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Hoje médicos e governo voltam à mesa da negociação. Em direto neste Jornal das 8, está agora o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos. Muito bom dia, Jorge Roque da Cunha. Estamos aqui a falar de um regresso depois da suspensão das negociações por causa do pedido de demissão de António Costa. Acredita que neste momento há condições para que se possa chegar a um acordo mais facilmente?

Muito bom dia. A circunstância de estarmos com uma profunda crise no Serviço Nacional de Saúde e em cima dessa crise, uma crise política, naturalmente que faz com que a situação seja ainda mais grave. E essa responsabilidade por parte do Sindicato Independente dos Médicos, de perceber que dentro de dias o Parlamento irá ser dissolvido, e naturalmente que só muito provavelmente lá para setembro é que haverá condições de um governo tomar medidas para mitigar ou ultrapassar muitos destes problemas, obriga fundamentalmente o governo a sair da posição acantonada da proposta de cerca de 5% de aumento de salário em relação aos médicos que neste momento estão a trabalhar. O governo aposta na dedicação plena, que já foi aprovada, e aí os médicos irão individualmente olhar para essa proposta e aderirão ou não. Mas era essencial que hoje o governo pudesse sair dessa proposta, que houvesse um acordo intercalar, que da parte do Sindicato Independente dos Médicos, eu posso fazer esse anúncio, ontem mesmo fizemos a proposta, já que houve uma perda de cerca de 30% do poder de compra, e aquilo que tínhamos aceite de uma forma faseada poder ocorrer durante a legislatura, a nossa proposta é que seja possível este acordo intercalar no valor, e é essa a nossa proposta, de 15%. É verdade que todos os dias nós temos indicações de dificuldades e também o resultado de oito anos de governação e 18 meses de negociações inconsequentes que causaram a perturbação que ocorre no Serviço Nacional de Saúde. A verdade é que cada dia que passa, esses problemas são mais evidentes e em plenitude de funções, sem um governo com capacidade de decisão, nós estamos certos que a situação irá piorar em vez de melhorar. E portanto, vamos junto do Ministério da Saúde tratar de uma forma responsável e esperamos que isso seja possível. Nós tudo continuaremos a fazer até ao último dia, até à última hora, para que esse acordo seja possível. Já em relação às unidades de saúde familiar, ao que nós iniciámos a discussão há cerca de dois dias, iremos também fazer a nossa contraproposta e aí estamos cientes que também é possível chegar a acordo. Mas em relação à questão fundamental, a questão dos salários, era muitíssimo importante que o governo pudesse, de uma vez por todas, perceber que não é possível um médico especialista em 40 horas auferir 1800 €. E nesse sentido, está em plenitude de funções ainda mais uns dias, e cada dia que passa, mais difícil será ultrapassar esse problema.