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Em direto neste jornal das 16h, do líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto. Obrigada por estar conosco. Fernando Medina diz que não sabia de nada, apesar de reconhecer que o Ministério das Finanças deveria ter aprovado a indenização a Alexandra Reis, mas diz também que essa informação, que deveria ter chegado à tutela, não chegou. Acredita nestas justificações?
Boa tarde, muito obrigado pelo convite. Não, aliás, eu creio que ninguém acredita, nenhum português normal acredita que Fernando Medina não sabia desta situação. O que assistimos hoje, ao princípio da tarde, com essas declarações de Fernando Medina, foi aprovar para já que existiam diversas divergências dentro do governo, particularmente entre Fernando Medina e Pedro Nuno Santos. Isso é a primeira conclusão que podemos tirar. E depois, se Fernando Medina vai buscar para seu lado uma secretária de Estado para tutelar a TAP e não sabia do que é que tinha acontecido, desta indemnização, não sabia de nada, ao fim e ao cabo, então qual é que foi o critério que foi utilizado? Quando é que se soube? Realmente se soube agora pela comunicação social que Alexandra Reis tinha recebido esta indemnização de €500 mil e o convite faz-se como? Isto soa muito a incompetência. Fernando Medina é incompetente e se é incompetente, não pode estar à frente de uma pasta tão importante como é o Ministério das Finanças.
Mas Fernando Medina diz que não sai, diz que não é responsável e até chega a rejeitar as acusações de que a mulher dele participou na indenização, ameaça até ir para tribunal contra quem continuar a insistir nisso. O Chega vai continuar a insistir?
O Chega vai continuar a insistir e a fazer aquilo que tem feito e que tem feito desde sempre, e que tem alertado desde sempre. Este é um mau governo, mas desde o princípio, desde que foi constituído este governo, percebeu-se isso. E não é por acaso que já temos as demissões todas que tivemos e o tempo só nos está a dar razão. Há aqui uma coisa muito importante: Fernando Medina está a tapar o sol com a peneira e mais uma vez não quer assumir as responsabilidades. Aliás, nem Fernando Medina, e há uma pergunta que é importante nós fazermos também, porque demitiu-se um dos grandes ministros deste governo, que era o ministro que tem uma pasta importantíssima, que é as infraestruturas, está com o PRN de 2030. Ou seja, estamos a trabalhar para o futuro de Portugal e a longo prazo. E não há uma palavra do primeiro-ministro António Costa. Isto é gravíssimo. Onde é que anda António Costa? Porque não fala ao país. Os portugueses precisavam de uma palavra do primeiro-ministro. Ou seja, se o primeiro-ministro António Costa, também ele não assume as responsabilidades, se Fernando Medina com a pasta das finanças não assume responsabilidades, é sinal que este governo acabou. Este governo não tem condições para continuar. Por muito que o Presidente da República venha dizer que era mau uma crise política nesta altura, mas a crise política está aí. Só não vê quem não quer ver.
O que o Presidente da República acabou por dizer hoje, rejeitando recorrer a esse instrumento da bomba atómica, de dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas, é, no fundo, que o Chega pode esperar sentado. O presidente não vai acatar esse pedido. Percebe os argumentos que lhe equivocou?
Eu creio que não é só o Chega que já pediu a dissolução do Parlamento, mas nós particularmente pedimos e pedimos com toda a razão. Aliás, qualquer português normal percebe aquilo que se está a passar. Existe um governo que está a prazo, existe um governo que não tem condições neste momento para continuar e antes que o país vá piorar, porque vem aí um ano muito difícil, que é o ano de 2023, caberia ao Presidente da República dissolver o Parlamento. Esta é a única solução, porque este governo não tem condições para continuar. São trapalhadas atrás trapalhadas, são casos atrás de casos, são casos e casinhos. E depois, uma coisa que ninguém percebe, é que ninguém sabe nada. Fernando Medina não sabe nada. Se não sabe nada, não está lá a fazer nada. António Costa nada sabe, então também não está lá a fazer nada. Portanto, este governo terminou, chegou ao fim.
Mas vem aí um ano tão difícil como diz, não seria também estar aqui a criar mais instabilidade, acrescentar essa instabilidade a um contexto que já vai ser difícil?
A instabilidade já existe. Já existe uma crise política em Portugal. Por muito que digam que não, já existe uma crise política dentro deste governo. Entre um governo fraco, um governo frágil, um governo que está em crise, a palavra tem que ser dada outra vez aos portugueses para que se faça um governo forte, porque é o futuro que está em causa. Porque se nós adiarmos o mal, o mal vai sempre continuar, e continuará, e continuará até que um dia irá cair. Esta é que é a grande realidade.