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Perguntava-lhe então, desde já, certamente não concorda com estes € 100 que o presidente da República promulgou, mas perguntava, de qualquer forma, a sua posição sobre esta situação.

Para já começava por dizer que continuamos a induzir no mesmo erro, que não são € 100. Aquilo que o governo fez foi ao suplemento das forças de segurança na componente fixa, que já existe, de €31,04, e que já existe para responder à penosidade, à disponibilidade permanente e a outras restrições que nós na nossa profissão temos, e não ao risco. O risco foi acrescentado agora. Neste momento, aquilo que o governo fez foi tirar de lá os 30 e poucos euros e colocar lá € 100, que em bom rigor traduz-se em €68,96 e líquidos, ou seja, ainda vão ser sujeitos a impostos por via da carga fiscal que temos no nosso país. Aquilo que o senhor presidente da República hoje fez foi promulgar um documento que, apesar de reconhecer ter um valor baixo, em nada corresponde àquilo que eram as nossas expectativas, como ele bem sabe, e o senhor presidente da República dá um sinal aqui de amparo de uma má opção política ao governo. Por isso, quero expor que se teve aqui uma visão do senhor presidente da República mais de amparar o governo do que propriamente ir ao encontro daquilo que eram as expectativas dos profissionais da Polícia de Segurança Pública.

Eu ia dizer exatamente isso, até porque no comunicado, o presidente da República assume que este aumento do subsídio ficou aquém das expectativas dos sindicatos, mas considera que é um ponto de partida. Também vê desta forma?

Se o senhor presidente considera que este ponto de partida é para que haja já alterações no âmbito do Orçamento de Estado para melhorar esse valor, estamos de acordo, não me parece que seja o caso. E eu salientava até o facto de há cerca de dois anos, aquando da promulgação das remunerações dos senhores magistrados, o senhor presidente da República ter feito uma referência ao governo da necessidade de acautelar os interesses dos salários e as remunerações dos polícias. Até à data nada foi feito e o governo agora, com este diploma legal, vem um pouco insultar-nos e o senhor presidente da República, apesar de ter dito isto há algum tempo a esta parte, vem de alguma forma patrocinar aquilo que é o insulto que o governo traduziu neste diploma. Por isso, temos que perceber aqui se a perspectiva do senhor presidente da República é, de alguma forma, estar atento a estes fenómenos e a este mau tratamento dado pelo governo ou se é aqui amparar o governo nas suas opções, neste caso, nas suas más opções.

Exatamente. Penso que da minha parte as perguntas estão feitas. Não sei se quer acrescentar alguma ideia.

Não, só dizer que no próximo dia 14 de setembro iremos fazer uma iniciativa juntamente com a APG da GNR, também junto à residência oficial do senhor primeiro-ministro, por forma a, uma vez mais, manifestarmos contra esta decisão do governo, a atribuição do valor em causa.