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Bruno Pereira, porta-voz da plataforma sindical dos sindicatos da PSP e GNR. Sabemos que não há primeiro-ministro indigitado, mas há vencedor das eleições. Vão exigir a Luís Montenegro que cumpra a promessa de resolver o problema do suplemento de missão? O que é que têm em cima da mesa?
Muito boa tarde, mais uma vez. Eu primeiro dir-lhe-ia que se calhar esse não será o primeiro problema, a primeira preocupação do doutor Luís Montenegro. Primeiro, estou inclinado a dizer, ainda quanto aos resultados eleitorais, a primeira preocupação dele será, em primeira linha, formar governo. Aliás, é uma preocupação dele e é uma preocupação também nossa. Porque nada vale estar a discutir ou projetar uma possível discussão, a discussão que se impõe e que foi, não raras vezes, ambientalmente afirmada e assumida que seria a prioridade das prioridades, quando em primeira linha temos que ter um governo constituído com celeridade e sedimentado. Isso levará aqui algumas semanas até que, felizmente, esperamos todos nós, que isso se efetive. Como digo, iremos naturalmente respeitar o tempo de estabilização do futuro governo, esperando que o doutor Luís Montenegro consiga ser indigitado o quanto antes, dentro daquilo que são os tempos dessa mesma estabilização.
E nessa linha de respeitar estes tempos, não tiveram ações de protesto durante a campanha, não pretendem então também tê-las durante este tempo?
Não, parece-me completamente estéril e inconsequente. Como digo, mantivemos ainda assim debates à volta desta questão. Ainda na semana passada, houve uma partilha de um vídeo simbólico, não sei se teve acesso a ele, onde voltamos a lembrar o que nos traz e aquilo que foi o assunto que de certa forma nos uniu, também de forma histórica e singular. Acima de tudo, isso tem tido respaldo em todas as intervenções públicas e agora até o doutor Luís Montenegro fez questão de o sublinhar também aquando do discurso de vitória no dia de ontem, não sei se se apercebeu. É importante, acima de tudo, que a temática da segurança interna seja de uma vez por todas, não só por causa disto, mas passe a ser um tema que preocupa quem se preocupa, que nos envolve enquanto sociedade civil, porque é um tema fundamental para que nós tenhamos saúde a todos os níveis da democracia.
Mas deixe-me perguntar-lhe, é uma garantia da plataforma que não haverá ações de protesto durante este tempo de definição?
Por parte da plataforma, sim, posso. Ainda que não tenha deliberado, iremos manter, porque não fará sentido estarmos a perturbar aquilo que ainda é o momento de estabilização governativa e era completamente inconsequente e fora de tempo, intempestivo, fazê-lo. Agora, a partir do momento em que haja governo constituído, um programa de governo aprovado e que haja condições plenas para que nós possamos discutir e resolver esta questão, aí sim, depois dessa mesma reunião, depois dessa mesma reflexão e decisão, aí sim, depois ponderaremos, caso se venha a verificar, coisa que eu não acredito, uma falta de cumprimento e de honradez para com aquilo que foi assumido aquando do programa eleitoral.
A plataforma acredita, sim, na palavra de quem se candidatava a primeiro-ministro?
Se eu não acreditar, não posso acreditar na democracia. Tenho que acreditar na democracia de quem nos representa e que agora vai assumir novas funções enquanto líder do governo. É isso que eu espero e penso que seja aquilo que nós todos esperamos, que é palavra dada é palavra honrada e os compromissos são para serem respeitados.
Agora, como dizia, a plataforma vai reunir, vão refletir, não sabe ainda quando.
Iremos refletir. Tínhamos projetado para o fim do mês para discutir. Até fizemos aqui um compasso, demos aqui o tempo devido, até para nós próprios também podermos descansar um pouco, dentro daquilo que foram semanas a fio de luta permanente e também tivemos que dar aqui algum espaço para poder não só respeitar o período e o debate político, como inclusivamente descansarmos um pouquinho nós e darmos algum tempo ao tempo, para que no tempo certo possamos voltar a trazer o assunto para, acima de tudo, dar-lhe uma solução e dar-lhe um rumo certo. Acima de tudo, a deliberação passará não só pela discussão desta questão em primeira linha, que é a prioritária, que é a do suplemento, como eventualmente refletir sobre outras matérias que possam ser igualmente importantes para poder já discutir e trazer para cima da mesa com o futuro governo.