natureza? E portanto, havia que haver espaços públicos, as autarquias, o governo, deviam disponibilizar ginásios, espaços públicos para haver vacinação em massa. Vacinação em massa feita por médicos e enfermeiros, evidentemente.