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Em direto neste jornal está agora o presidente do IPMA, Miguel Miranda, a quem agradeço a disponibilidade. Bom dia.
Bom dia.
Bom dia. Por que estamos a ter um abril tão quente?
O porquê não é muito relevante. Todos sabemos que isto tem a ver com uma certa mudança progressiva das condições meteorológicas, em particular nas latitudes médias. Nós temos tido agora uma sequência significativa de períodos de calor acima da média e de pouca precipitação, desde praticamente o início do ano. A situação deixa-nos razoavelmente preocupados, porque estamos claramente no início de um período em que os riscos, em particular aqueles que estão relacionados com a temperatura, vão aumentar.
É com isso que podemos contar e, portanto, é possível prever por quanto tempo mais vamos estar com estas temperaturas?
As condições sinópticas podem se manter durante um período razoavelmente grande. Neste momento, se por acaso estiverem atentos ao que se passa aqui em Espanha, ao pé de nós, sabem que as condições de seca começam a se agravar de forma significativa. Em Portugal, a situação não é ainda tão grave, mas para lá caminha e, portanto, para além daquele campeonato contínuo dos recordes, que, na verdade, não é assim tão importante, o que é importante é utilizar-se esta situação para chamar a atenção das pessoas, que é preciso pensar que podemos estar no início de um período de seca importante e de necessidade de ter em atenção os riscos relacionados com os incêndios rurais.
E isto apesar de termos tido um inverno até com alguma chuva, com cheias nas cidades, isso não resolveu o problema da seca no país e temos este risco agora maior de incêndios.
Exatamente, essa é a situação. A irregularidade veio para ficar, os recordes sucessivos vieram para ficar e agora nós temos que nos adaptar a eles. Apesar de tudo, do ponto de vista geral, até é uma situação simples de compreender.
E isto permite-nos antecipar como é que vai ser o verão? Podemos, depois desta experiência de abril, perceber que vamos ter também um verão muito quente ou isto não nos dá qualquer sinal nesse sentido?
Não, isto não nos dá qualquer sinal. A previsão para o verão na Europa, em particular na bacia do Mediterrâneo, é de um verão quente e seco. Esperemos que não seja assim na totalidade do território do continente e das ilhas. Mas claro que nós estamos com alguma apreensão em relação aos meses que se seguem.