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André Cabrita é um dos dois bombeiros voluntários de Albufeira que se juntaram às operações de resgate na Turquia. Confessa que, apesar dos anos de treino, não estava preparado para o que encontrou.

Uma situação devastadora e ao mesmo tempo um sentimento de impotência perante a população e perante o desespero.

A equipa portuguesa chegou na quarta-feira a Adana e encontrou o ambiente caótico.

Uma organização desorganizada, como se costuma dizer. Havia muita desorganização e é normal. Tinham passado 48 horas desde o sismo e isto a nível de organização, acredito que seja uma coisa muito complexa. Estava desorganizado.

Desde então, não tem havido boas notícias nos resgates. Ainda não encontraram uma única pessoa com vida. Ainda assim, a resposta que recebem da população é de agradecimento.

Fizemos o nosso trabalho. Não está aqui ninguém com vida. Se estava aqui, provavelmente deve ter falecido. As pessoas abraçavam-nos, apesar de ser mau, não é uma boa notícia aquilo que a gente recebeu, infelizmente.

André, Cláudio e o cão Axe são os únicos portugueses a trabalhar em quilómetros e quilómetros de terreno onde operam dezenas de equipas de vários países. O medo prende-se sobretudo com o risco de réplicas que, apesar de relatos de colegas, André nunca sentiu desde que está na Turquia. Mas o tempo frio que se faz sentir traz alguns constrangimentos.

Temos que usar a roupa, a nossa proteção individual e tem que ser. Tem que estar tapado até a boca, como se costuma dizer.

A equipa portuguesa regressa amanhã a casa depois de três dias de trabalho no terreno, mas se salvar vidas ainda fosse uma possibilidade, André ficaria mais tempo.

Se houvesse uma coisa que fosse para fazer aquilo com o objetivo de estou cá, que é salvar vidas humanas, sim.

O relógio vai passando e quase uma semana depois do primeiro abalo, é cada vez mais difícil encontrar pessoas com vida.