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Miguel, agora em direto. A Comunidade Vida e Paz tem notado um aumento dos pedidos de ajuda.
Sobretudo, Carla, desde a pandemia, o número de pessoas em situação de sem-abrigo tem aumentado desde 2020, ou seja, nos últimos cinco anos. Agora, no último ano, houve uma estabilização desses números. Foi o que nos disse a diretora-geral da Comunidade Vida e Paz, Renata Alves, que está agora conosco em direto. Obrigado pela disponibilidade. Esta festa de Natal vai ajudar, ou a estimativa é que ajude cerca de 1900 pessoas nestes três dias. Este é um número que tem vindo a crescer nos últimos anos.
Sim. Bom dia, antes de mais. Este número tem vindo a crescer. No ano passado, nós tivemos mais de 1700 presenças ao longo dos três dias e acreditamos que este ano vamos ter um aumento de 5%.
5% em relação ao ano passado e na rua, a Comunidade Vida e Paz também nota um aumento, sobretudo desde da pandemia.
Sim, nós, na verdade, estamos a ir ao encontro, na cidade de Lisboa, cerca de 450 a 500 pessoas, um número que ainda continua superior em relação ao ano 2020. Apesar de existirem mais alternativas, mais medidas para acolher as pessoas em situação de sem-abrigo e para que elas possam deixar de estar nessa situação, ainda conseguimos perceber que esse número continua, de facto, bastante significativo.
E também há a questão dos vários perfis de pessoas em situação de sem-abrigo. Já não é só pessoas com algum tipo de adição, mas também pessoas que vão pra rua por causa de problemas econômicos.
Sim, na verdade, o perfil alterou bastante também nestes últimos dois anos. Conseguimos perceber que há muitas famílias que estão a passar grandes dificuldades e depois acabam por não ter um orçamento suficiente para fazer face às despesas, como, por exemplo, uma renda. Por outro lado, também continuamos a ter pessoas que acabam por estar na situação de sem-abrigo devido à situação de desemprego, também algumas pela questão da doença mental. Mas efetivamente, as problemáticas são muito diversas e muito relacionadas com a dificuldade e com o aumento do custo de vida.
Há uma resposta do poder político, disse agora, para responder a esta necessidade de mais pessoas na rua. Mas pergunto-lhe se também há responsabilidades políticas por este aumento das pessoas em situação de sem-abrigo. Ou seja, aumenta a ação social, mas ainda assim é insuficiente.
É insuficiente. Porque neste momento, se as pessoas que estão na rua todas tomassem a decisão de sair, não temos efetivamente resposta para todas. E os poderes políticos têm de se responsabilizar por criar mais medidas e por haver uma concertação entre os próprios planos municipais enquadrados numa estratégia nacional. É, de facto, muito importante que seja feito algo mais, porque senão este número nunca vai diminuir.
Apoios ao nível das autarquias, disse, são essas as medidas que a Comunidade Vida e Paz também faz esse apelo ao governo, por exemplo?
Sim, na verdade, a questão dos apoios ao nível das autarquias tem muito a ver com os próprios planos que cada município elabora, mas tem de existir uma concertação entre os próprios planos e a própria estratégia. E é muito importante que sejam lançadas mais medidas para ajudar as pessoas, nomeadamente a questão da habitação é um problema gravíssimo, mas também, sobretudo, apoios no que diz respeito às próprias instituições que têm intervenção nesta área.