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Em direto ao telefone temos o eurodeputado do PSD, Paulo Rangel. Paulo Rangel, bom dia. Começo por lhe perguntar que marca deixa David Sassoli na vida política europeia?
David Sassoli, que eu conheci muito bem mesmo antes de ser presidente. Nós tínhamos o hábito de jantar no mesmo restaurante às segundas-feiras de Estrasburgo, uma vez por mês, durante muitos anos, e tínhamos sempre longas conversas nessa primeira noite de sessão. E com quem depois trabalhei muito, especialmente nos primeiros seis meses da sua presidência, por causa de preparar a conferência sobre o futuro da Europa. Era um grande europeísta, um grande comunicador, mas especialmente uma pessoa cuja delicadeza de trato era extraordinária. Era um humanista cheio de humanidade, com uma grande sociabilidade e portanto, na vida europeia, ele deixa essa marca. É um europeísmo capaz de fazer pontes. Já era assim.
E sendo, Paulo Rangel, que David Sassoli atravessou e teve que ser um dos líderes durante este período difícil que o mundo e a Europa, em particular, atravessou por causa da pandemia. Como é que David Sassoli geriu estes momentos?
Vamos cá ver. Ele viveu com bastante angústia. Aliás, era uma das penas que ele tinha, das suas mágoas, se posso usar a palavra, foi ter sido presidente durante este tempo, em que evidentemente, foi muito condicionado no exercício do seu mandato. Mas ele teve que tomar decisões muito difíceis e corajosas, porque um parlamento, por definição, tem que funcionar fisicamente e presencialmente. E portanto, teve que reinventar todo o sistema de funcionamento do Parlamento e basicamente, foram decisões de alcance pessoal, não foi colegial, foi ele praticamente sozinho que teve que tomar essas decisões logo no início de 2020. Apetrechar o Parlamento com condições para trabalhar no modo remoto e se quiser, essencialmente, que era o seu grande objetivo, no modo híbrido. Mas viveu isso com muita dificuldade. É curioso que do ponto de vista humano, viveu isso com grande relutância. Para ele era, de facto, muito doloroso, porque era um homem da comunicação, até profissionalmente, e portanto um homem do trato pessoal, até um pouco do gesto, até de uma certa intimidade. E portanto, para ele, ter de estruturar um modo de funcionamento tão mais frio e distante e até menos capaz de captar obviamente as dinâmicas políticas, como foi este modo de funcionamento remoto, foi uma coisa bastante difícil. Agora, sem dúvida que ele conseguiu. O Parlamento nunca deixou de funcionar, fez sempre todas as votações que tinha que fazer. No início, aliás, onde essas condições ainda não estavam criadas, houve que adaptar muita legislação. Pense, por exemplo, no caso da aviação, em que foi preciso alterar imensa legislação logo na fase inicial da pandemia. E portanto, ele, de facto, teve aí uma presença de espírito, uma capacidade de adaptação, que talvez o seu génio italiano, e ele era um italiano também em tudo, no trato muito delicado, no amor à cultura, na capacidade de fazer pontes, na facilidade da interação. E portanto, evidentemente, com aquela capacidade de improviso que os italianos têm, isto também o ajudou a encontrar modos de uma máquina que é extremamente complexa. Temos que pensar que há 24 línguas oficiais no Parlamento.
Portanto, foi uma grande dificuldade.
Passar para o modo remoto tem uma complexidade que não tem noutras instituições.
Paulo Rangel, e agora, o que é que se segue? Quem pode ser o próximo líder do Parlamento Europeu?
Vamos cá ver. É preciso ver que o mandato de David Sassoli tinha terminado. Terminava precisamente esta semana, há aqui até uma infeliz coincidência de ele desaparecer no exato momento em que o seu mandato se esgotara. E portanto, ele não era recandidato. Penso que ele até equacionou isso, que não é uma coisa comum no Parlamento, mas justamente a doença que foi acometido a partir de meados do ano passado, mas especialmente, como aliás disseram aqui, a partir de setembro, e que depois nunca mais o deixou e era visível que era uma situação grave para quem tinha que conviver com ele. Numa outra ocasião em que ele regressou, era visível o seu estado de fragilidade. Ia haver uma eleição, em qualquer caso, a pessoa que está mais bem posicionada neste momento é uma colega minha, com a qual também tenho uma relação muito próxima, que é a maltesa Roberta Metsola, do PPE, precisamente do meu grupo político, que eu julgo que terá todas as condições para ser eleita na próxima quarta-feira.