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Está conosco Helder Martins, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve. Muito obrigado por ter aceitado o convite para falar com a Rádio Observador. Helder, a época alta está a começar, um início tradicionalmente marcado pela Páscoa, que é já este fim de semana. O conflito no Medio Oriente está a ter efeitos na indústria hoteleira algarvia?

Eu não imputaria aquilo que é o resultado que estamos a sentir neste momento, totalmente à questão da guerra. Acho que se deve mais à questão do bom tempo que surgiu e por isso, nestes últimos dias mais recentes, temos recebido muitas reservas. Se a expectativa era de estarmos na casa dos 80%, hoje já poderemos ser mais ambiciosos e dizer que poderemos estar a 90% durante o período da Páscoa, o que é muito bom. Mas não consideramos que essas reservas tenham vindo pura e simplesmente porque existe uma guerra.

E nota mais reservas de portugueses, de estrangeiros, em comparação com o ano passado, qual é que é a diferença ou não há diferença?

Não, não creio que haja diferença. Os portugueses são sempre a primeira nacionalidade nestas alturas de pico e continuam a ser. A nível dos estrangeiros, o movimento que se está a gerar de chegadas no aeroporto é positivo. Já no mês passado, o aeroporto teve um aumento de cerca de 8% nas chegadas, o que também é muito bom. E eu diria que a questão das nacionalidades é mais ou menos semelhante àquilo que é o normal. Agora, é verdade que estamos a começar uma época pela época média-alta e depois chegar à média-alta. A partir de agora começam os voos dos vários destinos que têm voos apenas no verão. Todos estes fatores conjugados com o bom tempo ajudam. Tínhamos uma preocupação, que parece que não está a ter esse efeito, que tinha a ver com o aumento do preço dos combustíveis para clientes de proximidade, que se deslocam de carro, nomeadamente do norte do país, da Galiza. Mas o que estamos a verificar, informação já de hoje, é que os hotéis estão a receber muitas reservas, vamos ao balcão e os check-ins estão a aumentar o número de pessoas. Temos hoje condições para dizer, estamos em cima da Páscoa, que esta vai ser uma muito boa Páscoa para o Algarve.

E face a este aumento dos combustíveis, pensaram em alguma medida para tentar mitigar este efeito também do conflito no Medio Oriente?

A questão dos combustíveis é uma questão que impacta nas empresas e que vai ter impacto no resultado das empresas, mas é verdade que para a maior parte dos clientes que chegam e com os quais os operadores, por exemplo, fizemos contrato há um ano a esta parte, nós não temos hipótese de fazer rigorosamente nada. O preço está contratado e não podemos ou não devemos fazer como as companhias aéreas fazem, lançar de repente uma taxa de combustível. Nós estamos a assumir esse impacto nas empresas. Vamos esperar que as coisas se resolvam com a máxima brevidade, porque senão poderemos ter aqui um problema complicado para quem tem reservas que foram feitas há algum tempo, com determinado preço e uma determinada conjuntura, e que agora as coisas alteram-se bastante. Mas, por enquanto, estamos a conseguir manter a situação.

Há uma diferença muito grande para o número de reservas em comparação com a mesma altura no ano passado ou mantém-se mais ou menos igual?

A nossa expectativa, ouvidos os associados da AETA, era de que esta Páscoa poderia traduzir-se num aumento entre 3% a 5% de ocupação. Tínhamos um otimismo moderado sobre isto, mas era um dado que poderia ser possível, porque repare, nós temos hoje unidades que estão a 100%, temos unidades que esperavam estar a 80% e estão a 90%, e temos unidades que estão abaixo disso. Depende do produto, depende da estratégia de preço. Mas hoje, creio que não há a mínima dúvida em dizer que a chegada dos clientes não tem tanto a ver com esses impactos externos, mas tem a ver com uma opção, com a necessidade das pessoas terem um curto período de férias e com aquilo que é hoje o excelente tempo que se verifica no Algarve, já ontem, que se vai verificar nos próximos dias, o que motiva as pessoas a deslocarem-se à região, pese embora terem que pagar mais alguns euros pelo combustível.

Por isso, a expectativa para o resto do ano é bastante positiva.

Sim, volto a repetir o termo otimismo moderado. Nós estamos com boas expectativas para o resto do ano. Temos muitos grupos e muitas empresas que estão hoje considerando reservas em casa acima daquilo que é a expectativa e daquilo que foi o ano passado, e isso é um dado muito positivo. Agora, como sabe, de repente pode haver um clique e as coisas alteram-se. Neste momento temos claros dados para dizer que o verão, a época alta no Algarve, vai ser positiva. Vamos ter um aumento do número de lugares no aeroporto, vamos ter alguns voos novos e isso conjuga-se para ajudar a que mais clientes escolham o Algarve.