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O Ministro da Educação, Fernando Alexandre, disse há pouco que o governo não terá problemas em alargar até ao nono ano a proibição de telemóveis nas escolas. O ministro fez também a ressalva que essa decisão vai ainda depender dos resultados de um estudo que vai ser feito, que tem como objetivo concluir se são benéficos ou não estes resultados, se são evidentes, aliás. Desde o início deste ano letivo, já é proibido o uso de telemóveis nas escolas até ao sexto ano. Está comigo para comentar estas declarações do Ministro da Educação, Mariana Carvalho, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais. Muito obrigado pela sua disponibilidade, Mariana. Perguntava-lhe: vê com bons olhos este eventual alargamento da proibição do uso de telemóveis até ao nono ano?

Bem, a CONFAP tem vindo já a falar sobre este assunto e a discutir internamente e, de facto, as opiniões e as vontades dos pais encarregados de educação não são unânimes. Temos pais que preferem a proibição, temos outros, e aí a grande maioria, que concorda com regras claras, mas não concorda com a proibição. E a CONFAP, a tomar a posição da CONFAP, é que somos completamente a favor de regras, somos a favor que haja, inclusive, formação, treino, acompanhamento, educação para todos os alunos, sensibilizações. Proibição, consideramos que não traz aquela que é a mais-valia que nós consideramos muito importante, que é trazer para a escola a tecnologia, trazer para a escola também o contacto com toda a tecnologia e ensinar, de facto, a sua utilização. Aquilo que a CONFAP pretende e gostaria de ver implementado são estratégias para a sensibilização e para que os alunos, as crianças e os jovens, não estejam pendentes e dependentes de uma proibição e que consigam autonomamente, obviamente, com acompanhamento dos pais, encarregados de educação e de todos os atores, os adultos, também professores e assistentes operacionais, que consigam utilizar a tecnologia, nomeadamente os telemóveis, tablets, computadores, com regra, sem a necessidade de uma proibição, porque sabemos que tudo aquilo que é proibido, os alunos e as pessoas, no geral, acabam por encontrar estratégias de compensação e muitas vezes até de tentativas de, por exemplo, levar dois telemóveis para a escola.

Para dar um ao professor e guardar o outro.

Exatamente, há várias estratégias. E todos os estudos que nós temos verificado, que temos tido conhecimento, também noutros países, inclusive também em Portugal, é que não há, de facto, uma correlação direta, nem específica, nem sequer significativa, em que a proibição traga, de facto, aqui uma vantagem.

Sim, o ministro fala nesse eventual estudo que se vai fazer para perceber quais.

Exatamente. Portanto, estamos a falar e estou a falar na posição da CONFAP, percebo que as palavras do senhor ministro é, de facto, estudos, é verificar e, portanto, vamos aguardar que haja aqui maior conhecimento, maior estudo, e também devemos é dotar as escolas com competência e capacidade para ensinar aos nossos alunos e tudo aquilo que são regras, depois também implica o acompanhamento.

Ou seja, proibir pode ser excessivo nesse caso. Mesmo que estudos recentes indicam, por exemplo, que 34% dos alunos em Portugal distrai-se com os dispositivos digitais na escola. A média da OCDE é 30%, ou seja, estamos um bocadinho acima.

Sim, de facto, a CONFAP concorda que há um uso exagerado dos telemóveis e falo especificamente, ou melhor, não falo só especificamente dos alunos, falo no geral, a população em geral, as pessoas utilizam excessivamente o telemóvel, muitas vezes nem temos sequer a noção do tempo que utilizamos o telemóvel, seja a fazer zap, seja nas redes sociais, seja numa pesquisa ou até no vazio, só a olhar para o telemóvel, sem uma intencionalidade. E por isso é que defendemos aqui uma estratégia de sensibilização e de promoção. Vamos perceber o que é que é o telemóvel ou o telefone ou a tecnologia. Vamos perceber aqui, com intencionalidade, o que é que nós queremos fazer para não ser só a proibição e eu não vou utilizar porque é proibido. E associado, temos sanções e que temos escolas que é um segundo aviso de que o aluno pode pegar no telefone para ver as horas, porque sabemos que hoje em dia um telemóvel serve para fazer chamadas, mas também é um despertador.

Sim, substitui o relógio.

Substitui o relógio, exatamente. E portanto, basta um aluno pegar no telemóvel para ver as horas, por exemplo, porque pode acontecer, ou para fazer uma chamada, e que pode ficar em casa por mau comportamento ou indisciplina. Há aqui algumas questões que também nos levam a refletir se é assim. Nós na escola devíamos conseguir utilizar estas ferramentas em segurança, devíamos aprender a utilizar as ferramentas como a internet e a tecnologia. É isto que nós também defendemos. É claro que as escolas também têm que ser dotadas com recursos, seja humano, seja de infraestrutura, para conseguirmos ter o nível da escola, do ponto de vista da tecnologia, como nós idealizamos, claramente. Mas com a proibição, nós só estamos a dizer que não podem utilizar. É só isso que nós dizemos, e que têm sanções associadas.

Certíssimo. Acho que ficou clara a sua opinião e também a posição da CNAP. Mariana Carvalho, presidente da Confederação Nacional da Associação de Pais, muito obrigado por se ter juntado à Rádio Observador.

Obrigada.