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Vladimir Feliz, o que lhe parece desta estratégia que a Câmara Municipal do Porto desenhou para o São João?

Acima de tudo, eu acho que é sempre uma decisão difícil no contexto que vivemos. Quando vemos os números a crescer, é importante termos algum bom senso e protegermos o esforço que foi feito ao longo do último quase ano e meio. Portanto, todas as medidas cautelares e uma mensagem uniforme de todas as entidades oficiais é essencial. Aquilo que eu conheço da estratégia da Câmara Municipal do Porto é de encerrar todos os três fun parks que tem na cidade às 18h e disponibilizar o corpo efetivo da Polícia Municipal para apoiar a PSP na regulação do movimento na cidade. Parece uma medida cautelar que faz sentido. Acima de tudo, eu acho que nós temos também que implementar formas de manter as pessoas em casa. É curioso que a Câmara Municipal do Porto e o Executivo Rui Moreira, que tem o apoio oficial da Iniciativa Liberal, tenha duas visões para a cidade. Uma é que para os portuenses encerra os fun parks às 18h e abre às 19h um arraial da Iniciativa Liberal no Jardim da Cordoaria.

Parece-lhe que há uma contradição.

Que confundem as próprias pessoas, porque o próprio Executivo tem duas visões daquela que é a estratégia da cidade. A meu ver, nós devemos, acima de tudo, encontrar aqui formas de proporcionar um São João digno às pessoas, por exemplo, não fazendo eventos centralizados, que foi feito, mas lançando fogos de artifício nos diferentes bairros da cidade, permitindo que as pessoas possam assistir a fogos de artifício da sua janela. Ao mesmo tempo, penso que também havia espaço para, de uma forma de podermos dinamizar a economia da cultura, poder ser negociado com um canal local ou nacional, ou até mesmo numa plataforma de streaming, podermos ter conteúdos a que as pessoas pudessem também assistir em casa na companhia de alguns amigos e família. Portanto, encontrar formas de fixar as pessoas em pequenos grupos, permitindo-lhes também dar um pequeno cheirinho de São João e, sempre que possível, dinamizar aqui um pouco a economia local e os agentes locais da cidade.

Portanto, acha que Rui Moreira não está a fazer tudo ao seu alcance para que esta festa de São João pudesse acontecer com segurança, mas ainda assim com alguma alegria, que tantas vezes é possível.

Sim, eu acho que estas coisas têm que ser pensadas. Por exemplo, podíamos ter aqui um plano A, que controlasse, a partir das 18h, o acesso apenas a residentes à cidade, para que não houvesse grandes fluxos externos à cidade do Porto. Podíamos, num plano A, poder ter diferentes locais distribuídos pela cidade, e eu refiro-me a muito espaço em parques de estacionamento, queimódromo, por exemplo, no Sea Out ou em jardins públicos, que pudessem ser de acesso controlado a pessoas vacinadas e a pessoas com teste feito e termos aqui uma testagem massiva nas 72 horas anteriores ao São João e permitir o acesso a essas pessoas, a esses parques previamente definidos, e termos sempre um plano B. E o plano B é o que eu acho que se aplica ao dia de hoje, que é um momento em que vemos os números a crescer no país e portanto, temos que ter cautela. E a Câmara Municipal, acho que numa primeira fase, agiu bem. Pôs o corpo policial ao serviço da cidade, encerrou os parques, que sendo apenas três, iriam concentrar muita gente, mas agora eu acho que era preciso dar algo mais aos portuenses. Estamos há muito tempo contidos e esta solução do fogo de artifício, das soluções de streaming, até podemos pôr alguns trios elétricos a circular pela cidade, que dessem aqui alguma animação às pessoas nas suas casas, nas suas janelas, nos seus jardins, em pequenas comunidades, pudessem ter algum acesso ao São João sem correr riscos. E depois desta contradição, em que eu insisto, em que o mesmo Executivo Municipal tem duas visões: uma para os portuenses e outra para os simpatizantes da Iniciativa Liberal, que poderão fazer um arraial, ao contrário de todos nós na cidade.

Deixe-me fazer-lhe uma última pergunta sobre umas declarações de Rui Moreira, ainda no final de maio, quando disse: "Não tenho uma visão fascista, a PSP não pode reprimir se toda a gente vier para as ruas." Isto parece-lhe que foi uma boa forma de gerir pelo menos a comunicação da Câmara, quando, por um lado, se pede que as pessoas fiquem em casa e tenham comportamentos moderados e meses antes ou semanas antes, se convida, porque isto no fundo é um convite implícito para que as pessoas saiam de casa. Parece-lhe coerente esta mensagem?

Não, é mais uma vez o doutor Rui Moreira a tentar agradar a Deus e ao Diabo e a tentar, por um lado, dizer que é contido, como fez hoje, dizendo que vai encerrar os parques, dizendo que pôs a Polícia Municipal ao serviço da PSP e, por outro lado, dá uma mensagem difusa aos portuenses, como já deu nas 100 anos de liga, dizendo mais tarde que nada tinha a ver com o evento. Esperemos agora que se isto correr mal, mais uma vez o presidente da Câmara do Porto, que é quem tem a responsabilidade máxima na cidade, não venha dizer que nada teve a ver com o momento, que foi a liberdade dos portuenses que levou a isto e que nós, mais uma vez, numa prática muito socialista e a que este Executivo se tem associado, de que a culpa ou é dos funcionários ou é dos portuenses ou dos portugueses. Portanto, está na hora dos líderes, quer do governo, quer da Câmara Municipal, assumirem as suas responsabilidades e assumirem as rédeas da cidade, o que não tem nada a ver com uma postura fascizante, mas com uma postura responsável de uma mensagem clara e transparente para os cidadãos, para que não deitemos a perder tudo aquilo que conquistamos no último ano e meio, como começamos a ver em alguns conselhos do país.