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Junta-se agora a nós Romão Lavadinho, presidente da Associação de Inquilinos de Lisboa. Antes de mais, boa tarde. Obrigado por estar aqui conosco. Esta reunião começou às 16h, não sei se ainda está a decorrer, mas pode nos adiantar as principais exigências da Associação de Inquilinos que vão constar deste ofício que vai chegar ao governo?

Com certeza. Nós acabamos de aprovar um ofício que vai ser enviado ao governo com as principais questões que consideramos importantes. Ou seja, a questão de prolongar a moratória, que neste momento termina no dia 30 de setembro, e portanto é uma solução que para nós pode resolver o problema de muitos inquilinos quando chegarem ao final de setembro, ou seja, no dia 1º de outubro, estão perante uma situação de poderem ser despejados. Isto por quê? Porque naturalmente, se não pagaram as rendas, porque não tiveram possibilidades de as pagar, vão com certeza-

Quantos inquilinos é que estão em risco de despejo nesta altura? Tem esses números?

Não, esses números não temos, nem ninguém tem. O IHRU diz que apenas pouco mais de 2.100 pessoas pediram empréstimo ao IHRU para pagar o valor das rendas. Ora, isto é um número muito insignificante. Se considerarmos que há mais de 730 mil inquilinos com contratos de arrendamento, não é possível que apenas 2.100 famílias tenham tido abaixamento do valor dos rendimentos. E, portanto, naturalmente que será muito mais. Nós prevemos que possam ser algumas centenas ou algumas dezenas de milhares, que podem estar no dia 1º de outubro na contingência de os proprietários poderem despejar. Por isso mesmo é que nós-

Este ofício vai ser entregue ainda hoje ao governo?

Não vai ser hoje, mas vai ser amanhã, porque hoje os nossos serviços já tinham encerrado quando acabamos a reunião, e portanto só amanhã é que vai ser entregue ao governo o ofício.

E que indicações é que têm de uma eventual resposta pelos contatos que têm feito?

A eventual resposta, aquilo que eu ouvi da senhora Secretária de Estado, é que não vai haver alterações, mas se assim for, o governo assume a responsabilidade pelos despejos que venham a surgir. E portanto, o que nós pensamos é que o governo deverá ter em atenção esta situação, porque já legislou sobre a moratória no que diz respeito aos empréstimos bancários poderem ir até ao final de março, e nós o que estamos a pedir é que seja até ao final de dezembro, dado que não é líquido que o vírus se apague a partir de agora. O vírus vai continuar, vai contaminar aqueles mais desprotegidos.

E as pessoas vão continuar com muitas dificuldades.

O que vivem em casas menos dignas, casas que já não têm condições de habitabilidade, e tudo isso vai ocupar as pessoas que agora vão começar a trabalhar, a andar mais nos transportes públicos, não é claro que o vírus acabe. O vírus vai continuar. O que nós pensamos é que o governo só terá todas as razões possíveis para poder prolongar no tempo estas moratórias.